DOCE PESADELO

A grande inimiga das suas noites

Saiba mais sobre a insônia, quando tentar dormir é algo quase impossível

Suelyn Oliveira
20/09/2013 às 22:10.
Atualizado em 25/04/2022 às 03:19

Você rola de um lado para o outro na cama, levanta para beber água ou liga a TV novamente para ver se o sono aparece. Em vão. A impaciência começa a fazer parte da sua noite, ler não adianta e o relógio virou seu inimigo mortal. Você pensa " Agora, faltam 4 horas para eu acordar, agora 3, 2..." e assim por diante. O desespero toma conta de você, e quando percebe já é hora de levantar para trabalhar. A partir daí você pensa " Mas como, se eu nem dormi." Pronto, algo que parecia simples agora afetou totalmente o seu humor, e mais, estragou o seu dia.Quem se identifica com o que acabou de ser escrito, sofre de um mal que aflige milhares de pessoas no mundo todo: a insônia. Por definição a insônia é um distúrbio caracterizado pela dificuldade em iniciar e/ou manter o sono e pela sensação de não ter um sono reparador, causando prejuízo significativo no comportamento do indivíduo. Especialistas consideram que o tempo necessário para um sono reparador varia de pessoa para pessoa, mas a maioria, precisa dormir de sete a oito horas para acordar bem disposta, entretanto para quem tem insônia esse número de horas chega a ser um ''sonho''.Pesquisas recentes indicam que aqueles que consideram suficientes quatro ou cinco horas de sono por noite, na realidade, precisariam dormir mais. Aparentemente, pessoas mais velhas dormem menos. Entretanto, o tempo que passam dormindo pode ser exatamente o mesmo de quando eram jovens dividido em períodos mais curtos e de sono mais superficial.A insônia pode ter causas orgânicas e psíquicas. Entre elas a produção inadequada de serotonina pelo organismo, que é nada menos que um neurotransmissor do cérebro, ou seja, faz a transmissão de dados entre neurônios, o estresse provocado pelo desgaste cotidiano ou por situações-limite como causas mais importantes, como morte de pessoas próximas, depressão, entre outros. Para identificar as causas da insônia, é indicado que o paciente realize um exame que monitora o seu sono enquanto dorme chamado de poli-sonografia. E para isso, é necessário que ele durma em uma clínica especializada para tal procedimento.Outro dado importante e descoberto pelos especialistas é que quando se trata das mulheres, ter insônia é ainda mais comum por causa das alterações hormonais causados pela TPM, na gestação, na menopausa ou até mesmo na fase pós-parto. Além disso, acredita-se que a causa para o distúrbio na mulher seja uma predisposição genética, e em longo prazo, essa falta de sono pode aumentar o risco de doenças graves como depressão, diabetes, obesidade e hipertensão.

Quando a insônia faz parte da rotina

Aos 39 anos, a professora universitária Ana Renata Galvão Gonçalves leva uma vida normal, trabalho, marido, filha. Mas quando chega a noite, o que parece ser fácil e tranquilo para os outros, se torna um verdadeiro pesadelo para ela. " A insônia já faz parte do meu dia a dia. Na maioria das vezes, estou tão exausta e não vejo a hora de ir pra cama, mas quando deito e tudo fica em silêncio, minha cabeça não para, muitos pensamentos. Aí viro pra cá, viro para lá, e nada. Sempre deito as 0h00 e quando olho no relógio já são 3 ou 4 da manhã, e o sofrimento começa, pois sei que logo vou ter que acordar e não descansei o suficiente".

A professora nos conta que esse mal afeta sua vida profissional devido a dificuldade em acordar cedo por estar exausta e seu comportamento, e diz que se esforça para que os outros não percebam, porém em casa não tem como passar em branco " No trabalho me controlo pra não me tornar uma chata que fica reclamando de sono, mas em casa, normalmente minha filha de 8 anos e meu marido percebem que estou de mal humor. Minha filha até fala : xiiiiii... tá nervosinha. E eu percebo que desconto nela meu cansaço e falta paciência."

Ana conta que já tentou remediar a situação com métodos naturais como chás de camomila, suco de maracujá, de melissa, porém nada parece funcionar. "Isso acontece quase todos os dias, principalmente quando estou preocupada com alguma coisa do trabalho", justifica. Apesar do sofrimento, ela não procurou ajuda médica, psicológica ou começou alguma atividade física, mas acha que ajudaria. " Queria fazer uma atividade física, pois sei que me ajudaria, o problema é ter tempo para fazer. Já me disseram pra fazer meditação também, mas com a correria diária é complicado."

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