JOGO RÁPIDO

A (in)capacidade de localizar talentos

Coluna publicada na edição de 30/6/19 do Correio Popular

Carlo Carcani Filho
30/06/2019 às 01:00.
Atualizado em 30/03/2022 às 20:18

Bicampeão da MLB (Major League Baseball) em 1992 e 1993, o Toronto Blue Jays vai assinar contrato nos próximos dias com Rafael Massanori Viana Ohashi, um jogador de beisebol de Campinas de 16 anos. O garoto começou a jogar aos 9 anos na categoria pré-infantil do Tozan Campinas. A princípio, Rafael vai atuar em uma espécie de time B do Toronto na República Dominicana. Seu desempenho na base é que vai determinar se um dia ele defenderá o Blue Jays na MLB. A coluna de hoje não é sobre beisebol, mas sim sobre a perda de uma virtude do futebol de Campinas. Tanto Guarani como Ponte Preta viveram suas melhores fases em épocas em que eram capazes de revelar craques e encontrar jovens promessas em clubes menores. O Toronto Blue Jays é uma instituição gigante, que pertence um grupo de comunicação canadense. Notem que não se limita a buscar jovens promissores em países em que o beisebol é popular. Sua rede de observação encontrou um garoto com potencial em Campinas, cidade que, por motivos óbvios, nunca revelou um atleta para a MLB. Parabéns, Rafael, estamos na torcida para que você seja o primeiro. Mas e no futebol? Recentemente, um campineiro conquistou a Liga dos Campeões com a camisa do Liverpool. O clube inglês pagou R$ 216 milhões ao Monaco por Fabinho. O clube francês, por sua vez, foi buscar o volante no Real Madrid. Antes do gigante espanhol, o campineiro ficou apenas um mês no Rio Ave, que o contratou do Fluminense. Pelo time carioca, Fabinho ficou apenas uma vez no banco de reservas em um jogo do Brasileirão. No Rio Ave, nem chegou a estrear. Ficou um mês em Portugal e já recebeu um convite para jogar no time B do Real Madrid. Logo foi promovido ao time principal e meses depois negociado com o clube francês. Como se vê, o mercado muito rapidamente detectou o enorme potencial de Fabinho, que no início da carreira era lateral-direito. E onde o Fluminense achou essa promessa que explodiu tão rápido? Fabinho jogou dos 12 aos 17 anos no Paulínia. Nasceu em Campinas e foi criado no DIC 6. Em setembro de 2014, entrevistamos os pais de Fabinho. Ele já estava no Monaco e foi convocado para a Seleção Brasileira pela primeira vez. Na ocasião, a repórter perguntou por que o menino nunca passou pela base dos clubes de Campinas. “Era muito caro”, responderam os pais. Fabinho chegou a frequentar o Brinco de Ouro por uma semana. Por algum motivo, o Guarani não quis reforçar sua base com o menino bom de bola. O Toronto Blue Jays é capaz de achar um talento do beisebol em Campinas, algo muito improvável. Nossos clubes não conseguem mais dar uma oportunidade a um jogador com potencial para ser campeão da Champions mesmo quando ele nasce aqui e cresce sonhando com a chance de vestir um uniforme preto ou verde. O papel de localizar e lucrar com futuros craques passou a ser exercido por empresários. Eles estão cada vez mais ricos, enquanto os clubes... Estarei de férias em julho. Volto a bater papo com o leitores em agosto. Até lá.

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