A presença do Red Bull nas quartas de final do Paulistão não me surpreende. Ao contrário, tinha certeza que, logo em seus primeiros anos na elite, o clube conseguiria se classificar porque é organizado, profissional, ambicioso e com excelente estrutura. É natural que daqui em diante figure, com relativa frequência, entre os melhores da A1. Mas admito que, em certo ponto do campeonato, tive a certeza que a primeira boa campanha ficaria para 2016 ou 2017. Afinal, na 8ª rodada, o Toro apanhou em casa do Audax por 6 a 1 e caiu para o último lugar do Grupo A, com 8 pontos. O aproveitamento era de 33,3% e o time estava colado na zona de rebaixamento. Nas seis rodadas seguintes, o Red Bull não sofreu nenhum gol e alcançou o impressionante aproveitamento de 88,9%. É por isso que entrou em campo, nesta quarta-feira, já classificado. Conversei com Thiago Scuro, diretor esportivo do Red Bull, para saber duas coisas: 1) Por que o clube não trocou de técnico quando foi goleado em casa por um time pequeno e caiu para o último lugar? 2) O que aconteceu para o mesmo time, com o mesmo técnico, conseguir 16 pontos em seis partidas, duas delas contra Corinthians e Palmeiras? Sobre a primeira questão, Scuro lembrou a resposta que deu ao nosso repórter Carlos Rodrigues logo após a goleada, na sala de imprensa do Moisés Lucarelli. “Eu falei naquele dia que não faz sentido avaliar o trabalho de um ano e meio por uma partida”, recorda Scuro. Ele explica que o Maurício Barbieri não foi demitido porque o Red Bull tem um conceito, uma forma de como fazer as coisas. “O time não vinha jogando mal. Estava pecando nos detalhes, sofrendo gols no final, mas vinha jogando bem. A partida com o Audax foi um ponto fora da curva e por isso concluímos que as mesmas pessoas que estavam no clube teriam capacidade de detectar o que teríamos que mudar. A semana seguinte ao jogo foi muito dura”. Sobre a incrível reação, Thiago Scuro afirma que o clube sabia, desde o início, que tinha montado um elenco qualificado e capaz de chegar às finais e brigar pela vaga da Série D. Mas vários jogadores chegaram de uma vez e precisaram de um tempo para descobrir como é o Red Bull. “Depois daquela derrota, cada um percebeu que teria de ser menos individualista. Todos passaram a pensar mais no bem do grupo, os resultados vieram e eles foram ganhando confiança. E não foi só com os atletas. Foi um trabalho que envolveu todos que estão em volta do elenco, do roupeiro ao presidente”, conta o diretor do Toro.