JOGO RÁPIDO

A Ponte precisa mudar. E rápido

Coluna publicada na edição de 12/3/20 do Correio Popular

Carlo Carcani Filho
11/03/2020 às 21:19.
Atualizado em 29/03/2022 às 17:32

A Ponte Preta recebe o Afogados da Ingazeira em um duelo histórico para os visitantes. O clube disputará hoje no Majestoso, o seu primeiro jogo fora do estado de Pernambuco. A viagem de avião para São Paulo também foi a primeira do clube, fundado em dezembro de 2013. Sexto colocado entre os dez times do Pernambucano, o Afogados vai disputar a Série D do Brasileiro pela primeira vez nesta temporada. E o auge desse momento especial do clube foi vivido na fase anterior, quando conseguiu, em seu pequeno estádio de 1.500 lugares, eliminar o Atlético Mineiro da Copa do Brasil. A vitória nos pênaltis após empate por 2 a 2 provocou um tsunami na comissão técnica e na diretoria de futebol do Galo. Todas essas novidades geram um entusiasmo no time, mas a Ponte precisa aproveitar o fato de disputar a primeira partida no Moises Lucarelli para encaminhar sua classificação à quarta fase. O atacante Philip, autor do segundo gol contra o Atlético, não embarcou no primeiro voo do Afogados. Aos 28 anos, foi liberado de graça para o Sport. A diretoria ficou satisfeita por ter 10% do valor de uma futura transação. É evidente que a Ponte deve respeitar o Afogados. É um confronto em que toda responsabilidade pesa em suas costas. Se confirmar o favoritismo, não terá feito mais do que sua obrigação. Se ficar pelo caminho, terá que conviver com um tsunami parecido com o que provocou inúmeras mudanças no Atlético. A preocupação da Ponte se concentra na campanha ruim no Paulistão e por isso João Brigatti precisa aproveitar a partida de hoje para testar novas alternativas. A Ponte somou apenas um ponto nas últimas seis rodadas do Paulistão porque tem problemas em todos os setores. A defesa, ponto forte em temporadas anteriores, foi vazada em oito das nove partidas. O ataque faz um gol por jogo no Estadual, média igual à de Corinthians e Red Bull, mas bem inferior à do Mirassol (1,7), por exemplo. E o meio-campo apresenta uma reunião desses problemas. O armador João Paulo tem um rendimento bem inferior ao de seu potencial. Os volantes dão muito espaço para infiltrações pelo meio. Brigatti não tem a obrigação de resolver tudo de uma vez, mas precisa começar — imediatamente — a buscar soluções. A Ponte precisa mudar, ainda que lentamente, até voltar a ter um nível de competitividade normal. A campanha é atípica e só vai piorar se o time continuar jogando da mesma forma. Brigatti não deve perder a oportunidade de fazer alguns testes hoje à noite, em um jogo no qual a Ponte tem tudo para voltar a vencer.

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