A coluna de hoje deveria ter sido publicada no sábado e isso não ocorreu em virtude da tragédia com os garotos do Flamengo. O texto já estava quase pronto, o que facilitou o meu trabalho em uma segunda-feira tão triste para o jornalismo. Meus sentimos à família do piloto Ronaldo Quatrucci, à de Ricardo Boechat e a seus companheiros do Grupo Bandeirantes. Em sua apresentação como novo reforço do Fluminense, PH Ganso ironizou e criticou o técnico do Santos, Jorge Sampaoli. O argentino indicou a contratação do meia ao Sevilla, mas o utilizou em poucas partidas. Em muitas ocasiões, sequer o relacionou para o banco. Na entrevista, Ganso fez uma brincadeira com o número cinco, em referência à derrota do Santos para o Ituano por 5 a 1. Depois, falou “sério” sobre o ex-técnico. “Quando uma pessoa te pede para ir a um clube e não coloca você para jogar, alguma coisa está errada. A pessoa nem falar com você, não conversar, está errada”, criticou Ganso. É possível, pelos mais diversos motivos, que um treinador erre ao deixar um bom jogador fora do time. Pode ocorrer por erro de avaliação, por interferência externa ou por desonestidade. Mas não há nada que indique que Ganso tenha atuado tão pouco no futebol europeu por culpa dos treinadores. Depois que Sampaoli deixou o clube espanhol, Eduardo Berizzo assumiu o cargo. Ganso continuou sendo pouco utilizado e esse cenário não mudou nem mesmo com a contratação de um terceiro treinador, Vincenzo Montella. Fora dos planos do Sevilla, o brasileiro foi emprestado ao Amiens, clube que luta para se manter na 1ª divisão do Campeonato Francês. Mas não foi graças a Ganso que o Amiens (16º colocado) se encontra, no momento, fora da zona de rebaixamento. Na França, ele disputou 13 partidas (apenas seis como titular) e não fez nenhum gol. Pelo Sevilla, os números também não foram animadores. Sete gols em 28 partidas. Quase todos esses gols em jogos contra times pequenos ou minúsculos, como Cartagena, Getafe e Formentera. Diante desse cenário, acho que o Fluminense fez um péssimo negócio ao repatriar Ganso. Ainda que a transferência tenha sido de graça (o que já diz muita coisa sobre o risco da contratação), é irresponsável a decisão de assinar um contrato de cinco anos com um atleta lento e que atuou 41 vezes em dois anos e meio. Alguns veículos informam que o salário é de R$ 700 mil. Como um clube em crise assume o compromisso de pagar R$ 42 milhões a um atleta com esse retrospecto? Para Ganso, foi um ótimo negócio. Para o Fluminense...