Os equipamentos são todos improvisados pelos frequentadores com blocos de concreto e peças de carro

Blocos de concreto e peças automotivas enferrujadas são utilizadas para levantamento de peso: equipamentos improvisados pelos frequentadores (Camila Moreira/ AAN)
Instalada no maior cartão-postal de Campinas, a academia de musculação ao ar livre na Lagoa do Taquaral, permanece em estado de abandono. Uma reportagemfeita em novembro já havia mostrada a deterioração do espaço e, de lá para cá, quase nada mudou, segundo os frequentadores, exceto a pintura feita nas barras de ferros no início deste ano. A academia fica em uma área de terra batida, no lado direito de quem entra pelo portão principal. Nos dias de chuva, fica impraticável. Os equipamentos são todos improvisados pelos frequentadores. Blocos de concreto e peças automotivas enferrujadas são utilizadas para levantamento de peso. Improvisação Cordas foram colocadas no lugar de cabos de aço em alguns aparelhos. As madeiras que servem de assento para alguns exercícios estão podres, os ferros estão enferrujados e não há iluminação adequada. Leandro da Silva Pereira, frequentador da academia e integrante do grupo de frequentadores do espaço chamado Bar Brothers, também ressalta os riscos aos quais estão expostos os usuários. “As barras de concreto estão soltando. Algumas estão mais pesadas de um lado, o que pode causar alguma lesão em quem está utilizando”, afirmou. Frequentador do espaço há seis anos, o gestor de TI João Guilherme Messias, de 21 anos, reclama das condições do local. Pouco feito “O que observo é que a única manutenção dada é com relação à pintura dos equipamentos. Os pesos de cimento e de metal são os próprio frequentadores que trazem. Os de ferro são, na verdade, eixos de caminhão. As cordas somos nós quem compramos. É um espaço bacana, bastante frequentado, mas é preciso equipar com aparelhos próprios e que haja manutenção”, afirmou. Segundo o vigilante Elias Francisco dos Santos, de 46 anos, que também utiliza o espaço, o tempo vai passando e as condições da academia pioram. “Está ficando impraticável”, reclamou. “Quando chove, não tem condição de vir”, acrescentou o repositor Geraldo Francisco Gomes, de 22 anos. Pereira também reclamou da escuridão no local. Perigo “Não tem iluminação, o que acaba tornando o local perigoso para as pessoas que utilizam a academia no período da noite.” Ele também cobrou a promessa feita pelo secretário de Serviços Públicos, Ernesto Dimas Paulella, em novembro passado, de que a revitalização do espaço ocorreria em até três meses. À época, o secretário afirmou que faltavam recursos, mas que naquele momento já dispunha de verba para revitalizar a área. Ele afirmou que as madeiras seriam trocadas, os equipamentos de ferro seriam lixados e pintados, e que iria adquirir equipamentos novos de tração para o espaço. “Vamos fazer o pedido e pode ser que leve de dois a três meses até que estejam regularizados”, afirmou na ocasião. Em resposta à reportagem feita no início de novembro, o secretário afirmou que em um prazo de dez dias seria iniciada a instalação do piso intertravado. Seis meses se passaram e, de todas as promessas feitas, a academia só ganhou a pintura nos aparelhos. Outro lado A Prefeitura de Campinas foi procurada novamente e informou que existe um projeto de revitalização do espaço e que está em fase de licitação a compra do piso intertravado. Após a instalação do piso, será feita a compra dos equipamentos. A previsão é que a reforma seja feita até o final deste semestre e a estimativa é de que custe R$ 70 mil aos cofres públicos. Paralelamente, a Prefeitura informou que existe uma empresa interessada em adotar a área e fazer a manutenção necessária. Informou ainda que pretende ouvir os frequentadores antes de dar início aos trabalhos de revitalização. Já em relação aos prazos dados anteriormente, a Secretaria de Serviços Públicos informou que houve atraso na licitação do piso.