O juiz aposentado Edinaldo Muniz, de 54 anos, uma das vítimas do desabamento parcial da ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, no Acre, estava sob a estrutura e tinha acabado de fazer uma live mostrando os problemas, quando a ponte caiu. Muniz apontava justamente as avarias na estrutura quando a ponte veio abaixo e o atingiu. Ele está em estado gravíssimo.
No vídeo, ele se referia ao custo da obra, que durou pouco mais de dois anos. "Temos aqui um equipamento público que custou R$ 36 milhões agora fechado, portanto gerando prejuízo", disse, pouco antes da ponte cair.
A ponte, com 232 metros de extensão, ligava o 2.o Distrito à sede do município de Sena Madureira. A obra havia sido inaugurada há pouco mais de dois anos.
O Governo do Acre informou que no momento presta assistência e apoio aos feridos e à comunidade, e que mobilizou aeronaves para o transporte dos feridos. Equipes estão no local avaliando as medidas necessárias.
O ex-juiz estava acompanhado de seu irmão, Edinei Muniz, de 51 anos, que também sofreu ferimentos graves. Outras duas pessoas ficaram feridas. Os quatro foram levados para o Hospital João Câncio Fernandes, após o acidente e receberam atendimento das equipes médicas. O juiz e seu irmão foram transferidos para a capital, Rio Branco.
O estado do juiz é o mais grave, segundo o governo do Acre. Edinaldo Muniz teve traumatismo craniano, trauma abdominal e fratura no crânio. Ele precisou ser entubado durante o trajeto entre Sena Madureira e Rio Branco.
'Pilastra descendo'
No vídeo, o juiz aponta que uma pilastra havia se deslocado. "Essas duas pilastras cederam. Dá para ver uma descida, como se a pilastra aqui estivesse descendo. A ponte está interditada, ninguém pode passar, nem pedestre pode passar", observa. Ele se refere também ao alto custo de uma obra que durou muito pouco. "O dinheiro que foi investido que era para garantir uma ponte por décadas, pois a expectativa quando se faz uma ponte, é que dure décadas, mas essa durou menos de dois anos", disse.
O juiz aposentado lembrou a queda de outra ponte, onde várias pessoas morreram. "Aqui felizmente isso não aconteceu, a ponte foi interditada antes, mas isso aqui precisa ser enfrentado; o governo do Acre precisa dar uma declaração e explicar para o povo do Acre o que está acontecendo aqui", cobrou.
A ponte sobre o Rio Iaco foi inaugurada durante a gestão do ex-governador Gladson Cameli (PP). A obra custou R$ 36 milhões e foi supervisionada pelo Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre).
Em texto divulgando a inauguração da ponte, o governo do Acre destacou que a construção se deu em menos de dois anos, pela Construtora Cidade. A obra foi entregue em dezembro de 2023. A reportagem não conseguiu contato com a empresa.
À época da inauguração, o governo acreano afirmou que a estrutura era uma "conexão segura" entre os distritos do Ramal Mário Lobão e os bairros São Francisco e Santa Teresinha. O texto comunicava que a obra ocorreu "após anos de espera e isolamento".
No Maranhão, 14 mortos
A queda da ponte Juscelino Kubitscheck de Oliveira, a outra ponte citada pelo juiz, ocorreu no dia 22 de dezembro de 2024 e causou a morte de 14 pessoas, além de deixar três desaparecidos. A ponte, com 533 metros e 140 metros de vão livre, cruzava o Rio Tocantins interligando as rodovia BR-226 e BR-010, entre os municípios de Estreito, no Maranhão, e Aguiarnópolis, em Tocantins.
Coincidentemente, como no caso do juiz do Acre, um vereador fazia uma live sobre a estrutura na hora em que a ponte caiu. O vereador Elias Júnior, de Aguianópolis, tinha ido até o local para mostrar as rachaduras na ponte e flagrou o momento em que a estrutura colapsou. Ele, no entanto, estava próximo à cabeceira e conseguiu sair do local antes que a ponte desabasse.