Colégio promove a inclusão e o respeito à diversidade a partir do estudo dos processos migratórios

As amigas Gabriela Romano e Heloisa Almeida Mattos: companheirismo aproxima a turma e faz com que todos aproveitem ao máximo as aulas ( Gustavo Tilio/Especial para a AAN)
Os professores do Colégio Múltiplo, na Chácara Primavera, em Campinas, sabem que a sala de aula é o espaço da diversidade e, aproveitando essa convicção, propuseram um trabalho com a temática da inclusão e respeito às diferenças. O objetivo principal do trabalho é mostrar que cada ser humano tem suas particularidades e que incluir significa, primeiramente, modificar hábitos e olhares sobre o cotidiano.“Não entendemos a inclusão apenas como algo que deve ser uma imposição, mas como um processo natural, em que as pessoas percebem como as diferenças fazem parte da nossa constituição como seres humanos”, explica uma das professoras do 3 ano, Sirlene Ferreira da Silva. Ela e a responsável pela outra turma da mesma série, Maria Angélica Collobialli Botelho, iniciaram a discussão sobre a necessidade de respeito às diferenças a partir de um conteúdo que o livro didático traz como obrigatório: os processos de migração e imigração.A escola, por ser bilíngue — com ensino de inglês obrigatório e com aulas diárias do idioma desde as séries iniciais — sempre recebe muitos estrangeiros como alunos. Aproveitando essa característica, as professoras decidiram começar o trabalho sobre imigração com a realização de uma entrevista com o pai de um dos alunos que se mudou há cerca de sete anos da Argentina para o Brasil, em razão do casamento com uma brasileira. “Eles começaram a perceber, com essa atividade, que muitos são os motivos que causam os fluxos de imigração, além de identificarem as diferenças entre as culturas”, diz Maria Angélica. Um imigrante belga, amigo do pai de uma aluna, também foi entrevistado pela turma para que os estudantes pudessem comparar os hábitos e as diferenças culturais. Fotos e pesquisas em livros e na internet completaram a atividade.De acordo com as professoras, a proposta do colégio foi trabalhar o tema da inclusão de forma mais ampla e não apenas ligado às deficiências, como, de forma geral, o tema tem sido tratado. “A escola tem um projeto maior. Nós queremos mostrar aos alunos que a inclusão envolve também a adoção de novos hábitos, a percepção de que é preciso alterar nossa forma de interagir com o mundo. A inclusão de novas práticas nas nossas atividades diárias, como a preocupação com o meio ambiente, também fazem parte dessa discussão”, explica Sirlene. AcolhidaA partir dessa discussão, ficou mais fácil recepcionar os alunos que chegam à escola em qualquer momento do ano letivo por causa de mudanças das famílias ou então devido à troca de colégio. Ulisses Lourenço da Silva, de 8 anos, que o diga. Ele se mudou com a família para Campinas vindo de Curitiba (PR) e já se sente parte da turma. “Já sou amigo de todo mundo, mesmo tendo chegado depois que a turma já estava formada. Fui muito bem recebido”, diz ele.Quem está vivenciando uma acolhida parecida é Jovita Ghina Suryanto, de 9 anos, que chegou à escola vinda da Indonésia, onde nasceu e viveu até a família se mudar para o Brasil há poucos dias. Como a escola é bilíngue, o trabalho com a língua inglesa facilitou a inclusão da nova colega na turma. “Os alunos a receberam muito bem, conseguem se comunicar com naturalidade”, conta Maria Angélica. Até uma intérprete já se destacou na turma: Maya Carolina Azevedo, de 8 anos, está sempre ao lado de Jovita, ajudando-a, aos poucos a entender o português. Maya já é fluente em dois idiomas, pois, além das aulas do colégio, ela nasceu nos Estados Unidos e se mudou com a família para o Brasil aos 3 anos de idade. Com um sotaque que estranha um pouco quem está acostumado com o inglês dos Estados Unidos, Jovita conta que está se sentindo muito bem acolhida. “O Brasil é lindo e o pessoal da escola muito alegre. Eu estou muito feliz aqui”, diz.