Condomínio de Campinas tem aval do Estado para implantar chip e examinar hospedeiros do carrapato-estrela

Iniciativa surgiu da preocupação dos moradores com a febre maculosa, já que o roedor é um dos principais hospedeiros do carrapato-estrela, transmissor da doença (Camila Moreira/ AAN)
Moradores do Condomínio Alphaville de Campinas receberam autorização da Secretaria Estadual de Meio Ambiente para capturar, implantar chip e examinar o sangue das capivaras que habitam no local. Para a realização dos procedimentos, os roedores foram cercados em uma área junto aos lagos. Até o momento, 16 capivaras foram capturadas e cercadas e outras 13 devem ser examinadas. Após os resultados da sorologia, o Estado irá avaliar que medidas podem ser adotadas pelos condôminos. Entre as possibilidades, está a castração dos animais. A iniciativa surgiu da preocupação dos moradores com a febre maculosa, já que o roedor é um dos principais hospedeiros do carrapato-estrela, transmissor da doença.O condomínio começou a ser ocupado em 1999 pelos moradores e os três lagos que fazem parte do clube passaram a ser habitados pelos roedores, segundo o advogado Marcos Roberto Boni, que também é morador e membro da Comissão de Meio Ambiente do Alphaville. "De uns cinco anos para cá, elas começaram a entrar pela tubulação de águas pluviais", afirmou. Ao todo, o residencial tem 1.453 lotes, entre os quais 1.200 estão ocupados com casas. "Temos uma média de cinco mil pessoas morando aqui, fora o pessoal que trabalha e visita. A população é grande e a presença das capivaras acabou trazendo uma preocupação, especialmente porque tivemos casos de morte por febre maculosa em Campinas, no Lago do Café. A gente tem consciência do perigo que a capivara representa no meio urbano", disse. A autorização foi solicitada ao órgão há dois anos por um grupo de moradores - entre eles um professor de biologia que coordena o projeto de manejo dos animais - e foi concedida em maio pela Secretaria. As capivaras foram capturadas, colocadas ao lado de um dos três lagos existentes no condomínio, onde vem sendo alimentadas, pesadas e passam por exames de sorologia de anticorpos anti-Rickettsia, também tiveram os carrapatos retirados para análise. "Foi autorizada a captura, elas foram colocadas num cercamento com alimentação constante e receberam a implantação de um microchip de identificação, sem nenhum tipo de trauma. Passaram por coleta de sangue para exames. Tem uma veterinária também já contratada para fazer essa parte", explicou Boni. O material das 16 capivaras foi encaminhado para Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) de Mogi Guaçu. Outras 13 capivaras devem ser capturadas nos próximos dias. O condomínio aguarda os resultados da sorologia do primeiro grupo e a partir de então será elaborado um novo projeto para a Secretaria de Meio Ambiente sobre que medidas poderão ser adotadas, se será feita a castração dos bichos ou se eles ficam como estão e onde estão. Os responsáveis afirmam que não contam com nenhuma possibilidade de abate, a menos que a medida parta de uma ordem da Secretaria Estadual de Meio Ambiente. "Como advogado, entendo que a Constituição Federal garante proteção aos animais, mas ela também garante a segurança das pessoas. A proliferação das capivaras no meio urbano, onde há ausência total de seus predadores, é uma ameça à saúde pública. Entre a vida humana e a da capivara, vou tender pela proteção da vida humana. Estamos tentando garantir a segurança dos moradores, sem causar maus tratos às capivaras", afirmou.Taquaral e Parque Ecológico A Prefeitura de Campinas também busca fazer o controle populacional das capivaras da Lagoa do Taquaral e do Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim por meio da castração das fêmeas e vasectomização dos machos. A iniciativa aguarda licenças do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio) e aprovação no comitê de ética. As capivaras deverão ser confinadas nos próprios parques para realização dos procedimentos. Elas também receberão chips e passarão por uma bateria de exames. Na Lagoa do Taquaral, um espaço já está preparado para receber os animais. A expectativa é iniciar o trabalho de confinamento no próximo semestre. Espera-se com a medida diminuir a população de capivaras e, consequentemente, reduzir a infestação de carrapatos nesses ambientes.