No ano passado, Michael Oher entrou para a seleta galeria de campeões da NFL. O jogador do Baltimore Ravens, assim como muitos de seus companheiros da liga profissional de futebol americano, enfrentou muitas dificuldades na infância. Seu caso foi particularmente especial porque, na adolescência, ele teve a chance de ser matriculado em uma escola de elite. O problema é que, até então, ele não havia tido a oportunidade de estudar e, por isso, encontrava enorme dificuldades nas provas. Os professores não esperavam nada dele, ele não esperava nada da escola e a família de um mecânico com a qual morava não queria mais a sua presença.Foi então que a mãe de dois alunos da escola entrou na história. Ela viu Michael na rua em uma noite fria e o levou para sua casa. O “garoto”, que era enorme, ficou por mais tempo e a família assumiu a sua guarda.Em sua nova família, Michael passou a ter oportunidades. Era muito bom no basquete e no futebol americano, mas para ter autorização de praticar esportes, precisava de notas melhores.Michael conseguiu superar esse desafio quando descobriram que ele se saía melhor em provas orais do que escritas. Assim que teve a chance de ir para o campo, se destacou no futebol americano. Várias universidades do país ficaram interessadas, mas para ter direito à vaga, ele precisava ter uma média bem maior.A família então contratou uma professora particular. Com muita dedicação, ele conseguiu a nota necessária, entrou na universidade e, em 2009, foi escolhido no draft da NFL pelo Baltimore.Nesse ponto, a história da vida de Michael Oher virou livro e filme. Por sua atuação em Um Sonho Possível (The blind side), Sandra Bullock, que interpretou a mãe de Michael, ganhou o Oscar de melhor atriz em 2011.O filme é muito bom e a história já seria marcante se terminasse por aqui. Mas Michael Oher continuou superando obstáculos. Não apenas superou a infância violenta e traumática, a falta de uma boa educação na infância, a dificuldade para recuperar o tempo perdido e as enormes barreiras que separam o futebol americano universitário e profissional dos milhões de jovens que sonham com isso.Michael Oher não se contentou com tudo o que conseguiu. Também foi campeão da NFL. Em todas as fases de sua vida, ele foi além. Ele quis mais.Recomendo o filme (não é preciso gostar de esporte ou futebol americano para apreciá-lo) e convido o leitor a acompanhar a próxima coluna, quando voltarei a escrever sobre a ambição no esporte.