JOSÉ TRASFERETTI

'Amoris Laetitia'

Papa Francisco publicou uma exortação apostólica pós-sinodal sobre o amor na família

José Trasferetti
10/06/2016 às 22:27.
Atualizado em 23/04/2022 às 00:06

Após realizar muitos estudos e pesquisas, o Papa Francisco publicou uma exortação apostólica pós-sinodal sobre o amor na família. Trata-se de um texto muito importante, pois recolhe os pensamentos e reflexões de pessoas oriundas de contextos sociais e eclesiais diversificados. O texto está inserido no contexto do ano jubilar da misericórdia. Deve ser apreciado por todos, estudado com carinho, meditado com paixão. O documento está organizado em nove capítulos abordando os seguintes temas: À luz da Palavra; A realidade e os desafios das famílias; O olhar fixo em Jesus: vocação da Família; O amor no matrimônio; O amor que se torna fecundo; Algumas perspectivas pastorais; Reforçar a educação dos filhos; Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade; Espiritualidade Conjugal e Familiar. Com esta exortação apostólica pós-sinodal, o Papa Francisco aponta muitos caminhos de superação dos desafios do mundo atual. A família deve ser compreendida no horizonte de um mundo que sofre grandes transformações. É preciso acompanhar atentamente a realidade dos pais e filhos que estão inseridos em contextos pluralistas e diversificados. Os valores e princípios morais estão em profundo movimento. A sociedade de consumo de cunho neoliberal tem transformado mentes e corações. A chamada pós-modernidade tem penetrado em nossos lares via redes sociais de uma forma avassaladora. É preciso muito espírito crítico e discernimento para enfrentar com inteligência as artimanhas da sociedade atual. No capítulo II da exortação o Papa Francisco nos adverte sobre a realidade e os desafios das famílias. Ele se mostra preocupado com a situação econômica, social, política e cultural da sociedade atual. Trata-se de uma realidade que tem produzido graves tensões. Afirma Francisco: “as tensões induzidas por uma exasperada cultura individualista da posse e do gozo geram, no âmbito das famílias, dinâmicas de intolerância e agressividade” (nº 33). Entretanto, gostaria de destacar o capítulo VIII, pois aborda um item muito importante relacionado com as famílias que fracassaram no amor devido a fragilidade humana. O papa Francisco cita São João Paulo II para falar sobre a lei da gradualidade no âmbito da pastoral. Assim, afirma: “nesta linha, São João Paulo II propunha a chamada “lei da gradualidade”, ciente de que o ser humano “conhece, ama e cumpre o bem moral, segundo diversas etapas de crescimento”. Não é uma “gradualidade da lei”, mas uma gradualidade no exercício prudencial dos atos livres em sujeitos que não estão em condições de compreender, apreciar ou praticar plenamente as exigências objetivas da lei” (nº 295). Nesse âmbito é apontada ainda a necessidade do discernimento das situações chamadas “irregulares”. Alerta o papa que é preciso acolher e integrar. Afirma, ainda, Francisco: “o caminho da igreja é o de não condenar eternamente ninguém; derramar a misericórdia de Deus sobre todas as pessoas que pedem com o coração sincero (...) porque a caridade verdadeira é sempre imerecida, incondicional e gratuita” (nº 296). Trata-se de compreender cada situação dentro dos condicionamentos sociais e morais. O pleno discernimento deverá ser realizado com prudência, inteligência e razão prática. Segundo Francisco é preciso acompanhar com misericórdia e prudência, as possíveis etapas de crescimento das pessoas, pois a caridade fraterna é a primeira lei dos cristãos (Jo 15,12; Cl 5,14).

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