saúde

Antes que seja tarde

Cardiologista fala dos sintomas mais comuns do infarto e de como levar a vida após passar por um

Da Redação da Metrópole
22/04/2019 às 15:28.
Atualizado em 04/04/2022 às 09:11

“A atenção deve ser redobrada para alguns sinais do corpo, pois em alguns casos eles começam devagar, vem e vão, e podem causar complicações se não identificados a tempo” SILVIO GIOPPATO, cardiologista Quem não tem um parente ou amigo que já sofreu um infarto? A pessoa estava bem, exames em ordem, quando ele chega fulminante. Como evitá-lo? O problema decorre da oclusão de uma ou mais artérias coronárias pela formação de um coágulo de sangue em cima de uma placa de gordura. Ocorre quando a membrana que recobre essa placa sofre uma fissura, permitindo que o colesterol e outras substâncias sejam expostos ao sangue, que entende aquilo como uma “hemorragia” e tenta bloqueá-la. “Forma-se, assim, uma massa de coágulo sobre a placa, obstruindo o vaso por completo e impedindo a passagem do sangue. Com o bloqueio, as células musculares nutridas por essa artéria passam a sofrer com a falta de oxigênio e nutrientes e também pelo acúmulo de substâncias indesejadas, produzidas pelas próprias células. Esse fenômeno levará à morte do músculo cardíaco”, destaca o cardiologista Silvio Gioppato. O sintoma mais comum é a dor no centro do peito em aperto, opressão ou queimação comumente associada a intenso suor frio, náusea e vômitos. Porém, nem sempre este quadro está presente, por isso é importante saber que existem outros sintomas relacionados ao infarto a fim de facilitar o reconhecimento do ataque cardíaco, além do diagnóstico e da definição do tratamento. “São eles: falta de ar, azia, suor excessivo, dores na mandíbula, no pescoço, nos ombros e nos braços (principalmente no esquerdo) e tontura. A atenção deve ser redobrada para esses sinais do corpo, pois em alguns casos eles começam devagar, vem e vão, e podem causar complicações se não identificados a tempo”, destaca o médico. Quanto mais rápido o diagnóstico, maiores as chances do paciente superar o infarto sem grandes sequelas. As três primeiras horas são conhecidas como “horas de ouro”, pois quando tratado nesse período as chances de sequelas graves são muito pequenas. Entre a terceira e a sexta hora, os resultados também são muito bons. Da sexta até a 12a hora, as chances de um resultado ruim aumenta, porém, ainda assim é importante interromper o infarto neste período. E a partir da 12a hora, as chances de sucesso diminuem drasticamente. “Quando os sinais forem detectados, a busca por socorro deve ser imediata, mas sem atropelos. Quem presenciar alguém com sintomas sugestivos de infarto, em primeiro lugar deve tranquilizar a pessoa, transmitindo segurança e conduzindo com passos cadenciados até um local fresco e confortável. É necessário transportá-lo até o pronto socorro mais próximo ou, imediatamente, acionar o serviço de resgate Samu seguindo as orientações dos profissionais paramédicos”, diz o especialista.  É importante frisar que não se deve oferecer medicamento algum, porque não há a garantia de que se trata, de fato, de um infarto. Muitas pessoas têm uma ideia errônea de que o medicamento Isordil interrompe o infarto. Não interrompe e muitas vezes pode até causar complicações. Quando atendido prontamente, as chances de desobstrução da artéria entupida são grandes nos serviços de emergência dos hospitais. As novas tecnologias têm permitido significativa redução da taxa de mortalidade por infarto, isso porque as técnicas são cada vez mais rápidas e precisas. O procedimento mais usado, nesses casos, é o cateterismo seguido de angioplastia coronária com stent, que fragmenta e “aprisiona” o coágulo contra a parede do vaso junto com a placa de gordura, promovendo o reestabelecimento da luz do vaso e do fluxo sanguíneo. Outra possibilidade é a utilização de medicamentos capazes de “dissolver” o coágulo, permitindo que o sangue volte a circular. Na década de 70, quando os cuidados intensivos ao infarto agudo do miocárdio tiveram início com as unidades coronarianas, a chance de um paciente com infarto morrer era de 30%. Hoje, esse número não passa de 8%, o que demonstra o quanto a medicina, em particular a cardiologia, evoluiu. Os mais suscetíveis Entre os grupos com maiores chances de apresentar um infarto estão: homens com mais de 45 anos e mulheres com mais de 50. Embora em qualquer idade, mesmo que com menor incidência, o indivíduo possa sofrer um ataque. Outros fatores também aumentam o risco da doença, como diabetes, hipertensão, fumo, angina, colesterol alto, estresse, sedentarismo, hereditariedade e obesidade.  E depois, vida normal? Tudo vai depender da área, do tamanho e do tempo entre o início dos sintomas e a desobstrução da artéria. “Quando o diagnóstico é feito muito tardiamente, a perda de músculo cardíaco pode ser muito grande, levando ao enfraquecimento do coração como “bomba” e se instalando o quadro de insuficiência cardíaca. A pessoa terá menor capacidade física para realizar trabalhos que antes executava sem dificuldade, podendo, em alguns casos, levar a sérias limitações”, salienta o médico. Todo paciente que passa por um infarto terá que ter um acompanhamento médico rigoroso para também graduar as capacidades e limitações físicas. Quem trata o problema mais precocemente terá menor sequela e a vida voltará, após um período de reabilitação, ao seu estágio anterior. Atividades físicas aeróbicas são fortemente recomendadas para esses pacientes, porém, sempre sob orientação médica. Os medicamentos são aliados da aterosclerose, doença progressiva e, por enquanto, sem cura. O Ácido Acetil Salicílico (aas aspirina) tem a função de “refinar” o sangue, tornando-o menos suscetível à formação de coágulos plaquetários. Já as estatinas são medicamentos redutores de colesterol. Mesmo que o colesterol esteja dentro da normalidade, as estatinas reduzem a chance de morte naqueles que tiveram um infarto. Para quem tem hipertensão, os anti-hipertensivos e para os diabéticos, os anti-diabéticos. Prevenção Bater na tecla de que o exercício físico e a alimentação balanceada vão ajudar a pessoa a ter uma vida mais saudável e, consequentemente, com menos chance de ter um ataque cardíaco, é “chover no molhado”? “Pode até ser, mas a verdade tem que ser dita: se exercitar é fator primordial para reduzir os riscos de infarto, assim como se alimentar corretamente”, destaca. Para o especialista, abandonar o hábito de fumar também é um ponto chave nessa cadeia de bons hábitos. O tabaco, além do infarto, predispõe a uma grande variedade de outras doenças tão graves quanto. Uma pessoa que sobrevive a um infarto tem sua expectativa de vida reduzida em 9,2 anos. Portanto, cuidar do coração significa viver mais e melhor. QUEM É? Silvio Gioppato é diretor técnico do laboratório de Hemodinâmica e Cardiologia Invasiva do Hospital das Clínicas da Unicamp, coordenador médico-científico nos serviços de Cardiologia Invasiva do Hospital Vera Cruz, em Campinas, e no Instituto Dr. Jayme Rodrigues do Hospital São Vicente de Paulo, em Jundiaí. Também é médico hemodinamicista colaborador do Hospital Bandeirantes, em São Paulo.

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Correio Popular© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por