JOGO RÁPIDO

Aplausos para um projeto vencedor

Coluna publicada na edição de 3/11/19 do Correio Popular

Carlo Carcani Filho
03/11/2019 às 01:00.
Atualizado em 30/03/2022 às 13:43

O Ginásio do Taquaral foi palco de uma grande partida de vôlei na noite da última quinta-feira. Depois de três horas e meia, o Taubaté deixou a quadra como campeão paulista. O Vôlei Renata, que venceu a primeira partida da decisão, foi ovacionado pela torcida, apesar de não ter aproveitado uma grande chance de erguer a taça pela primeira vez. Os aplausos do público que mais uma vez lotou o ginásio foram mais do que merecidos e não há motivo algum para frustração em um projeto vitorioso que vai completar dez anos em 2020. Com seu terceiro patrocinador master nesse período (Renata sucede Medley e Brasil Kirin), o time conquistou, desde o início, a admiração e a presença do torcedor campineiro. A média de público é sempre muito boa e os ingressos para a final se esgotaram em menos de cinco horas. O clube estima que, desde sua criação, já arrecadou 200 toneladas de alimentos com a troca pelos bilhetes. Um projeto com tamanha capacidade de ajudar pessoas carentes já pode se considerar campeão. Mas vamos falar do esporte em si e do altíssimo nível técnico que o Vôlei Renata conseguiu atingir. A equipe foi muito aplaudida após perder uma final em casa porque salta aos olhos do público a enorme capacidade de superação da equipe e o excepcional trabalho do técnico Horácio Dileo. O Taubaté tem uma comissão técnica e um elenco de seleção brasileira. Além disso, consegue contratar jogadores do nível do marroquino Mohamed Al Hachdadi, terceiro maior pontuador da fortíssima liga italiana. Estima-se que o orçamento anual do time campineiro gire entre R$ 3 milhões e R$ R$ 5 milhões. O Taubaté investe de R$ 18 milhões a R$ 20 milhões. Com essa diferença, o normal é que o favorito defina uma final como a do Paulista em dois jogos tranquilos, com seis ou sete sets, no máximo. Golden set, nem pensar. Mas a final foi eletrizante, com um vitória para cada lado e um golden set decidido no detalhe. O time com orçamento quatro ou cinco vezes maior precisou disputar todos os 11 sets possíveis para, merecidamente, ser campeão. A campanha do Vôlei Renata foi fantástica e reforça a identidade do time com o torcedor campineiro. O esperado título não veio e talvez nem venha nos próximos 10 anos, se sempre houver uma diferença tão grande de recursos. Mas isso não impede que possamos afirmar, hoje, que o projeto do vôlei em Campinas é vencedor e digno dos aplausos que recebe a cada partida no Taquaral.  

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