TERREMOTO

Brasileiras desembarcam no Rio e relatam 'terror' no Nepal

A fisioterapeuta Monique Corrêa Santos e a médica Danielle Sulamita Pio chegaram em um voo vindo de Dubai, depois de passar por Nova Deli (Índia); elas relataram momentos de terror vividos no país asiático

Agência Brasil
30/04/2015 às 09:09.
Atualizado em 23/04/2022 às 15:17

Desembarcaram nesta quarta-feira (29) no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão – Antônio Carlos Jobim, duas sobreviventes do terremoto ocorrido no sábado (25), no Nepal. A fisioterapeuta Monique Corrêa Santos e a médica Danielle Sulamita Pio chegaram em um voo vindo de Dubai, depois de passar por Nova Deli (Índia). Elas relataram momentos de terror vividos no país asiático.Monique contou que na hora do primeiro tremor, as duas cariocas estavam saindo do vilarejo de Saku, com um grupo de caminhada, seguindo para o Monte Everest. Depois de passarem por momentos de desespero, e sem entender o que estava acontecendo, o grupo voltou ao vilarejo, e se juntou aos sobreviventes em um acampamento improvisado nas plantações.“ Fomos acolhidas por moradores daquela cidadezinha, pessoas que perderam tudo, mas que ajudavam uns aos outros. A comida que tinham, dividiam com todos. Eles nos acolheram de forma sensacional, como se fossemos da família. Armaram uma tenda, porque ia chover à noite, nos deram cobertores. Graças a Deus, não faltou água nem comida em nenhum momento. Ficamos abrigadas ali e a terra tremeu por 48 horas seguidas, não como da primeira vez, mas constantemente. Não tinha como sair de lá”. No dia seguinte, relataram, as duas conseguiram pegar um táxi, com a ajuda do guia, e voltaram para Katmandu. Retornar para a cidade, segundo Danielle, foi outro momento de terror, pois os tremores continuavam.“Tivemos a péssima ideia de voltar ao hotel para pegar as malas, na cidade pela qual tínhamos ficado completamente apaixonadas, uma cidade encantadora, cheia de vida. Depois do terremoto, parecia uma cidade-fantasma, com tudo abandonado, o hotel caindo aos pedaços, uma coisa horrível. A gente saiu de lá correndo, com medo de tudo desabar. Fomos direto para o aeroporto e ficamos lá fora, sentadas no chão, em pânico, e preferimos dormir ao relento”.A mãe de Monique, a funcionária pública Josete Corrêa Santos, disse que o Itamaraty demorou 12 horas para retornar o contato com família, informando que as duas estavam bem e abrigadas no vilarejo. “Foram momentos de angústia, esperando notícias, mas tivemos fé em Deus que tudo ia dar certo. Foi essa fé que nos moveu até sabermos que elas estavam vivas”.Segundo Danielle, as duas moças não sabiam que o Itamaraty havia passado informações para a família, mas o guia conseguiu avisar o hotel onde estavam hospedadas, em Katmandu. O Itamaraty informou que foram feitas buscas por brasileiros em todos os hotéis, escolas, organizações não-governamentais e prédios públicos na cidade.O serviço consular encontrou 216 brasileiros no Nepal, sendo que 194 foram contatados por funcionários do Ministério das Relações Exteriores em Brasília, pela Embaixada do Brasil em Katmandu ou pelos próprios familiares. Desse total, 21 já conseguiram sair do Nepal, e três se feriram sem gravidade. Não há registro de brasileiros mortos na tragédia. A última informação foi de que havia 220 brasileiros na região, mas o Itamaraty informou hoje (29) que houve duplicidade na contagem.As informações estão sendo atualizadas na página da embaixada ( http://katmandu.itamaraty.gov.br/pt-br/ ) e o pedido de assistência para quem está no Nepal pode ser feita pelo telefone de plantão em Katmandu (+977 9801032381) e também em Nova Deli (+91 9810 697829), cuja embaixada brasileira está reforçando o trabalho no Nepal. No Brasil estão disponíveis os telefones (61) 2030-8804 e (61) 2030-8805 para familiares, de 8h às 20h.Por acordo de cooperação, a embaixada brasileira no Nepal também presta assistência a argentinos, e tem sido procurada também por cidadãos sul-americanos e europeus. O órgão informa que, por enquanto, não há previsão de envio de ajuda humanitária por parte do Brasil. Veja também Terremoto no Nepal deixou 5.489 mortos, segundo boletim Na madrugada desta quinta-feira, um primeiro avião especial, com 206 pessoas retiradas do Nepal, principalmente franceses, pousou no aeroporto parisiense de Roissy Raineri voltou do Nepal dias antes da tragédia Com mais de 15 visitas ao país, alpinista se solidariza e lança campanha para ajudar as vítimas do terremoto Polícia tenta conter revolta de vítimas do terremoto no Nepal Moradores que querem deixar a capital Katmandu se revoltaram contra a falta de ônibus prometidos pelo governo Nepaleses expressam irritação com falta de ajuda Moradores e policiais entraram em conflito quando os habitantes perceberam a ausência de ônibus que transportariam os cidadãos para fora da cidade

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