EDITORIAL

A Campinas que resiste às intempéries

Enfrentar para sobreviver; resistir para crescer. O lema não está escrito em bandeiras, insígnias ou brasões, mas poderia

Correio Popular
14/07/2020 às 09:33.
Atualizado em 28/03/2022 às 21:34
   (Cedoc/RAC)

(Cedoc/RAC)

O suplemento especial que o Correio Popular oferece aos seus assinantes e leitores hoje, nos 246 anos do aniversário de Campinas, é uma espécie de tributo àqueles que — ao longo da história — construíram uma identidade marcante, exposta na riqueza de seus feitos e nas virtudes de seu povo. O campineiro criou uma sólida base cultural, decorrente do apreço pelas artes, música e literatura. Neste campo, a cidade foi abençoada pelo talento icônico de vários filhos ilustres, mas também segue brindada por um time de artistas contemporâneos que levam o nome da cidade para os quatro cantos do mundo. A origem erudita de uma elite política e social foi responsável também por perpetuar esse gosto refinado, traduzido pela importância de colegiados intelectuais, que não abrem mão de valorizar a memória e exaltar a riqueza desses feitos. Na educação e na ciência, Campinas construiu um alicerce desde tempos imperiais, refletido hoje na vanguarda de suas instituições acadêmicas e tecnológicas. A cidade não ganhou títulos superlativos por acaso. Não deixa de ser destaque, ainda, a pujante economia e sua estratégica liderança, com modais que impulsionam uma produção igualmente de excelência, além de commodities cobiçadas e milhões de passageiros, regional, nacional ou internacionalmente. Não custa lembrar que, recentemente, Campinas foi alçada à condição de metrópole pelo IBGE, um lugar que já era seu por vocação, respeito e legado. Uma cidade virtuosa como Campinas não está imune, obviamente, às intempéries. E as tormentas foram muitas, seja nos séculos 18, 19 e 20, quando constrói os alicerces de sua história, seja nos tempos contemporâneos, com a desigualdade social e os desafios da vida metropolitana. Essa personalidade resiliente está bastante evidente no trabalho narrativo do jornalista Francisco Lima Neto, que escreveu o suplemento do Correio sob a orientação de uma equipe de editores e a partir da consultoria do historiador Jorge Alves de Lima, presidente da Academia Campinense de Letras (ACL), um dos intelectuais mais prestigiados da cidade. Enfrentar para sobreviver; resistir para crescer. O lema não está escrito em bandeiras, insígnias ou brasões, mas poderia. Quase dizimada por epidemia de febre amarela, Campinas encara agora a pandemia da Covid-19, igualmente um de seus maiores combates. Mas o faz com bravura, na figura de seus filhos da terra e dos milhares que aqui chegaram para escrever esta história.

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