Iniciativa promovida em parceria pela Prefeitura de Campinas e Governo do Estado levou uma série de atividades sociais, culturais e de saúde à escola estadual do bairro
O exame da saúde bucal de alunos, pais e membros da comunidade foi um dos serviços oferecidos ontem na escola do Jardim Nilópoli (Matheus Reche)
A Escola Estadual Prof. Moacyr Santos de Campos, no Jardim Nilópolis em Campinas, recebeu ontem diversas ações voltadas à comunidade. Entre elas, atendimentos de saúde, como assistência oftalmológica, odontológica, vacinação, aferição de peso e medidas, além de ações culturais e socioeducativas, como batuque, rodas de conversa e atividades de poesia marginal, voltadas tanto para a comunidade escolar quanto para a população da região. A iniciativa é uma iniciativa integrada entre a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SES) e as secretarias municipais de Saúde e Assistência Social.
Para o diretor da escola, Rubens Oliveira da Silva, a ação representa o fortalecimento do trabalho integrado entre diferentes áreas para atender demandas sociais e educativas que têm crescido nos últimos anos. Segundo ele, situações relacionadas à saúde mental, vulnerabilidade social e outros desafios enfrentados por estudantes e famílias exigem uma atuação mais próxima entre educação, saúde e assistência social. “A gente entendeu que agir em rede era algo que precisava ser intensificado”, explicou, ressaltando que reuniões intersetoriais passaram a acontecer com maior frequência para tornar as ações mais efetivas.
Silva também explicou que a centralização dos serviços dentro do ambiente escolar busca tornar o acesso mais simples para a população. De acordo com ele, embora os atendimentos já existam regularmente na rede pública, reunir tudo em um único local e em um horário acessível aumenta a participação da comunidade. “A ideia aqui é facilitar o acesso a um serviço que já é oferecido”, destacou o diretor, lembrando que a escola é um espaço conhecido e de fácil identificação. As atividades ocorreram entre às 9h e 12h.
lar, a ação busca alcançar moradores dos bairros do entorno e atender necessidades identificadas diretamente no cotidiano dos jovens. Silva explicou que os temas abordados, como prevenção ao uso de cigarros eletrônicos, rodas de conversa e atendimentos em saúde, surgem a partir de demandas observadas nas reuniões entre os setores envolvidos. “A escola também faz parte da sociedade. Os problemas que atingem crianças e adolescentes acabam chegando até ela”, afirmou o diretor, reforçando a importância de criar espaços de acolhimento e orientação para fortalecer o acompanhamento das famílias e dos estudantes.
A farmacêutica do Centro de Saúde São Quirino, Bruna da Conceição, estava orientando os visitantes sobre os riscos causados pelo cigarro eletrônico. Ela destacou que a preocupação com os chama dos vapes tem crescido devido ao aumento do consumo entre adolescentes cada vez mais jovens. Segundo a farmacêutica, as ações de conscientização dentro das escolas surgem justamente pela necessidade de alcançar esse público antes que o vício se instale. “Hoje a gente tem a questão dos cigarros eletrônicos, que foram feitos para conquistar esse público mais jovem. Já temos relatos de crianças de 11 anos que fizeram uso desses produtos”, relatou.
Bruna também alertou para a falsa sensação de segurança que o cigarro eletrônico transmite entre os jovens. Ela explicou que sabores adocicados e aromas variados acabam mascarando os riscos associados ao produto, levando muitos adolescentes a acreditarem que ele é menos prejudicial que o cigarro tradicional. A farmacêutica reforçou ainda que a alta concentração de nicotina presente em alguns dispositivos pode acelerar o desenvolvimento da dependência. “Ele parece muito mais inofensivo, mas hoje a gente sabe que não é”, alertou.
A coordenadora do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Anhumas, Lyara Barros, ressaltou a importância das ações integradas para aproximar os serviços públicos da população, permitindo que a comunidade tenha acesso a diversos atendimentos em um mesmo espaço. “Nossa ação intersetorial perpassa várias políticas públicas com o objetivo de aproximar toda a comunidade do atendimento público”, disse. Entre os temas trabalhados estão campanhas de proteção à infância e conscientização sobre violência contra crianças e adolescentes. Com o slogan ‘Criança Orientada não Fica Calada’, o objetivo é fazer com que as crianças saibam identificar situações de risco e procurem a ajuda de uma pessoa de confiança para fazer uma denúncia.
“Acredito que ações de conscientização dentro das escolas são muito importantes porque levam informação e conhecimento não apenas aos alunos, mas também às famílias e à comunidade em geral”, opinou a professora Ivonete da Silva, que aproveitou a ação para iniciar o acompanhamento da saúde bucal. Para ela, a escola se torna um espaço de aprendizado além da sala de aula, ajudando as crianças e os jovens a entenderem temas importantes para a vida, como saúde, segurança e convivência, fortalecendo a participação de todos.
Para o pai de uma aluna de 11 anos, Andrey Krutinsky, esse tipo de ação tem papel fundamental no desenvolvimento das crianças e adolescentes, “porque ajuda a abrir a mente para diversos assuntos importantes”. Ele observou que, muitas vezes, os jovens passam grande parte do tempo conectados à internet e precisam receber orientações para entender riscos, fazer escolhas conscientes e desenvolver responsabilidade. “Além disso, a conscientização no ambiente escolar aproxima a família da escola e cria uma rede de proteção para os alunos. Quando pais, professores e comunidade participam juntos dessas iniciativas, as crianças se sentem mais acolhidas e preparadas para lidar com situações do dia a dia”.
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