Sair de casa e caminhar pelas ruas do Centro de Campinas, sem precisar se preocupar com que algo de pior aconteça, é praticamente impossível
Sair de casa e caminhar pelas ruas do Centro de Campinas, sem precisar se preocupar com que algo de pior aconteça, é praticamente impossível para pessoas com deficiência visual, física, idosos e cadeirantes. A falta de acessibilidade na maioria das vias que cortam a região central da cidade é mais comum do que muita gente imagina. A inexistência de sinais sonoros nos semáforos, o descaso na adequação do piso tátil por parte do Governo Municipal e a grande quantidade de obstáculos encontrados nas calçadas são apenas alguns dos desafios que precisam ser driblados diariamente por essas parcelas da população. Dalva Maria Brasil, de 45 anos, conta que perdeu a visão há quatro anos, em decorrência de uma depressão profunda que provocou falência de sua retina ocular. Ela explica que possui apenas 5% de visão no olho esquerdo, mas que a porcentagem é insuficiente para fazer com que consiga enxergar alguma coisa. Ontem, Dalva foi avistada pela reportagem andando pela Rua 13 de Maio, um local que, além de ser muito movimentando, não possui piso tátil, o que dificulta e muito a sua locomoção. “Para conseguir saber onde devo ir, eu preciso sempre ficar cima da calha d'água que tem no chão. É uma forma que encontrei para me reinventar na hora de caminhar aqui”, contou. Os problemas na acessibilidade também ocorrem em pontos da região central em que a existência do piso tátil se faz presente, como é o caso das avenidas Francisco Glicério e Anchieta, onde a continuidade da linha guia é interrompida por obstáculos como tampas de bueiro, postes e até lixeiras — que são de responsabilidade do Poder Público —, que podem causar acidentes e ferir as pessoas com deficiência visual. Vistoria A falta de acessibilidade na região Central foi pauta da Comissão de Defesa de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara de Campinas, presidida pelo vereador Carlão do PT, que realizou uma reunião extraordinária nas ruas do Centro, no começo da tarde de ontem. Junto com representantes de entidades ligadas às pessoas com deficiência, a Comissão realizou uma vistoria no local, com o objetivo de avaliar as condições de acessibilidade e mobilidade da região. O grupo de trabalho já havia vistoriado, em setembro do ano passado, os mesmos pontos. Na época, foram detectados vários problemas como: a falta de sinalização sonora nos semáforos e interrupção do piso tátil. Segundo o parlamentar, praticamente nada mudou desde então. “Em setembro do ano passado, chamamos diversos órgãos da Prefeitura, mas até o momento a única mudança que foi feita foi tirar parte das lixeiras dos caminhos que as pessoas com deficiência precisavam usar”, avaliou. Respostas Em nota, a Prefeitura de Campinas informou que está estudando novas tecnologias que viabilizem maior segurança e funcionalidade para orientação de pessoas com deficiência. “Em relação ao piso tátil, técnicos avaliam possibilidades para aperfeiçoar a colocação nos trechos onde já houve a instalação, além de estudar a possibilidade de ampliação. Sobre os semáforos sonoros, a Emdec, neste momento, estuda novas tecnologias para a instalação em pontos estratégicos. Já sobre os contêineres, o Departamento de Limpeza Urbana (DLU) vai reforçar a orientação para que garis e coletores, ao observar contêineres fora do lugar, os coloquem de volta ao ponto correto”, informou.