ALTERNATIVA

Aruba leva água do mar para a mesa e garante abastecimento

Ilha do Caribe conhecida pelos atrativos turísticos, tem um cenário árido e dominado por cactos ? e a única fonte de água é a salgada, que vem do oceano

Sarah Brito
24/05/2015 às 01:45.
Atualizado em 23/04/2022 às 12:55
O custo de produção do metro cúbico de água em Aruba é alto. De acordo com a empresa, é de aproximadamente US$ 4,55, ou cerca de R$ 15 (Sarah Brito)

O custo de produção do metro cúbico de água em Aruba é alto. De acordo com a empresa, é de aproximadamente US$ 4,55, ou cerca de R$ 15 (Sarah Brito)

A crise hídrica no Estado de São Paulo é uma realidade há dois anos, e muitas alternativas já foram propostas para diminuir a dependência dos rios e reservatórios que abastecem os municípios. Enquanto se discute a possibilidade de uso de água do mar para consumo, em alguns lugares o processo já é rotina. Aruba, por exemplo, ilha do Caribe conhecida pelos atrativos turísticos, tem um cenário árido e dominado por cactos (foto) — e a única fonte de água é a salgada, do mar.A pequena ilha dessaliniza a água para consumo humano, do comércio e indústrias. São 110 mil habitantes que vivem em Aruba, que encontrou no oceano a garantia do recurso hídrico para sobrevivência. A ilha não possui nenhuma outra fonte de água, como rios e lagos. A dessalinização é feita toda na ilha. O método é usado em outros países, como o Kuwait e Curaçao, ilha ao lado de Aruba.O resultado é um recurso puro, sem sais mineiras ou outros resquícios. É até necessário “devolver” sais minerais à água, para atender os requisitos básicos exigidos para a saúde humana. A Water and Electricity Bureau (WEB), nome da companhia que realiza o processo, também produz energia elétrica, como sub-produto da dessalinização. O processo, chamado osmose reversa, existe há mais de 70 anos na ilha. Nele, a água do mar passa com alta pressão por uma membrana que retém as partículas.Antes do uso da tecnologia, os moradores dependiam da água da chuva. Até hoje, em passeios de carro por Aruba, é possível ver os antigos reservatórios no lado externo das residências. São cerca de 36 mil imóveis, indústrias e comércios atendidos na ilha com a água dessalinizada do mar. Soma-se a isso o número os turistas, que chegaram a quase 1 milhão em 2014. O total gerou, no ano passado, um consumo de 32 mil m³ por dia na ilha, em média. Para comparação, Valinhos, com 100 mil habitantes segundo o IBGE, consome por dia 25 mil metros cúbicos de água. O número de ligações também é semelhante: são 36.091 contas atendidas.A diferença está no preço de produção da água. Vale lembrar que o processo é diferente: aqui, a água é captada de um rio e levada a um centro de tratamento. Nesse local, a água é clorada e encaminhada para a rede de distribuição. O custo, portanto, é menor. O valor é de R$ 0,70 por metro cúbico de água.Segundo a empresa, o custo de uma conta de água média para uma residência em Aruba é de US$ 64 por mês. Mas o valor é maior, de acordo com moradores. Apesar do uso ser racionado em toda a ilha, a conta é considerada cara pelos moradores. Além disso, a energia também é cara. Gasta-se mais em casas com ar condicionado, devido ao calor da ilha.Apesar de cara, a dessalinização de água adotada por Aruba é apontada como uma alternativa para a demanda de água doce no futuro, uma vez que 95,5% da água do mundo está nos oceanos. O que encarece o processo é o grande consumo de energia. Em Aruba, são US$ 250 milhões em combustíveis gastos por ano na usina da ilha, o que corresponde a cerca de R$ 775 milhões. O custo de produção do metro cúbico de água em Aruba é alto. De acordo com a empresa, é de aproximadamente US$ 4,55, ou cerca de R$ 15. O abastecimento é feito por uma rede espalhada por toda a ilha, e a água é levada por meio da gravidade.AbastecimentoA água potável produzida em Aruba é bombeada para os tanques de armazenamento de água espalhados pela ilha. Esses tanques servem como um amortecedor para o processo de dessalinização. Além desses tanques, há mais sete tanques de água instalados em pontos estratégicos, com uma capacidade total de 65,393 m³.Para ser enviada para os canos, a água é tratada quimicamente para inibir a corrosão. Após o tratamento químico, a água é bombeada para dois tanques de armazenamento. O tanque maior no sistema é o tanque Urataca, que fica a 116 metros de altura. O mais baixo é o tanque Harbor, a 17 metros. Os arubanos também reservam parte da água em casa. Muitos ainda têm o reservatório que usavam para armazenar água da chuva. Outra opção são as caixas d’água maiores.SPEm São Paulo, a proposta de dessalinizar a água do mar já foi levantada pelo governo estadual e o Consórcio Piracicaba, Capivari e Jundiaí. O projeto preliminar, do PCJ, prevê a construção de uma usina de dessalinização em Bertioga, litoral norte de São Paulo, e o bombeamento da água por adutoras até a represa Jaguari/Jacareí, no Cantareira. O projeto está estimado em R$ 1,5 bilhão e seria feito no modelo de Parceria Público-Privada (PPP). Apesar de ser considerada uma solução cara por parte do governo, a hipótese de apelar para esse recurso é discutida pela Sabesp. Um dos problemas apontados por especialistas é a distância entre São Paulo e o litoral, que encarece o processo sugerido. São 700 metros de desnível, e o custo de bombear a água consumiria energia, além do preço da manutenção e operação. TurismoEm um território compacto (são 180 km²), Aruba é destino escolhido por turistas de todo o mundo, que procuram as águas claras do Caribe. A costa de Aruba fica perto da Venezuela. A ilha foi colonizada pelos holandeses, e o holandês é a língua oficial do País. Mas o espanhol e o inglês são presença constante nas conversas. Aruba fez parte das Antilhas Holandesas até 1986, quando ganhou independência. Até então, era Curaçao, ilha vizinha, que governava as três ilhas — Aruba e Bonaire. Atualmente, é um “território autônomo do Reino dos Países Baixos” — ou seja, um pedaço da Holanda no Caribe. O clima é agradável quase todo o ano e a ilha fica fora da rota de furacões. O mercado brasileiro é o quinto principal emissor de turistas para Aruba, atrás apenas dos Estados Unidos, Venezuela, Canadá e Holanda. Os habitantes trabalham a maior parte no comércio turístico e outros serviços, como de infraestrutura da ilha.

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