SENTENÇA

Assassino de brasileiro é condenado na Austrália

Julgamento aconteceu dia 5, mas decisão foi anunciada dia 12. O australiano está preso desde o dia do crime e a pena foi atenuada em um quarto porque ele confessou a culpa.

Bruno Bacchetti
15/06/2015 às 21:08.
Atualizado em 23/04/2022 às 10:36
Lúcio se envolveu em briga de bar, caiu no chão e sofreu traumatismo (  Cedoc/RAC)

Lúcio se envolveu em briga de bar, caiu no chão e sofreu traumatismo ( Cedoc/RAC)

O australiano Nicholas Lambaditis, de 35 anos, foi condenado a nove anos de prisão pela morte do biólogo brasileiro Lúcio Stein Rodrigues, ex-diretor de Meio Ambiente de Capivari, ocorrida em novembro de 2013, em frente a um bar de Sydney, na Austrália. Lambaditis foi a julgamento por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e terá que cumprir seis anos e nove meses em regime fechado antes de entrar com pedido de liberdade condicional. O julgamento foi realizado no último dia 5, mas a decisão foi proferida somente no dia 12. O australiano está preso desde o dia do crime e a pena foi atenuada em um quarto porque ele confessou a culpa. A irmã e a prima do brasileiro foram até a Austrália acompanhar o julgamento. Para a mãe do brasileiro, Lídia Pagotto Stein Rodrigues, a condenação de Lambaditis põe fim a uma angústia de 19 meses e faz justiça à memória do filho. “Nunca é suficiente, porque a minha dor vai ser perpétua, mas para nós foi muito gratificante. Em 19 meses o caso foi fechado e ele pegou uma pena máxima, que foi reduzida porque ele confessou. Dentro da minha tragédia, Deus foi bom comigo e com o Lúcio, porque até então vivia uma angústia terrível de querer Justiça”, contou Lídia. Ela diz que a luta não foi por vingança, mas para que o caso servisse como exemplo. “Sentia que o Lúcio queria justiça. A primeira coisa que falei para as pessoas é para não pensar em vingança e guardar o Lúcio no coração. Queria que servisse de exemplo”, disse.A mãe do biólogo brasileiro conta que a promotoria australiana pediu para que ela e sua filha, Telma Stein, escrevessem duas cartas, que foram lidas durante o julgamento e ajudaram na condenação de Lambaditis. Lídia não quis comparecer ao julgamento porque ficou com receio de encontrar o assassino de seu filho e reviver toda a tragédia. “A justiça australiana arcou com todas as despesas, mas eu não tinha condição psicológica e nem saúde para ir até a Austrália. Além da viagem longa, iria ver o assassino, a Corte é muita pequena e poderia ficar próxima dele”, afirmou.A brigaA briga que resultou na morte de Lúcio Stein Rodrigues aconteceu na madrugada do dia 4 de novembro de 2013. Por volta das 3h30, o brasileiro estava com um amigo em frente ao Scruffy Murphy’s, um conhecido bar irlandês no Centro de Sydney, aguardando outros dois jovens que haviam saído para comprar uma pizza. Um dos amigos do brasileiro se envolveu em uma briga e o biólogo interferiu para defender o colega. Na confusão, o brasileiro foi atingido por Lambaditis, caiu e bateu a cabeça, sofrendo traumatismo craniano. Lúcio chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Saint Vincent, mas não resistiu e morreu dias mais tarde. O australiano foi preso 40 minutos depois e a princípio seria indiciado por lesão corporal. Com a morte do brasileiro, o crime passou para homicídio culposo. O primeiro julgamento do acusado foi marcado para o dia 9 de março deste ano, e até a véspera o australiano alegava inocência. No dia da audiência, no entanto, mudou sua versão e confessou o crime. O julgamento foi adiado e remarcado para o último dia 5. Durante a audiência, o juiz Peter Hall entendeu que o crime foi motivado pelo consumo excessivo de álcool. Em sua defesa, Lambaditis alegou que desferiu um soco no brasileiro, que tropeçou e caiu no chão. Segundo o australiano, ele teria agido para defender uma amiga, supostamente agredida por Lúcio.

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