O Banco Central (BC) gasta em média, por ano, ao menos R$ 287 milhões para destruir cédulas vandalizadas
O Banco Central (BC) gasta em média, por ano, ao menos R$ 287 milhões para destruir cédulas vandalizadas. Só no primeiro semestre deste ano, o País eliminou 603.161.685 notas com problemas e desembolsou nesse trabalho R$ 156.389.399,30. Para cada milheiro de cédulas produzido, o BC destina R$ 259,28. Para repor e também inserir novas notas no mercado, o Banco Central vai adquirir até final deste ano 1,65 bilhão de cédulas novas a um custo de R$ 428,7 milhões. “O Banco Central do Brasil é a instituição responsável pela emissão de cédulas e moedas e pela atividade de saneamento do meio circulante. As duas ações, emissão e saneamento, visam manter o dinheiro em circulação em boas condições de uso”, frisou a instituição financeira em nota. Pelas normas do BC, devem ser retiradas de circulação as cédulas manchadas, sujas, desfiguradas, gastas ou fragmentadas; com marcas, rabiscos, símbolos, desenhos ou quaisquer caracteres a elas estranhos; com cortes ou rasgos em suas bordas ou interior; queimadas ou danificadas por ação de líquidos, agentes químicos ou explosivos entre outros. “Outro dia recebi uma nota com muitos palavrões. Foi horrível. Não sei como as pessoas conseguem escrever e estragar uma nota. Fiquei tão horrorizada com as palavras que estavam escritas, que senti vontade de rasgar a nota, mas não o fiz porque se tratava de dinheiro, um valor que faria diferença no meu caixa”, disse uma comerciante que não quis ser identificada. Economista de formação, a comerciante Janete de Abreu Paiva, dona de uma banca de frutas no Mercado Municipal de Campinas, afirma que costuma receber muitas notas vandalizadas, mas como tem consciência de que essas cédulas não podem circular e nem gerar prejuízo para os clientes, ela recolhe e deposita. Entre os estragos com que ela já se deparou, constam rabiscos, manchas, rasgos e até bolor. Só nos últimos dias, ela recolheu R$ 240,00, sendo a maioria notas de R$ 2,00 e R$ 5,00. “O cliente passa a nota destruída, mas não quer receber de volta. Muitos pedem para trocar, alegando que recebeu o dinheiro em outro estabelecimento. Para que ninguém tenha prejuízo, eu recolho e espero que os bancos não devolvam para circulação esta moeda”, disse Janete. No início deste mês, em um único dia, uma empresa de valores de Campinas recolheu R$ 150 mil em cédulas vandalizadas. Nas notas, segundo fontes do Correio Popular, havia desenhos de folhas de maconha, de órgãos genitais, declarações de amor, xingamentos e até lembretes de pagamentos, como valores a pagar de conta de água e luz. As notas foram recolhidas pela empresa e enviadas para o Banco Central. “É um absurdo ver notas danificadas. As pessoas não deveriam nem mexer no dinheiro. As cédulas não são propriedade particular. Nos países da Europa ou nos Estados Unidos não se vê rasuras ou rabiscos no dinheiro”, disse o comerciante Paulo César Ortigosa. Segundo o BC, as cédulas inadequadas à circulação podem ter valor ou não, em função do grau de dano apresentado. Ainda de acordo com a instituição financeira, com exceção das que não tem valor, denominadas mutiladas, os bancos devem receber do público, trocá-las por seu valor integral ou aceitá-las em pagamentos ou depósitos e, posteriormente encaminhá-las ao BC para destruição. Não existe estatística sobre quais notas seriam as mais danificadas pela população. O que se observa, segundo o BC, é que as cédulas de menor denominação são as mais substituídas por desgaste, por apresentarem uma vida útil menor em função do maior uso nas transações de pagamentos do dia a dia. Fim do papel-moeda Morando há 18 anos na Espanha, Rosinalva Climaco garante que nunca viu ninguém “estragar” dinheiro. Por lá, o dinheiro é bem cuidado e só é tirado de circulação quando está muito desgastado. O próprio site do Banco Central da Espanha alerta aos espanhóis quanto a troca do papel-moeda. “Nada dura para sempre. As notas e moedas têm um ciclo de vida mais ou menos longo, mas chega um momento em que, devido ao seu uso, elas se deterioram e, especialmente o papel, elas se tornam inutilizáveis. Mas eles não perdem seu valor inicial, mas podem ser recuperados de várias maneiras”, orienta. “Por aqui não se vê esse tipo de coisa. As pessoas não escrevem ou vandalizam dinheiro”, disse Rosinalva. Mesmo não se registrando vandalismo de cédulas, vários países da Europa estudam o fim do papel-moeda. Na Suécia, alguns bancos já pararam de usar dinheiro em espécie e o Banco Central daquele país promete acabar com o papel-moeda até 2030. Na China, em 2016, 80% das movimentações já eram eletrônicas. O mesmo acontece com a Noruega, onde apenas 4% das transações ainda são com dinheiro. SAIBA MAIS DESTRUIÇÃO DE CÉDULAS DESGASTADAS: Ano Quantidade Custo estimado atualizado* 2016 1.030.217.112 R$ 267.117.489,88 2017 1.188.852.324 R$ 308.248.858,35 2018 1º Sem. 603.161.685 R$ 156.389.399,30 *) Foi utilizado o custo médio de produção de 2018: R$ 259,28/milheiro de cédulas EMISSÃO DE CÉDULAS NOVAS: Ano Quantidade 2016 865.607.200 2017 1.336.633.534 2018/1º Sem. 392.010.782 Fonte: Banco Central do Brasil