Secretário de Segurança de Campinas promete tolerância zero com aglomerações na cidade

Agentes das forças de segurança preparados para o primeiro dia de fiscalização do toque de recolher: população está colaborando (Diogo Zacarias/ Correio Popular)
A fiscalização em torno do cumprimento do toque de recolher em Campinas será intensificada nos próximos dias, especialmente neste fim de semana. O aviso é do secretário municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública, Christiano Biggi. De acordo com ele, além da Guarda Municipal e das polícias Civil e Militar, estarão em ação agentes do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), da Serviços Técnicos Gerais (Setec), da Secretaria Municipal de Urbanismo (Semurb) e da Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), para verificar o cumprimento de uma série de obrigações, inclusive as relacionadas às questões sanitárias.
Entenda o Toque de Recolher de Campinas
Biggi adiantou que a força-tarefa atuará para debelar qualquer aglomeração, "principalmente em festas clandestinas e reuniões familiares acima de dez pessoas, que infelizmente são os maiores focos de contaminação, conforme podemos verificar pelos dados epidemiológicos". O subcomandante da Guarda Municipal, Jaderson Gama, pontuou que haverá o uso "de maior efetivo para o cumprimento das fiscalizações". Ele não quis, porém, revelar quantos agentes participarão das operações, alegando razões de segurança.
Na última quinta-feira, primeiro dia de vigência do decreto que instituiu o toque de recolher em Campinas, foi organizada uma força-tarefa constituída por agentes da Guarda Municipal e polícias Militar e Militar. A operação vistoriou 64 estabelecimentos comerciais. Destes, 32 foram fechados. Foram feitas, ainda, 12 intimações. Em barreiras montadas em pontos estratégicos da cidade, foram abordados 467 veículos, sendo que 958 pessoas foram orientadas a ir para casa. Não foram constatadas festas clandestinas.
O secretário Biggi avaliou o primeiro dia da operação como muito positivo. "Houve uma adesão maciça da população, e elogio todas as pessoas que foram abordadas. O modelo de ação que definimos foi adotado por toda a região metropolitana, conforme anunciado pelo prefeito Dário Saadi". O subcomandante Gama é de mesma opinião. "Percebermos que a população está entendendo a necessidade de evitar o deslocamento desnecessário, e também fomos muito bem recebidos durante as abordagens realizadas", completou.
A ação teve caráter educativo e começou às 20h, simultaneamente na Avenida José de Souza Campos, no Cambuí, e na Avenida John Boyd Dunlop, na altura do Balão do Jardim Londres, distrito do Campo Grande. Os veículos das forças de segurança se concentraram nesses locais, e dali as equipes se dirigiram para pontos movimentados na cidade, como Taquaral, Guanabara e bairros do Ouro Verde.
"O intuito da operação não é punir e nem restringir a circulação de pessoas. Não é uma limitação de locomoção porque Campinas não está em lockdown. A orientação é que as pessoas só saiam de casa em caso de necessidade de fato, e não para lazer", reforçou Biggi. O secretário observou, entretanto, que caso seja necessário, será solicitado ao cidadão a apresentação algum comprovante que justifique a presença na rua entre 20h e 5h.
Biaggi assinalou que a ação também tem um caráter dinâmico, pois toda a movimentação da cidade é acompanhada 24 horas pelas câmeras da Central de Monitoramento Integrado e pelos pontos de captura de OCR, que são os leitores de placas de veículos capazes de aferir o fluxo de carros. Graças a essa informação, no decorrer da operação os pontos de bloqueio podem ser modificados. "Se for constatada alguma anormalidade além do que a gente espera, os guardas municipais da Central de Monitoramento acionarão as equipes na rua, via rádio, e montaremos barreiras conforme os dados apontados pelas câmeras", explicou.
Segundo o decreto, supermercados, padarias e lojas de conveniência só podem funcionar até as 20h, assim como o serviço de drive- thru. Após este horário, só por meio de delivery.
Caso seja constatada alguma irregularidade, o estabelecimento pode ser multado em 800 Unidades Fiscais de Campinas (UFICs - R$ 3030,88), lacrado e o proprietário levado para a delegacia.