FOLIA

Blocos arrastam multidão nas capitais

Rio e São Paulo fazem as contas dos milhões de foliões; apuração das escolas paulistanas será hoje

Das agências
25/02/2020 às 10:29.
Atualizado em 29/03/2022 às 20:41

Mais de três milhões de pessoas se divertiram pelas ruas do Rio de Janeiro nos três primeiros dias de Carnaval. Somente o Sargento Pimenta atraiu 340 mil foliões, ontem, segundo a Riotur. São Paulo não fica atrás nos números. Apenas no Parque do Ibirapuera, no último domingo, mais de um milhão de foliões curtiram ao som do bloco Bem Sertanejo, comandado pelo cantor Michel Teló. Na capital paulista, a apuração das notas das escolas de samba do Grupo Especial começa hoje, às 15h45. Entre as favoritas ao título estão a Gaviões da Fiel, a Mocidade Alegre, a Rosas de Ouro, a Dragões da Real, a Mancha Verde e a Tom Maior. No Rio de Janeiro, a grande campeã será conhecida amanhã. Portela e Unidos do Viradouro foram as escolas de samba que mais empolgaram o público na primeira noite de desfiles das escolas de samba do Rio, domingo. Repleta de críticas sociais, a noite também teve duas agremiações prejudicadas por problemas em carros alegóricos. Cercado de expectativa, o desfile da Mangueira — atual campeã — foi morno, sem grandes surpresas e incapaz de empolgar as arquibancadas. Grande Rio e União da Ilha vão perder pontos devido à correria provocada pelos problemas em carros alegóricos A Estácio fez um desfile pobre e é candidata ao rebaixamento, que neste ano vai punir duas agremiações. A Paraíso do Tuiuti fez um desfile correto, mas não empolgante nem surpreendente. Trinta e um anos depois de o Jesus censurado da Beija-Flor ter ido à Sapucaí coberto por um saco preto, a Mangueira teve a oportunidade de exibir, sem censura, o seu Jesus. E o fez de diversas formas: na Verde e Rosa, Jesus foi negro, mulher e, antes de tudo, humano. Imagens de Jesus crucificado também se destacaram na narrativa. No entanto, o samba responsável por contar o enredo 'A verdade vos fará livre', apesar de ter uma letra forte e repleta de frases impactantes, não empolgou o público. Um Jesus da Mangueira foi representado pelo ator Humberto Carrão, destaque da novela Amor de Mãe, da TV Globo, que carregava consigo um chicote. No entanto, a iluminação do carro alegórico apagou bem em frente a uma das cabines de jurados, o que pode fazer com que a escola perca pontos. A Mangueira teve o azar de desfilar logo após a Viradouro, cujo samba causou frisson nas arquibancadas. A agremiação de Niterói levou à Sapucaí um enredo sobre as Ganhadeiras de Itapuã, mulheres escravizadas que no século XIX vendiam comida e lavavam roupas na lagoa do Abaeté, em Salvador - com o dinheiro arrecadado, elas compravam a liberdade de outras mulheres submetidas ao cativeiro. De refrão chiclete, o samba era entoado à capela em dois trechos e conquistou a plateia. As alegorias e fantasias eram muito luxuosas e caprichadas. A Portela, que contou como era o Rio de Janeiro antes da chegada dos descobridores portugueses e fez crítica à destruição da natureza, desfilou quando já amanhecia, mas empolgou o público que ainda lotava as arquibancadas e apresentou fantasias e alegorias luxuosas. Outra escola com um dos sambas mais aclamados deste ano, a Grande Rio homenageou Joãozinho da Goméia, pai-de-santo baiano que em 1948, aos 34 anos, mudou-se para Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde fica a escola. Era negro e homossexual. Logo depois desfilou a União da Ilha, que, na estreia de Laíla como diretor de Carnaval, apresentou enredo sobre a dura vida nas favelas. Mas o terceiro carro alegórico quebrou e precisou ser empurrado, o que exigiu esforço e comprometeu a evolução. A escola desfilou em 71 minutos e será punida com a perda de 1 décimo, na apuração. A Paraíso do Tuiuti imaginou o encontro entre o rei português dom Sebastião e são Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro, e fez um desfile correto, mas não empolgante. A Estácio de Sá, cuja carnavalesca Rosa Magalhães comemorava 50 anos atuando nas escolas de samba, fez uma exibição pobre.

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