CARNAVAL

Blocos levam a folia para as ruas de Campinas

Animação e alegria não faltaram para quem foi às ruas neste domingo (23)

Vilma Gasques
23/02/2014 às 21:29.
Atualizado em 24/04/2022 às 15:47

No segundo dia de folia carnavalesca em Campinas três blocos e um cordão tomaram as ruas da cidade para lembrar a festa de Momo 2014 e levaram foliões vestidos de fantasias para comemorar o grito de Carnaval campineiro entoando marchinhas e sambas enredos que deram o tom da festa do próximo final de semana. Animação e alegria não faltaram para quem foi às ruas neste domingo (23).Na Vila Industrial o músico Helder Bittencourt, fundador do bloco Nem Sangue Nem Areia, que morreu no último mês de dezembro ganhou todas as homenagens. Pelo menos mil foliões se reuniram na Rua Francisco Teodoro para a concentração que resgata o Carnaval de épocas passadas. "Esse ano o tema do bloco "Alegria é Coisa Séria" está muito legal. E resolvemos colocar fantasias mais tradicionais para a festa" , diz Irineu Argenton, que se vestiu de Pierrô, um personagem da comédia francesa com olhar triste. Ao seu lado, Guilherme Rosales em uma fantasia de palhaço que faz homenagem à Colombina, que partiu o coração de Pierrô na história."Gostamos muito do Nem Sangue Nem Areia e participamos todos os anos do bloco. Neste ano viemos homenagear o Helder num carnaval tradicional" , conta Rosales.A securitária Sandra Costa também colocou uma tradicional fantasia de palhaço e foi para as ruas da Vila Industrial festejar o Carnaval. "A proposta é manter o Carnaval tradicional nas ruas do bairro e não distorcer a festa, que é tão bonita. Aqui tudo é brincadeira e eu recordo do meu pai, do meu tio. Eles acompanhavam esse bloco quando jovens. E hoje, eu acompanho" , diz.A alegria do tema ela diz que é típica dos palhaços. Mas costuma mudar de fantasia todo ano. "E isso também faz parte da festa. É gostoso preparar e imaginar cada fantasia" , ressalta.Um dos coordenadores do Nem Sangue Nem Areia, o jornalista Roberto Cardinalli diz que o samba-enredo do bloco foi uma homenagem ao músico Helder Bittencourt. "Também fizemos um boneco gigante para levar no desfile até o Teatro Castro Mendes em homenagem a ele" , diz.O cortejo do bloco partiu da Rua Francisco Teodoro, subiu a Avenida Sales de Oliveira e, depois de uma breve parada em frente ao Teatro Castro Mendes, retornou ao ponto de partida.O Nem Sangue Nem Areia surgiu em 1946. Nas décadas de 60 e 70 virou escola de samba e desfilou nas avenidas. Em 1976 encerrou suas atividades. "Em 2006 queríamos criar um bloco de Carnaval e convidamos o Helder para nos ajudar. Ele aceitou o convite, mas exigiu que o bloco teria que sair na Vila Industrial, bairro de sua família. Além disso, tinha que ter o nome Nem Sangue Nem Areia. Assim, em 2009 retomamos a tradição do bloco" , diz Cardinalli.Neste domingo (23) também foram para as ruas os foliões que seguiram o cordão do bloco Vai que Vira, na Rua Vicente de Paula, no bairro São Bernardo, e o Cordão Carnavalesco, que percorreu as ruas Mogi Mirim, Monte Mor, Pedreira e Artur Nogueira, no Jardim Novo Campos Elíseos.Samba e latidosO domingo de pré-Carnaval não teve apenas foliões humanos. A 5ª edição do "Cãonaval" reuniu, na tarde de ontem, cerca de 300 pessoas no Largo Santa Cruz, segundo os organizadores. Os foliões seguiram o cordão do viralata Bob, mas sem o mascote, que morreu em agosto do ano passado.O cão comunitário que deu nome ao bloco estava morando com a família que o acolheu no Rio de Janeiro e deixou a tradição da festa para os participantes. "O Bob se foi e deixou saudade em cada canto da cidade" , foi a primeira estrofe do samba-enrede feito em homenagem ao mascote. A música, composta por César Rocha, animou os foliões de quatro patas e os donos pelas ruas do Cambuí.Rocha relembra o início do bloco e a mobilização feita em torno de Bob. "Este é o primeiro Cãonaval desde a morte do Bob e o segundo sem a presença dele, que no Carnaval do ano passado, já debilitado, não pode vir para Campinas" , conta.O fundador do bloco diz que o número de participantes da festa não é o mais interessante e sim, a conscientização sobre a causa animal. "É um apelo diferente. Tudo começou porque a comunidade se mobilizou para que o Bob permanecesse na praça e não fosse levado ao Centro de Zoonoses. Nós ganhamos a causa respaldados pela legislação que estabelece a figura do cão comunitário. E a festa de recepção para ele depois dessa vitória deu início ao bloco, em 2009" , lembra.O desfile do Cãonaval saiu da Praça do Largo Santa Cruz, Cambuí, e percorreu a Avenida Júlio de Mesquita até o Centro de Convivência Cultural (CCC).

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