metodologia

Campinas faz teste para coronavírus

Núcleo Técnico Operacional do Grupo Sabin já realiza exames pioneiros com resposta rápida

Gilson Rei/AAN
23/02/2020 às 09:21.
Atualizado em 29/03/2022 às 20:53

Casos suspeitos de infecção pelo coronavírus (Covid 19) já podem ser confirmados ou excluídos em Campinas por um exame de resposta rápida no Núcleo Técnico Operacional do Grupo Sabin, que iniciou nesta semana as primeiras coletas e exames em casos suspeitos da doença no País. O resultado final pode sair no período de um a três dias, dependendo da localização do laboratório do grupo que realiza os testes no País. A técnica para obter o diagnóstico — desenvolvida de forma pioneira pelo Grupo Sabin — foi adotada pelos hospitais de referência do País na identificação rápida da doença, que ainda não chegou ao Brasil, mas já causou mais de 2,3 mil mortes e contabiliza mais de 76 mil pessoas infectadas em 26 países. Alex Garolo, gestor de uma das unidades do Sabin em Campinas, disse que, na prática, o hospital de referência solicita o exame, o Sabin faz a coleta das análises e os resultados são enviados de volta para o hospital que solicitou os testes. Caso seja detectado o vírus, há envio de notificação ao hospital e à Vigilância Sanitária do município. Garolo destacou a importância da metodologia aplicada. “A metodologia utilizada e o ambiente especializado para realizar os testes garantiram eficiência e estão contribuindo no diagnóstico mais rápido, fundamental para o início do tratamento da pessoa infectada”, afirmou. Os resultados se mostraram eficientes para identificação do coronavírus e o diagnóstico ocorre em aproximadamente quatro horas. O resultado final de confirmação, entretanto, é dado em 24 horas, quando realizado no Núcleo Técnico Operacional do Grupo Sabin do Distrito Federa, em Brasília. Quando as amostras e os exames são trabalhados em Núcleos Técnicos do Grupo existentes em outras regiões do País o resultado final é divulgado em até três dias. “É que o resultado obtido em núcleos técnicos de outra região sempre passa para confirmação final no núcleo de Brasília, que retorna de volta para o local de origem. Por isso leva três dias”, justificou Garolo. Metodologia Rafael Jácomo, diretor técnico do Grupo Sabin, explicou que – quando a doença surgiu - as equipes de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo Sabin submeteram as amostras a testes com reagentes em um rigoroso sistema de metodologia própria, feitos com base nos protocolos do Center for Diseases Control (CDC) e da Organização Mundial de Saúde (OMS). “Os primeiros experimentos começaram, quando a OMS emitiu comunicado, autorizando os laboratórios a aplicar testes”, afirmou. O novo teste possui processo de coleta simples, que é feito por meio de secreção nasal. A análise é feita com base no método ‘PCR em tempo real’, de detecção genética. Segundo o diretor técnico, o Grupo Sabin fez as primeiras avaliações em seus laboratórios, criados em condições especiais e em ambientes adequados para este tipo de pesquisa. “Inicialmente houve a coleta da secreção nasal de pessoas voluntárias que apresentavam sintomas semelhantes ao da doença e foi inserido na amostra um material genético, formando um vírus artificial”, explicou Jácomo. Os especialistas do Sabin realizaram, a partir de então, um simulado, utilizando as amostras de secreção nasal. O vírus artificial criado dentro dos padrões internacionais foi colocado junto às amostras e os resultados surgiram em quatro horas com sucesso. Jácomo explicou que este trabalho inovador em medicina diagnóstica passou a ser adotado, principalmente porque auxilia na agilidade. “Os médicos poderão com este diagnóstico dar início mais rápido ao tratamento das pessoas e, com isso, evitar mortes”, comentou. O diretor técnico destacou que fazer os exames nos primeiros dias de sintomas é fundamental para detectar e tratar a doença. Os investimentos em inovação e o ambiente propício para a realização dos testes foram fundamentais nesse processo. “Os investimentos contínuos em pesquisa e inovação foram essenciais para o desenvolvimento dessa nova metodologia diagnóstica de forma tempestiva às demandas da comunidade médica e da população”, afirmou Jácomo.

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