ouro verde

Caso Vitale: juiz ouve testemunhas

O juiz Caio Ventosa, da 4ª Vara Criminal de Campinas, ouviu ontem três testemunhas de acusação, na primeira audiência do processo

Francisco Lima Neto
28/08/2019 às 07:50.
Atualizado em 30/03/2022 às 17:11

O juiz Caio Ventosa, da 4ª Vara Criminal de Campinas, ouviu ontem três testemunhas de acusação, na primeira audiência do processo contra 13 pessoas denunciadas pelo Ministério Público (MP) em novembro de 2018. Uma quarta testemunha, Thalita Bernardes, se apresentou, mas foi dispensada por ser mulher de um dos réus, mesmo sob objeção do representante do Ministério Público. O médico Gustavo Dahmen, que atuou no Hospital Ouro Verde de 2014 a 2018, fazendo laudos de mamografia durante a gestão das duas Organizações Sociais (OSs), disse que quando prestava serviço para a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPMD), recebia R$ 10 por laudo, já com a Vitale — alvo de investigação — passou a receber R$ 13,50, mas ficou sabendo por "comentários" que Gustavo Khattar de Godoy, diretor do setor de imagens, receberia R$ 25 do hospital por cada laudo emitido, além de R$ 45 mil de salário. Cândida Ribeiro de Castro, coordenadora laboratorial da Rede Mário Gatti, afirmou que, atualmente, se aplica a tabela de valores do Sistema Único de Saúde (SUS) para o pagamento dos exames. Segundo ela, os mais realizados são bioquímicos, considerados simples, ao custo médio de R$ 2,25. No entanto, ela afirmou que "ouviu falar" que na gestão da Vitale era cobrado o preço fixo de R$ 6 para todos os exames. O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) viu nos depoimentos uma confirmação de superfaturamento nos serviços prestados pelo Hospital Ouro Verde. O policial militar Ricardo Santana, que participou da operação de busca e prisão na casa do empresário Sylvino de Godoy Neto, presidente licenciado do Grupo RAC e pai do médico Gustavo Kattar de Godoy, disse que ele perguntou quem era o responsável pela operação e de qual Vara era. Após ser informado, teria dito que "o responsável pagaria por aquilo", o que foi entendido como uma ameaça. O defensor de Gustavo e Sylvino, o advogado Ralph Tórtima Filho, rebateu as acusações. "Há uma confusão por parte do MP, uma coisa é o que um médico cobra para realizar o laudo, outra coisa é o valor cobrado pela empresa que contrata esse serviço e paga impostos, que é a média do valor praticado pelo mercado, isso se não estiver abaixo da tabela do SUS". Ele também afirmou que Sylvino não fez qualquer ameaça. "Acho que não houve da parte do Dr. Sylvino qualquer colocação que representasse ameaça. Apenas uma manifestação de inconformismo pelo sentimento de injustiça diante daquela operação", concluiu. Outras três testemunhas ainda serão ouvidas por carta precatória. Uma em setembro e outra em outubro, em São Paulo e Jundiaí, respectivamente.

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