Museologia social promove o resgate cultura regional por meio de roda de conversa entre artesãs

União entre mulheres alavancou a criação da cooperativa Estandarte, cujos produtos são comercializados semanalmente na tradicional Feira Hippie (Matheus Pereira/Especial para AAN)
Bordadeiras, que pertencem a coletivos instalados por toda a cidade, participam na tarde de amanhã, na Casa de Cultura de Sousas, de um evento que pretende resgatar culturas regionais. No evento, as mulheres vão bordar, cantar e contar causos, trazendo em seus pontos histórias partilhadas ao longo da vida. Os organizadores do evento esperam a participação de 30 artesãs. O encontro gratuito, é aberto ao público. De acordo com Dora Mazzer, coordenadora de Ação Cultural da Prefeitura de Campinas, o encontro faz parte de um projeto de “museologia social”, que tem o objetivo de cultuar a memória de áreas específicas da cidade e fortalecer a relação entre moradoras que testemunham a transformação dos bairros onde elas vivem. Caso, por exemplo, da bordadeira Cleusa Pereira Alves, que desde 2002 reúne na própria casa, ocasionalmente, amigas que bordam e proseiam. Um grupo que já chegou a reunir 60 moradoras do Jardim São Marcos. Claro, há muita rotatividade. Gente que entra e sai do bairro. Mas dez delas, conta, estão firmes, desde o começo, e guardam episódios na memória. Cleusa conta que o grupo ficou muito unido a ponto de criar uma cooperativa, a Estandarte. Os artigos bordados são vendidos semanalmente na Feira Hippie, que vende artesanato do Centro de Convivência Cultual. No evento já garantiram presença integrantes de outros coletivos da cidade: Casa dos Sonhos (Sousas), Viver (região da Rodovia Santos Dumont) e Entrefios Memórias (Barão Geraldo). Cada um de um bairro, cada um formado por pessoas de condições sociais e intelectuais diferenciadas. “Pela roda de bordado, a gente pensa em exaltar os valores e as histórias de cada região da cidade e do grupo”, afirma Dora. A Cultura traz para Campinas um evento que já fazia sucesso no Museu Republicano Convenção de Itu. Por lá, já foi inaugurada a exposição do Coletivo de Bordadeiras do Utuguaçu, que transformaram o museu um ponto de encontro. Aliás, o museu é parceiro na organização do encontro em Sousas. Aquele mesmo grupo de bordadeiras também estará em Campinas. Trata-se, efetivamente, de uma roda de saberes: a arte representa a cultura popular.