TRADIÇÃO

CCLA precisa de recursos para vencer obstáculos

Um dos patrimônios culturais e literários de Campinas precisa de ajuda para reformas pontuais

Renato Piovesan
23/03/2019 às 21:32.
Atualizado em 04/04/2022 às 20:45

Com uma biblioteca de 140 mil volumes, uma pinacoteca e dois museus, o Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA) é um dos patrimônios culturais e literários de Campinas, referência para pesquisadores de todo o País. Mas a entidade, com mais de um século de história, passa por momentos difíceis. O prédio de três andares localizado na esquina da Rua Bernardino de Campos com a Avenida Francisco Glicério, no coração da cidade, não possui Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) até hoje, e, além disso, sofre com problemas de acessibilidade. Cadeirantes e idosos, por exemplo, não conseguem subir as escadarias do edifício para ter acesso aos documentos históricos — há livros de autores campineiros, obras sobre a história de Campinas e até jornais e revistas do Século 19, só para citar parte do acervo do espaço. A atual diretoria da instituição já tem em mãos dois projetos para viabilizar as obras que garantiriam as melhorias necessárias ao CCLA, mas o orçamento de ambas, estimado em R$ 100 mil, se torna inviável para um projeto que sobrevive da anuidade de apenas 50 sócios, de pequenas doações e do aluguel de um terreno do grupo para uma livraria. "Nossos obstáculos são os recursos financeiros, que não temos. Essa aqui é uma entidade privada, que não tem recebimento de verbas de órgãos federais ou municipais. Por isso, precisamos mostrar para Campinas que aqui não é uma propriedade só dos associados, mas de todos os campineiros. As portas estão abertas a todos", destaca o presidente do CCLA, Alcides Ladislau Acosta. Há uma negociação de transferência do acervo do CCLA para um prédio cedido pela PUC-Campinas futuramente, mas, até que o projeto saia do papel, o primeiro secretário da entidade, Reinaldo Camargo Rigitano, reconhece que o atual edifício da entidade já precisa de uma modernização para atrair mais visitantes — atualmente, são menos de 500 visitas por mês. "A aquisição de um elevador seria fundamental, pois os idosos e cadeirantes que não conseguem vir aqui mais poderiam voltar. E haveria um conforto maior ao público em geral também", diz. A preocupação com a segurança do prédio também é grande, sobretudo após o incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro, em setembro do ano passado, que destruiu quase a totalidade do acervo histórico e científico que abrangia cerca de 20 milhões de itens catalogados. "Imagina se pega fogo aqui e perdemos os manuscritos de Carlos Gomes (mais importante compositor de ópera brasileiro) ou suas primeiras composições? Em nenhum outro lugar do mundo tem isso. Temos essa preocupação e até possuímos extintores de incêndio no prédio, mas o Corpo de Bombeiros quer a instalação de um sistema de controle de incêndio que custa quase R$ 60 mil", explica Rigitano. Enquanto não providencia o AVCB, o CCLA já iniciou o processo de digitalização de parte do acervo, como garantia. O CCLA é uma entidade cultural particular e sem fins lucrativos fundada em 31 de outubro de 1901, na cidade de Campinas, por um grupo de cientistas, artistas e intelectuais que decidiu criar uma instituição com a finalidade de se reunir para o estudo e produção de atividades científicas e artísticas. Durante as primeiras décadas deste século, pela própria ausência de um órgão do governo dedicado exclusivamente à cultura, o CCLA reuniu e promoveu grande parte das produções culturais da cidade. Duas exposições estão abertas no CCLA atualmente. Uma delas é sobre o Maestro Carlos Gomes, no terceiro andar, com itens históricos do famoso compositor de ópera e até o piano original que ele utilizava. A outra, no Museu Campos Sales, no primeiro andar, apresenta neste mês o tema “Mulheres”.

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