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Cheia de apetite, Azul quer parte da Avianca

A Azul Linhas Aéreas anunciou ontem uma proposta não-vinculante no valor de US$ 105 milhões para a aquisição de alguns dos ativos da Avianca Brasil

Renato Piovesan
12/03/2019 às 07:20.
Atualizado em 04/04/2022 às 22:56

A Azul Linhas Aéreas anunciou ontem uma proposta não-vinculante no valor de US$ 105 milhões para a aquisição de alguns dos ativos da Avianca Brasil. A nova empresa resultante do negócio seria uma Unidade Produtiva Isolada (UPI), conforme a Lei de Falências e Recuperação Judicial, e inclui ativos selecionados pela Azul como o certificado de operador aéreo da Avianca Brasil, 70 pares de “slots” (espaços e horários de horários para pousos e decolagens nos aeroportos) e cerca de 30 aeronaves Airbus A320. A Avianca está em processo de recuperação judicial desde dezembro, com dívidas que chegam a cerca de R$ 500 milhões. Desde então, as empresas arrendadoras das aeronaves operadas pela companhia vêm pressionando para tomá-las de volta. Até o ano passado, a Avianca tinha 55 aviões, a maioria deles alugado. Neste ano, a aérea devolveu pelo menos dois A330 e sete A320neo. Em nota, a Azul destacou que a expectativa é que o processo de aquisição dure até três meses. A operação está sujeita a diversas condições - como a aprovação de órgãos reguladores e dos credores - além da própria conclusão do processo de Recuperação Judicial. Pouco depois da divulgação da notícia, as ações da Azul na Bovespa se valorizaram em 6,42%. A intenção da Azul com a aquisição de ativos da Avianca é reforçar seu projeto de ampliação de influência através dos hubs estratégicos - uma tendência iniciada há pouco mais de cinco anos na aviação brasileira, em que as companhias aéreas elegem alguns aeroportos para concentrar suas operações, voos e conexões. No Aeroporto Internacional de Viracopos, por exemplo, o domínio da Azul é visível. Na semana entre os dias 18 e 23 de fevereiro, 1.982 dos pousos e decolagens de passageiros no terminal campineiro da Azul - os demais se dividiam entre Gol (72) e Latam (24). Segunda do País O negócio também tornaria a Azul a segunda maior aérea do País. Se aprovada, a aquisição dos slots mudará consideravelmente o cenário para a companhia, que detém hoje 5% dos slots em Congonhas - percentual que passaria para 12% com o acordo. Haveria grandes avanços também no Santos Dumont (RJ), de 27% para 40%, e em Guarulhos, de 11% para 22%. Além disso, no começo de fevereiro, a Azul reforçou seu plano de renovação da frota e pretende encerrar 2019 com 32 aeronaves A320 Neo em operação, contra uma estimativa anterior de 27 aeronaves. Por fim, com seu movimento em direção à Avianca, a companhia consegue evitar que os outras empresas ganhem força. (Com Estadão Conteúdo)

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