MEIO AMBIENTE

Cidade é refúgio de animais silvestres

Apreensões feitas pelos agentes ambientais em áreas urbanas na região cresceram 12% em 2017

Henrique Hein
04/02/2018 às 14:26.
Atualizado em 22/04/2022 às 09:48
Mata Santa Genebra: projeto prevê interligação da maior reserva vegetal campineira a outros fragmentos florestais do distrito de Barão Geraldo  (Patrícia Domingos/AAN)

Mata Santa Genebra: projeto prevê interligação da maior reserva vegetal campineira a outros fragmentos florestais do distrito de Barão Geraldo (Patrícia Domingos/AAN)

O número de animais silvestres apreendidos cresceu nas áreas urbanas e nas principais rodovias que cortam a região de Campinas. Somente no ano passado, 1.243 animais foram encontrados pela Polícia Ambiental nos municípios de Campinas, Jaguariúna, Valinhos, Indaiatuba, Holambra, Paulínia e Salto. A quantidade registrada é de 12% maior que a registrada em 2016, quando 1.096 animais foram encontrados. Nas principais estradas da região, o aumento foi ainda mais acentuado. A Rota das Bandeiras, por exemplo, que administra o Corredor Dom Pedro I, registrou 109 animais silvestres apreendidos na via somente em 2017, contra 79 do ano retrasado: um aumento de quase 28%. Já a assessoria da AutoBAn explicou que todos os animais silvestres resgatados no Sistema Anhanguera-Bandeirantes são encaminhados à Associação Mata Ciliar para ser reabilitado e reintegrado à natureza. Ao todo, 28 animais foram encaminhados à ONG no ano passado, cinco a mais do que em 2016: um aumento de aproximadamente 18% entre os dois períodos analisados. A Renovias, concessionária que administra a ligação de Campinas com o sul de Minas, informou que oito animais foram apreendidos nos últimos cinco anos: quatro somente em 2016 e 2017. A reportagem só não conseguiu informações da AB Colinas, responsável pela administração da Rodovia Santos Dumont. A concessionária alegou que não conseguiria fornecer os dados a tempo. Urbanização Para o diretor do Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal (Dpbea), Paulo Anselmo Nunes, o motivo do aumento está diretamente ligado à urbanização dos municípios. Ele explica que as espécies estão perdendo seus habitats naturais por conta das ações humanas. “A redução das áreas verdes é um problema mundial, que está causando um desequilíbrio imenso para os animais (não só os silvestres), que precisam migrar para outras regiões para poder encontrar alimento e um local para viver”, disse o diretor. Nunes ressaltou que existem soluções para o fenômeno migratório. "Algumas medidas que podem ser tomadas são a viabilização de espaços ecológicos, como os corredores subterrâneos ou aéreos, ou intervenções nas vias, capazes de evitar acidentes”, afirmou. Corredor Uma resolução publicada em maio de 2017 definiu a criação e a viabilização de um Corredor Ecológico no Núcleo de Conectividade Santa Genebra, em Campinas. O objetivo do projeto visa unir 19 fragmentos florestais, desde a região da Mata de Santa Genebra até a Fazenda Rio das Pedras, no distrito de Barão Geraldo. Segundo a Secretaria Municipal do Verde, a ligação será feita ao longo de cursos de água, para possibilitar o deslocamento da fauna entre as áreas isoladas, a troca genética entre as espécies e a dispersão de sementes em 750 hectares de área. Até o momento, 249.994 mudas foram plantadas. Elas vão crescer entre dois e quatro anos. Ao final do período, elas se somarão aos outros 1.118 hectares de vegetação natural que já existem no local, que representam 13% da área total do Núcleo. De acordo com a Secretária do Verde, o local será um importante ponto de proteção e conservação para os animais silvestres.

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