reciclagem

Clandestinos 'sufocam' cooperativas

Na semana do meio ambiente, as cooperativas de reciclagem de Campinas dizem estar sendo sufocadas pela atuação de clandestinos

Da Agência Anhanguera
04/06/2019 às 08:03.
Atualizado em 31/03/2022 às 00:47

Na semana do meio ambiente, as cooperativas de reciclagem de Campinas dizem estar sendo sufocadas pela atuação de clandestinos. A denúncia foi feita ontem por Aparecida de Fátima Assis, a presidente da Cooperativa Antonio Costa Santos, localizada no Jardim Satélite Íris II. Segundo ela, há cerca de três meses, o material que vem sendo encaminhado às cooperativas tem diminuído de forma acentuada. "Antes a gente reciclava até 90 toneladas por mês, hoje, não está conseguindo fazer nem um terço disso", afirma. Hoje mesmo (ontem), a gente só tem material para trabalhar até a hora do almoço. À tarde, todo o pessoal vai ter de ir embora para casa por falta do que fazer", acrescentou ela. Aparecida diz que a escassez se deve à atuação de catadores clandestinos, que passam nas residências antes dos caminhões da empresa responsável pela limpeza pública, deixando as cooperativas com cada vez menos material. As cooperativas são abastecidas com o material recolhido pelos caminhões da empresa de limpeza. "Eu acho que está faltando fiscalização", concluiu ela. A Cooperativa Antonio Costa Santos conta com 39 trabalhadores. Em Campinas são 12 cooperativas registradas, com média de 15 trabalhadores cada. O índice de reciclagem ainda é baixo na cidade. Fica em torno de 2% do lixo produzido, segundo estimativa do secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella. De acordo com ele, o problema vem crescendo na medida em que se agrava a crise econômica e não há muito que se possa fazer em relação. "Como é que eu vou proibir uma pessoa de retirar o material descartado na rua?", questiona ele. "Além do mais, esse material está sendo reciclado", pondera. Paulella diz que esse problema só vai ser solucionado quando estiver em operação o sistema de gestão integrada de resíduos sólidos urbanos de Campinas. O negócio, que deverá ser feito por meio de uma PPP (Parceria Público Privada), vai exigir investimentos de aproximadamente R$ 830 milhões. Paulella disse que pretende lançar o edital para a construção do complexo ainda este mês. A chamada "PPP do Lixo" em Campinas prevê a construção de três usinas. Uma delas será de reciclagem. Uma segunda fará a compostagem e uma terceira, de combustíveis derivados de resíduos. Esta última vai trabalhar com material deixado pelas duas anteriores. A primeira fará o reaproveitamento de materiais como papel e plástico; a segunda vai usar lixo orgânico para fazer fertilizante agrícola. E a última irá transformar o lixo restante em carvão combustível para as usinas. De acordo com Paulela, o edital vai exigir que a empresa operadora do sistema entregue o material reciclável às cooperativas. Além disso, vai ser obrigada a oferecer capacitação para os trabalhadores dessas cooperativas. "Eles (investidores), terão de investir R$ 25 milhões em programas de apoio às cooperativas", afirma. O secretário diz ainda que as cooperativas deverão receber material reciclável ainda dentro dos sacos e farão a separação. Dez por cento do material potencialmente reciclável será vendido e 50% dessa comercialização será destinado ao Fundo de Apoio às Cooperativas, que será criado pela Prefeitura. Confira o vídeo:

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