Na semana do meio ambiente, as cooperativas de reciclagem de Campinas dizem estar sendo sufocadas pela atuação de clandestinos
Na semana do meio ambiente, as cooperativas de reciclagem de Campinas dizem estar sendo sufocadas pela atuação de clandestinos. A denúncia foi feita ontem por Aparecida de Fátima Assis, a presidente da Cooperativa Antonio Costa Santos, localizada no Jardim Satélite Íris II. Segundo ela, há cerca de três meses, o material que vem sendo encaminhado às cooperativas tem diminuído de forma acentuada. "Antes a gente reciclava até 90 toneladas por mês, hoje, não está conseguindo fazer nem um terço disso", afirma. Hoje mesmo (ontem), a gente só tem material para trabalhar até a hora do almoço. À tarde, todo o pessoal vai ter de ir embora para casa por falta do que fazer", acrescentou ela. Aparecida diz que a escassez se deve à atuação de catadores clandestinos, que passam nas residências antes dos caminhões da empresa responsável pela limpeza pública, deixando as cooperativas com cada vez menos material. As cooperativas são abastecidas com o material recolhido pelos caminhões da empresa de limpeza. "Eu acho que está faltando fiscalização", concluiu ela. A Cooperativa Antonio Costa Santos conta com 39 trabalhadores. Em Campinas são 12 cooperativas registradas, com média de 15 trabalhadores cada. O índice de reciclagem ainda é baixo na cidade. Fica em torno de 2% do lixo produzido, segundo estimativa do secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella. De acordo com ele, o problema vem crescendo na medida em que se agrava a crise econômica e não há muito que se possa fazer em relação. "Como é que eu vou proibir uma pessoa de retirar o material descartado na rua?", questiona ele. "Além do mais, esse material está sendo reciclado", pondera. Paulella diz que esse problema só vai ser solucionado quando estiver em operação o sistema de gestão integrada de resíduos sólidos urbanos de Campinas. O negócio, que deverá ser feito por meio de uma PPP (Parceria Público Privada), vai exigir investimentos de aproximadamente R$ 830 milhões. Paulella disse que pretende lançar o edital para a construção do complexo ainda este mês. A chamada "PPP do Lixo" em Campinas prevê a construção de três usinas. Uma delas será de reciclagem. Uma segunda fará a compostagem e uma terceira, de combustíveis derivados de resíduos. Esta última vai trabalhar com material deixado pelas duas anteriores. A primeira fará o reaproveitamento de materiais como papel e plástico; a segunda vai usar lixo orgânico para fazer fertilizante agrícola. E a última irá transformar o lixo restante em carvão combustível para as usinas. De acordo com Paulela, o edital vai exigir que a empresa operadora do sistema entregue o material reciclável às cooperativas. Além disso, vai ser obrigada a oferecer capacitação para os trabalhadores dessas cooperativas. "Eles (investidores), terão de investir R$ 25 milhões em programas de apoio às cooperativas", afirma. O secretário diz ainda que as cooperativas deverão receber material reciclável ainda dentro dos sacos e farão a separação. Dez por cento do material potencialmente reciclável será vendido e 50% dessa comercialização será destinado ao Fundo de Apoio às Cooperativas, que será criado pela Prefeitura. Confira o vídeo: