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CNPEM abre seus laboratórios na 10ª edição do ‘Ciência Aberta’

Na última edição realizada no ano passado, 38 mil visitantes compareceram nos dois dias de ação

Mariana Camba/mariana.camba@rac.com.br
31/05/2026 às 10:16.
Atualizado em 31/05/2026 às 10:16

Visitantes participaram de atividades nas áreas de saúde, energia, materiais renováveis, biotecnologia e nanotecnologia (Alessandro Torres)

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) finalizou ontem mais uma edição do evento gratuito “Ciência Aberta”, que no seu décimo ano abriu os laboratórios do Centro para visitação pública e registrou pela primeira vez a presença de uma instituição de ensino estrangeira, do Paraguai. Os visitantes tiveram acesso aos equipamentos científicos, entre atividades interativas desenvolvidas nas áreas de saúde, energia, materiais renováveis, biotecnologia, nanotecnologia e aceleradores de partículas. Na última edição realizada no ano passado, 38 mil visitantes compareceram nos dois dias de ação. 

Neste ano, o primeiro dia de evento (29) foi destinado às excursões e grupos escolares e contou com mais de 15 mil visitantes. Até o fechamento desta edição não foi divulgado o público registrado ontem, data em que o evento foi aberto ao público em geral. No total, estiveram presentes 283 grupos estudantis, sendo a maioria alunos do ensino médio e do Estado de São Paulo com 49,5% dos jovens vindos de escolas públicas. Entre os espaços abertos ao público estava o Acelerador de Partículas Sirius - fonte de luz síncrotron que conta com 14 linhas de luz em funcionamento. 

Com quatro paradas no entorno do acelerador, o público pôde ver de perto exemplos de peças presentes na estrutura do Sirius, além de ter acesso às explicações sobre o seu funcionamento e as suas diferentes atribuições em pesquisas. 

Os pesquisadores e divulgadores científicos presentes no Ciência Aberta atuam no CNPEM e compareceram com o propósito de informar sobre as pesquisas realizadas no Centro de modo que elas possam ser aplicadas em sala de aula e instigar os jovens a sair do sistema tradicional de ensino. As palestras informaram sobre o acelerador e tecnologia quântica e como o Sirius contribui com o trabalho em geologia, saúde e medicamentos, a diversidade como a presente na Amazônia e em biocombustíveis. 

Em um dos estandes, que conta com uma estrutura de bambu repleta de fitas de tecido trançadas umas às outras, a proposta era representar com as diferentes cores os diversos atores responsáveis por fazer a ciência acontecer e chegar na sociedade, como a universidade, hospitais, empresas e instituições. “Estamos aqui na torcida para que a sociedade seja mais humanitária”, pediu Lívia Pires ao garantir a sua contribuição no estande. 

O técnico mecânico, Carlos Eduardo Marques, aproveitou o sábado de sol para levar o filho, Vinícius Marques de 7 anos, para participar do evento, que com muita animação definiu a dinâmica como um momento curioso e maravilhoso. As adolescentes Sophia Iannitti (14) e Isabela Moreira (15) realizaram ontem a primeira visita ao Ciência Aberta que foi motivada pela professora de química da escola. 

Em torno de dez pessoas se reuniram para ver a ciência de um jeito diferente junto das adolescentes. “Estamos curiosas e animadas. Na escola a gente vê muito na teoria e aqui será na prática, por isso esse entusiasmo. É muito conhecimento em um dia só”, celebrou a dupla. 

Segundo o astrônomo, Paulo Sérgio Ramos Filho, sua estreia no evento garantiu uma experiencia única e marcante diante de um dos maiores laboratórios da América Latina, além de entender melhor os estudos e pesquisas que são realizados no espaço. “Pessoas de todas as idades precisam ter contato com a ciência para entender esse conhecimento. A curiosidade é algo que nos leva às estrelas”, ressaltou Paulo. A professora universitária de Sorocaba, Adriane de Medeiros Ferreira, compareceu ao último dia de evento ontem, à frente de uma excursão com os estudantes da Universidade Uniso de Sorocaba. 

“Nós somos da Engenharia Química e da Química Industrial e sempre comentamos sobre o acelerador de partícula. É uma realização estar aqui e poder mostrar ao vivo o que falamos em sala de aula”, comentou Adriane. 

Segundo o diretor-geral do CNPEM, José Roque, o Ciência Aberta se transformou em um evento do calendário de Campinas e do Brasil e que pela primeira vez recebeu, neste ano, alunos de uma escola internacional do Paraguai, o que ressalta o impacto do evento na América do Sul e na conexão de gerações. 

“É importante vermos as pessoas se interessando por ciência em um mundo com movimentos negacionistas. Este espaço envolve diversas empresas brasileiras e conta com tecnologia nacional”, garantiu José. Entre os estandes há o do programa de inovação em saúde, que detalha o desenvolvimento de fármacos, junto à área da nanotecnologia que expõe uma conexão direta com sensores e diagnósticos. 

O segmento de biorrenováveis garantiu explicações sobre o desenvolvimento relacionado ao etanol, como “uma maneira de conectar a ciência e tecnologia com o dia a dia e os grandes problemas”. O Brasil é um dos poucos países do mundo, acrescenta, com um acelerador de quarta geração como o Sirius, considerado um dos equipamentos mais modernos do mundo para análise de qualquer tipo de material, como se fosse um gigantesco microscópio que permite o estudo de organismos vivos e inativos. 

“Em breve teremos a construção do Orion que será um equipamento único no mundo, de Nível de Biossegurança 4 (NB4) e que auxiliará na análise de diversos patógenos em circulação e que demandam esse nível de infraestrutura. O CNPEM está se preparando para fornecer para o Brasil e para o mundo essa instalação que será conectada ao Sirius”, revelou. 

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