falências

Comerciantes preveem aumento de demissões

Ampliação do tempo de restrição das atividades é vista como alarmante pelo varejo e setor de bares e restaurantes da região

Gilson Rei
18/07/2020 às 11:10.
Atualizado em 28/03/2022 às 21:58
   (Cedoc/RAC)

(Cedoc/RAC)

Comerciantes e empresários de Campinas lamentam mais um adiamento da reabertura das atividades não essenciais. Os quatro meses de quarentena já provocaram grandes prejuízos e aumento nos níveis de desemprego e de inadimplência. Representantes do setor estão preocupados com dificuldades de recuperação e novas ondas de fechamento e falências. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes da Região Metropolitana de Campinas (Abrasel RMC) demonstrou sua preocupação com a continuidade das restrições. Por meio de nota informou que "já são quatro meses de quarentena nas cidades da região, impactando fortemente na economia, nos postos de trabalhos, no sustento das famílias e falência de milhares de empresas, que pode aumentar ainda mais nas próximas semanas". Nesta semana, a Abrasel informou que pelo menos 4,5 mil estabelecimentos já fecharam as portas e 22 mil profissionais do ramo foram demitidos na região desde o início da pandemia, volume que representa 36,8% dos postos de trabalho deste segmento. Matheus Mason, presidente da Abrasel RMC, alertou também sobre a demora que haverá para recuperação dos prejuízos. "Os prejuízos acumulados serão recuperados somente em meados de novembro de 2021, quando os estabelecimentos poderão zerar a conta e voltar a ter lucros. Isso, sem considerar o impacto com juros de empréstimos e dívidas acumuladas no período e levando em consideração as melhores estimativas onde o setor voltaria a apresentar aproximadamente 80% de receita no mês de dezembro de 2020", comparou. Mason destacou que o isolamento e a proibição do consumo "in loco" destruíram nesse período dois anos de receitas do setor de alimentação fora do lar, segmento que mais emprega no País e um dos maiores precursores do empreendedorismo. Quedas Os representantes da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) viram com preocupação também o adiamento e alertaram para o retorno rápido das atividades. Dados da Acic mostram que a Região Metropolitana de Campinas (RMC) apresentou uma queda de 22,5% no faturamento em junho deste ano em relação ao mesmo período do ano passado — caiu de R$ 303,6 milhões em 2019 para R$ 235,3 milhões neste ano. As vendas no Dia dos Namorados deste ano, por exemplo, foram 40% inferiores ao verificado no ano passado. Vários são os setores que tiveram perdas no faturamento. As vendas no Turismo e Transportes caíram 74,5%; nos salões de beleza 60,5%; nos bares e restaurantes, 58,2%; no setor de vestuário, 45,7%; na educação, comunicação e diversão 31,6%; nos postos de gasolina 31,25%; nos serviços de autopeças 8,1% e, nas drogarias e farmácias, onde o faturamento vinha subindo até então, a queda foi de 3,48%. A movimentação financeira em junho, em Campinas, foi de R$ 870,6 milhões, contra R$ 1,111 bilhão em junho de 2019, representando um prejuízo de 21,65%. Na RMC foram movimentados R$ 2,097 milhões em junho deste ano, contra R$ 2,645 bilhões em junho do ano passado, registrando uma diferença percentual de 20,71%. No semestre, o prejuízo é semelhante. De janeiro a junho de 2020, as vendas no varejo de Campinas e região acumularam uma perda no faturamento de R$ 3,301 bilhões, cerca de 22,5% em relação ao mesmo período de 2019. Em Campinas, a perda no faturamento chegou a R$ 1,417 bilhões, ou cerca de 22,3% em relação aos seis primeiros meses do ano passado. E-commerce A Acic informou que o comércio se apoia em novas modalidades e terá que buscar mais fôlego neste período. "A maior parte das lojas tem conseguido realizar negócios basicamente pelo incremento das vendas pela internet. O economista Laerte Martins, diretor da Acic, disse que a única saída do momento são as vendas pela internet e os métodos de delivery e drive-thru. "O e-commerce continua sendo o grande destaque para a evolução do comércio digital, acoplado à prática do delivery. Essa dinamização do e-commerce é a maior contribuição que a pandemia pode dar ao comércio digital, pois a expectativa para julho é de que a quarentena continue, o que projeta um mês ainda negativo para o comércio varejista em Campinas e região", analisou.

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