O comércio no Centro de Valinhos não abriu as portas ontem, em cumprimento à decisão tomada segunda-feira pela Prefeitura de recuar a flexibilização

Comércio de portas fechadas é a nova realidade em Valinhos, que autorizou apenas os serviços essenciais (Matheus Pereira/AAN)
O comércio no Centro de Valinhos não abriu as portas ontem, em cumprimento à decisão tomada segunda-feira pela Prefeitura de recuar a flexibilização. A medida de autorizar o funcionamento apenas dos serviços essenciais tem como objetivo conter o avanço da Covid-19 no município e vale por uma semana. Durante esse período, o cenário da doença será monitorado pela Administração, por meio de um comitê gestor. De acordo com a Vigilância Sanitária, o aumento de casos nos últimos dias e a elevada taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) levaram os técnicos da Secretaria da Saúde a optar pela ampliação do isolamento social. Em 31 de maio, Valinhos tinha 174 casos, contra os atuais 359 (aumento de 106%). Na mesma data, eram oito mortes pela doença, contra 16 contabilizadas até ontem. “Ao mesmo tempo, a ocupação dos leitos de UTI pelo SUS na cidade, que oscilava entre 50% e 60% no final de maio, chegou hoje (ontem) a 100%. A saturação ocorre mesmo com uma ampliação desses leitos do SUS na Santa Casa, de 16 para 22, na última semana”, informou a Prefeitura, por meio de nota. Na fase 2 (laranja), na qual está inserida toda a região de Campinas, os comércios de rua podem funcionar das 12h às 16h e shoppings, das 16h às 20h. No entanto, a decisão de aderir à retomada é de cada prefeitura. Segundo a Prefeitura de Valinhos, além do aumento dos casos e da alta taxa de ocupação das UTI, a falta de cumprimento das regras por uma parcela dos comerciantes também foi um fator decisivo para o retrocesso na abertura das lojas. “Nas fiscalizações realizadas em junho, cerca de 100 estabelecimentos foram notificados/autuados por estarem descumprindo as normas técnicas”. A Prefeitura salientou que entende a angústia dos setores produtivos e que partilha de suas preocupações, mas que também está sendo diretamente afetada com a queda de arrecadação. “Até o final do ano, a estimativa é de um rombo de mais de R$ 70 milhões nas contas do município. Porém, a decisão de endurecer o isolamento se baseia em critérios técnicos e tem como objetivo principal evitar o avanço da Covid-19 e salvar vidas”. Comerciantes reclamam Para Emerson Ferrari, presidente da Associação Comercial e Industrial de Valinhos, a medida é ineficaz para evitar a contaminação, por causa da proximidade de Valinhos com as demais cidades da região. Ele disse ainda que enviou um ofício à Prefeitura para cobrar mais leitos para que a reabertura do comércio volte a ocorrer o mais rápido possível. "As pessoas que estão dispostas a fazer compras ou passear vão se deslocar, porque em dez minutos elas estão no centro comercial de Vinhedo e em vinte minutos estão no centro comercial de Campinas. Isso é irrelevante para quem está disposto a fazer compras”, disse ele.