
Aluna da Unicamp que faz as duas refeições no RU: medo do vírus (Ricardo Lima/ Correio Popular)
A morte por covid-19 de uma das trabalhadoras do Restaurante Universitário (RU) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e mais três casos positivos da doença geraram medo entre os demais profissionais que atuam no local. Muitos deles tiveram contato direto com a funcionária que não resistiu às complicações da doença e faleceu no início da tarde de ontem, de acordo com os colegas. Mesmo diante desta situação, nenhuma medida de segurança foi tomada para evitar a contaminação, segundo os profissionais que atuam no local. Eles não quiseram se identificar por medo de represálias. O Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) enviou um ofício para a Reitoria da Universidade, solicitando uma ação urgente para conter a disseminação do vírus no local.
De acordo com o representante dos trabalhadores do RU, a situação é grave. Ele afirmou que os funcionários estão preocupados, desesperados com esse cenário. Os envolvidos, segundo ele, são profissionais terceirizados que são contratados da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp). Com a fase vermelha, os estudantes que se alimentavam no restaurante não estão fazendo as refeições por lá, vão até o local apenas para retirar o alimento. Mas dentro do RU almoçam os profissionais que lá atuam, e isso poderia ter provocado a disseminação do novo coronavírus no ambiente de trabalho.
Os funcionários relataram o medo que sentem diante dessa exposição, mas não quiseram comentar sobre o assunto com receio de serem demitidos. De acordo com o representante, todos estão revoltados com a falta de medidas de segurança. Mas ainda assim, por medo de represálias não podem expor o problema. Desta forma esses profissionais se calam, sem saber o que vai acontecer daqui em diante. Ele chama a atenção para a necessidade de controle da doença com urgência, antes que a situação piore ainda mais.
C. J., 24 anos, estudante do curso de matemática da Unicamp, afirma que não sabia desses casos de covid-19 envolvendo os trabalhadores do RU. Ela busca refeições todos os dias no local, para o almoço e janta. A novidade fez com que ela repensasse sobre as idas ao restaurante. "Fiquei muito preocupada porque tenho uma irmã pequena que tem asma, portanto, grupo de risco. Estou pensando agora em deixar de vir aqui, por segurança. Nós não estávamos sabendo desse caso confirmado da doença. Não sei se vão revelar alguma coisa. Eu sou bolsista, dependo dessas refeições. É uma situação difícil", afirmou.
Por meio do ofício encaminhado à Reitoria da Unicamp, o STU informou que foi notificado sobre o falecimento de uma trabalhadora, copeira, do restaurante II da Universidade, por Covid-19. Apesar de reduzir o atendimento devido à pandemia, o local continua sendo frequentado por trabalhadores terceirizados e alunos. O sindicato solicitou uma ação urgente da Reitoria, para garantir a vida e a saúde dos trabalhadores, que até o momento não receberam a vacina. E pediram transparência sobre a divulgação do número de casos confirmados e suspeitos da doença, que envolvem os que frequentam o restaurante.
Em nota, a Unicamp afirmou que recebeu ontem as informações sobre a contaminação pelo novo coronavírus dos quatro funcionários contratados pela Funcamp, para atuarem no Restaurante Universitário. Ainda esclareceu que esses trabalhadores estão atuando em rodízio de turnos, e que os quatro contaminados estiveram pela última vez no RU no dia 25 de fevereiro. "Tão logo tiveram seus testes para covid-19 positivos, foram afastados de suas atividades profissionais. O primeiro caso foi diagnosticado no dia 12 de fevereiro, e a trabalhadora foi colocada em licença médica. É com extrema tristeza que a FUNCAMP e Unicamp souberam do óbito de uma das trabalhadoras contaminadas, e se solidarizam com as famílias enlutadas".