De acordo com a Aviesp, pelo menos 10% das passagens internacionais foram remarcadas
As agências brasileiras de turismo começaram a sentir o impacto do novo coronavírus na Região Metropolitana de Campinas (RMC). De acordo com estimativa da Associação das Agências de Viagens do Interior (Aviesp), pelo menos 10% das passagens aéreas internacionais compradas na região estão sendo remarcadas. A Europa é o continente que recebe o maior número de pedidos de adiamento. Além da Itália, que é o país do velho continente mais afetado pelo vírus até o momento, outras nações como França, Alemanha, Suíça, Reino Unido, Espanha e Grécia também passam por um momento delicado com o aumento de notificações da doença. Segundo o presidente-executivo da Aviesp, Marcos Antonio Carvalho, a epidemia do coronavírus tem gerado preocupação e dúvidas por parte dos consumidores. “O que nós temos percebido é que as pessoas querem se informar sobre o alcance dessa patologia”, explica. “Quem tem uma viagem marcada para agora está procurando remarcar a data ou optando por mudar o roteiro: trocando o Exterior por um destino nacional. Já quem tem viagem mais adiante (julho para frente) está esperando os desdobramentos para decidir o que fazer”, ressaltou. A preocupação com a possibilidade de contaminação pelo coronavírus está levando artistas campineiros do Corpo de Dança Simone Bosco (CDSB) a cogitar a possibilidade de desistir do sonho de participar do “All Dance Intercontinental 2020” — uma espécie de campeonato mundial de dança. Em julho do ano passado, o grupo conquistou o segundo o 2º lugar na categoria “Danças Populares Brasileiras”, no Festival de Dança de Joinville (SC). O resultado classificou a equipe para a competição internacional, que vai acontecer entre 21 e 26 de abril, em Roma, Itália. A diretora do espaço, Simone Bosco, de 45 anos, explica que a equipe já comprou as passagens — foram 16 ao todo — e que dois voos levariam o grupo para a Itália, nos dias 19 e 20 de abril. A participação no mundial poderia significar uma nova vida para muitas dessas pessoas, já que a equipe é formada, em sua essência, por pessoas de classe média baixa e que nunca sequer viajaram para fora do Estado de São Paulo. “Muitos deles estavam sonhando com essa competição. Fizemos uma vaquinha para poder arrecadar dinheiro e pagar as passagens e agora teremos de conversar com as agências para ver o que vamos fazer”, revelou. Direitos do consumidor De acordo com o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de Campinas, as pessoas que compraram passagens aéreas ou pacotes turísticos com destino a algum país que tenha casos comprovados de pacientes infectados com o coronavírus e quiserem, por precaução, cancelar ou alterar o contrato de viagem sem prejuízos, estão autorizados a negociar sua situação diretamente com seus fornecedores. Caso a negociação não tenha sucesso, o consumidor deve procurar o órgão para registrar a reclamação. “Entendemos que, embora as empresas não tenham culpa do ocorrido, o Código de Defesa do Consumidor reconhece o consumidor como a parte mais vulnerável da relação, devendo, portanto, ser protegido”, explica a diretora do Procon de Campinas, Yara Pupo. Segundo o artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor são direitos básicos do consumidor “a proteção à vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos”. Para poder registrar a reclamação, o consumidor que se sentir lesado deve apenas comparecer a uma unidade do Procon com uma cópia do contrato, documentos pessoais, comprovante de pagamento e eventuais documentos ou protocolos (e-mails) da tentativa de contato com a empresa. Número de casos suspeitos na RMC se mantém em cinco Continua em cinco o número de casos suspeitos do novo coronavírus na Região Metropolitana de Campinas (RMC). Na tarde de ontem, a Secretaria de Saúde de Indaiatuba informou que monitorava a situação de um jovem, de 20 anos, que passou por atendimento no Hospital Augusto de Oliveira Camargo, com quadro leve de febre, tosse seca e coriza. O paciente trabalha no Aeroporto de Viracopos e já foi colocado em isolamento domiciliar de 14 dias. Ele segue em acompanhamento, mas o Governo do Estado descartou o caso como suspeito no começo da noite. Os cinco casos suspeitos estão em Campinas (quatro) e em Valinhos – a cidade investiga uma possível infecção em um rapaz, de 25 anos, que viajou para Israel e Itália e retornou ao Brasil há duas semanas. Ele apresentou sintomas da doença e ainda aguarda o resultado do exame. Em Campinas, a Secretaria de Saúde informou na quinta-feira que os quatro pacientes suspeitos na cidade apresentaram sintomas como tosse, febre, coriza e estiveram nas regiões de risco nos últimos 14 dias. Três deles viajaram para a Itália, enquanto um fez um mochilão pela Europa. Todos eles estão sendo monitorados em suas casas e passam bem. No final de janeiro, Campinas teve um caso suspeito, que foi depois descartado. Os casos foram identificados na quarta-feira, após os pacientes receberem atendimento médico. De acordo com a Pasta, dois deles — um de 27 e outro de 30 anos — foram atendidos em hospital público, enquanto os outros dois (24 e 56 anos) receberam atendimentos em unidade privada. Os exames deles já foram colhidos e encaminhados ao Instituto Adolfo Lutz. A expectativa é que o resultado oficial seja divulgado até o começo da semana que vem. Nenhum dos campineiros desembarcou no Brasil por meio do Aeroporto Internacional de Viracopos, mas, sim, por São Paulo. A Secretaria de Saúde de Americana descartou ontem um possível caso de coronavírus em uma mulher, de 46 anos, que vinha sendo monitorada. A paciente deu entrada no pronto-socorro do Hospital Doutor Waldemar Tebaldi, na quinta-feira, apresentando dificuldades respiratórias e calafrios. Ela informou à equipe médica que havia mantido contato com um campineiro que teria retornado da Itália no dia 16 de fevereiro. A vigilância investigou o caso e descartou a possibilidade de infecção após descobrir que o homem não apresentava os sintomas da doença.