1ª parcela

Coronavoucher: filas e aglomeração

Moradores de Campinas aguardaram mais de cinco horas, ontem, para conseguir informações ou sacar a primeira parcela do auxílio emergencial do governo

Daniel de Camargo
29/04/2020 às 07:48.
Atualizado em 29/03/2022 às 12:59

Moradores de Campinas aguardaram mais de cinco horas, ontem, para conseguir informações ou sacar a primeira parcela do auxílio emergencial do governo — apelidado de coronavoucher — na agência da Caixa Econômica Federal da Avenida João Jorge, na Vila Industrial. Eles encararam uma fila enorme que começou a ser formada por volta da 5h e tinha aproximadamente 150 pessoas perto das 10h. Houve aglomeração, praticamente metade das pessoas não usava máscaras e não era respeitada a distância de, pelo menos, 1,5 metro recomendada pelas autoridades de saúde. Na ocasião, o benefício foi pago para quem abriu a poupança social digital e nasceu nos meses de março e abril. Patrícia da Silva, de 21 anos, moradora do Jardim Campo Belo, foi a primeira a chegar na agência. A jovem saiu de casa pouco antes das 4h. Antes da pandemia da Covid-19, trabalhava cuidando de uma criança das 13h às 16h, de segunda a sexta-feira, para ganhar R$ 250,00 por mês. No momento, está sem renda alguma. Além de realizar alguns trabalhos esporádicos, o popular “bico”, chegou a emprestar dinheiro de conhecidos. A casa é própria e, assim, o dinheiro vai ajudar a se manter no próximo mês. No período tarde, não conseguimos contato com ela para saber se efetuou o saque. Contudo, Marlene Machado, de 66 anos, que era a segunda na fila antes da agência abrir, lamentou ter deixado o local por volta das 14h30 com o bolso vazio. Moradora do Jardim Petrópolis, na região do Ouro Verde, a idosa, que estava acompanhada do marido, de 72 anos, comentou que o recurso está disponível, segundo informado no banco, porém, não foi possível sacar. “Vou tentar transferir para a conta do meu esposo. Caso não dê certo, vou voltar aqui”, comentou. “Está complicado se manter só com o ordenadinho (aposentadoria) dele. Mas Deus vai abençoar e tudo vai passar”, falou com lágrimas nos olhos. Por volta das 10h, Oscar Gomes, de 52 anos, que reside no Jardim Itaguaçu 2, era o penúltimo na fila. Às 15h, informou que ainda havia em torno de 20 pessoas na sua frente e outras 30 depois. Antes da quarentena, trabalhou por um mês como temporário num hipermercado. Tem esperança de voltar a ser chamado para trabalhar lá. Hoje, só a mulher trabalha e o casal tem filhos pequenos para criar. As contas, disse com pesar, estão todas atrasadas. Gomes se mostrou indignado com a situação por estar em meio a uma aglomeração. “Vão sair pessoas contaminadas daqui”, previu. Pela manhã, Fabio Almeida de Souza, de 32 anos, morador do Jardim Leonor, também aguardava atendimento. Solteiro, ele começou a trabalhar em março como garçom. O estabelecimento, porém, não aguentou os efeitos da pandemia e já fechou. “Não deu tempo de me registrarem: saí sem receber nenhum benefício”, revelou. Cearense de Canindé, revelou que não sabia como iria pagar o aluguel deste mês e a pensão de um filho. As principais críticas foram a demora para o atendimento e as dificuldades tecnológicas enfrentadas para baixar o aplicativo ou realizar o cadastro, assim como, para geração de um código autorizador de saque. Luiz Carlos Ribeiro de Carvalho, morador do Jardim São Domingos, de 60 anos, criticou que “nem todos têm um celular bom”. Questionada sobre essas questões, a assessoria de imprensa da Caixa não retornou o contato até o fechamento desta edição. Porém, em nota enviada anteriormente, informou que o cronograma do saque em espécie do auxílio prossegue até 5 de maio. Hoje, recebem os nascidos em maio e junho. Amanhã, em julho e agosto. Na próxima segunda-feira, os nascidos em setembro e outubro., enquanto na na terça-feira, os de novembro e dezembro. “O saque será realizado nos caixas eletrônicos da CEF, nas unidades lotéricas e nos correspondentes CAIXA Aqui, de forma escalonada, de acordo com o mês de nascimento. O calendário do saque em espécie foi instituído com o objetivo de evitar aglomerações nos pontos de atendimento, o que exporia empregados, parceiros e clientes ao risco de contágio da Covid-19”, informou, em nota, a CEF. Foram disponibilizados R$ 3,6 bi para pagamento De acordo com a Caixa, foram disponibilizados ontem mais R$ 3,6 bilhões do auxílio emergencial para 5,1 milhões de beneficiários. Desse total, R$ 2,1 bilhões seriam destinados para 3,26 milhões de elegíveis que se inscreveram pelo aplicativo CAIXA Auxílio Emergencial e pelo site (http://auxilio.caixa.gov.br). Mais de R$ 1,7 bilhão seriam creditados em contas da CEF e em torno de R$ 341 mil em contas de outros bancos. Desde o dia 9 de abril, quando teve início o pagamento do auxílio emergencial do governo, o total de pessoas que tiveram o benefício creditado soma 44,3 milhões, num total de R$ 31,3 bilhões. Dentre os inscritos pelo app/site, 15,2 milhões já receberam o auxílio e totalizarão 18,4 milhões de pessoas com esse novo pagamento. O auxílio emergencial é um benefício financeiro destinado aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais, autônomos e desempregados, e tem por objetivo fornecer proteção emergencial no período de enfrentamento à crise causada pela pandemia da Covid-19.

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Correio Popular© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por