O aposentado Geraldo Bolsonaro Messias, de 89 anos, está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Casa de Saúde de Campinas com diagnóstico de Covid-19. O hospital não divulgou o estado de saúde do paciente

Primo de Jair Bolsonaro, o aposentado Geraldo Bolsonaro Messias, de 89 anos, est? internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Casa de Sa?de de Campinas com diagn?stico de Covid-19 (Importação)
Dos 28 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Casa de Saúde de Campinas destinados aos pacientes contaminados com Covid-19 na cidade, um deles é ocupado pelo primo do presidente Jair Bolsonaro. O aposentado Geraldo Bolsonaro Messias, 89 anos, deu entrada com diagnóstico da doença na UTI do hospital, às 11h do dia 24. Desde então, é um dos mais de 58,6 mil campineiros que foram infectados pelo coronavírus.
O presidente Bolsonaro, desde o início da pandemia, ficou marcado por insistir em negar a eficácia das medidas não farmacológicas, como distanciamento social, uso de máscara e medidas sanitárias de higienização. Ironizou igualmente os recursos farmacológicos como a vacina para o controle e combate à pandemia. O hospital, por meio de assessoria de imprensa, informou que não divulga informação sobre o estado de saúde dos pacientes internados na UTI. O Palácio do Planalto, procurado para comentar o assunto, não deu retorno às ligações.
A história da família Bolsonaro está muito ligada a Campinas. Segundo familiares, outro primo do presidente Bolsonaro, João Carlos Bolsonaro, 81 anos, morreu na cidade na semana passada. A causa da morte não foi confirmada como Covid. Em atestado de óbito, datado do dia 17 de janeiro, às 12h20, consta apenas que a causa morte foi parada cardiorrespiratória. O primo do presidente foi sepultado no Cemitério da Saudade, no dia 18 janeiro.
Familiares
Conforme informações da Casa de Repouso Residencial Geriátrico, Doce Viver, local onde o primo falecido do presidente residiu pelos últimos cinco meses, todos os protocolos de segurança sanitária, como o uso de máscaras faciais, são cumpridos rigorosamente tanto por familiares quanto internos e funcionários.
De acordo com outro familiar do presidente da República, o corretor Daniel Bolsonaro Vaz, 51 anos, o primo falecido na semana passada sofria de Alzheimer. "Ele estava doente fazia já um tempo e vivia em uma casa de repouso no Jardim Chapadão, em Campinas", disse. Daniel afirmou não ter informações sobre o outro primo internado na UTI da Casa de Saúde e disse se preocupar com os avanços de casos de Covid-19 na cidade. "É preciso tomar cuidado", alertou.
O corretor Daniel Bolsonaro, que inclusive disputou as últimas eleições municipais na cidade pelo PSL, é primo do presidente por parte de seu avô materno. "Meu avô Rolando Bolsonaro era irmão do pai do Jair Bolsonaro, o protético Percy Geraldo Bolsonaro. A nossa família é muito presente em Campinas. Muitos vieram do Rio de Janeiro para cidades do interior de São Paulo. A parte da família da minha mãe Lízia Maria Bolsonaro veio de Capivari, e de lá vieram para Campinas. Somos todos primos. E temos mais contato com o Flávio Bolsonaro, até pela circunstância do Jair ser o presidente da República", disse Daniel Bolsonaro.
A história da família do presidente da República em Campinas possui vários outros episódios curiosos. O próprio Jair Bolsonaro possui registro de nascimento em Campinas e viveu a primeira infância em uma casa na Vila Itapura.
Segundo o presidente do PSL em Campinas, André Ribeiro, na época da eleição foi uma surpresa saber dos vínculos da família Bolsonaro com a cidade. "O que eu sei é que existem muitos familiares do presidente na cidade. Até a época da eleição não tínhamos ideia de que a ligação dele com a cidade era tão forte", comentou.
Ele afirmou ainda não ter conhecimento sobre o estado de saúde do primo do presidente internado com Covid-19, e ser totalmente a favor dos cuidados sanitários durante a pandemia. "O presidente é contra, mas nós somos totalmente a favor", posicionou-se.
Família tem forte ligação com Campinas
A história da família do presidente da República com Campinas possui vários outros episódios curiosos. Além de ter sido registrado e ter vivido a primeira infância na cidade, o presidente estudou na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), numa passagem rápida entre 1973 e 1974, quando saiu por ter sido admitido na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), no Rio de Janeiro. No Rio, Bolsonaro se formou, seguiu carreira militar e depois ingressou na política, a partir do final da década de 1980.
O próprio Bolsonaro, duas semanas antes da vitória nas urnas, gravou um vídeo declarando seu amor à cidade de Campinas. Na ocasião, o presidente se autodenominou um "campineiro genérico". Nas eleições de 2018, Bolsonaro recebeu em Campinas 401.284 votos (68,82% do total). O índice percentual foi bem maior que os 55% da proporção alcançada no país, comprovando até então a identificação entre o eleito e os eleitores da cidade.
Os laços do presidente da República com Campinas passam pelos pais, Percy Geraldo Bolsonaro e Olinda Bonturi Bolsonaro, que se casaram na Catedral Metropolitana antes de se mudarem para cidade de Glicério, na região de Araçatuba, onde o presidente efetivamente nasceu em 1955. O registro de nascimento foi lavrado posteriormente em Campinas.
Outro fato curioso entre a família Bolsonaro e a cidade se deu no século passado, cujo bisavô materno do presidente, Carl Hintze, nascido na Alemanha, trabalhou em Campinas vendendo anúncios e assinaturas de um jornal da época chamado 'O Getulino'. A publicação era repleta de reportagens em defesa da comunidade negra.