Suspeita é de que as duas meninas de 3 anos tenham ingerido Rivotril dado por funcionária
A Polícia Civil de Mogi Guaçu investiga uma suposta dopagem com Rivotril de duas meninas de apenas 3 anos, em uma creche municipal, na sexta-feira passada. Uma das crianças chegou a ficar internada por três dias, mas agora ambas estão bem. O caso foi denunciado pelo Conselho Tutelar, após ser acionado por médicos da Santa Casa, que constataram, por meio de exames de sangue, a presença de Clonazepam e 7-Aminoclonazepam. Uma das vítimas ficou três dias hospitalizada. De acordo com os pais, as garotinhas passaram mal no meio da manhã, em momentos distintos, mas próximos. Os pais foram acionados pela direção da creche, sob a alegação de que as crianças haviam passado mal, caído no chão e batido a cabeça. Uma das meninas foi levada ao Posto de Pronto Atendimento (PPA) Parque Ágata pela família. A outra foi socorrida pela escola até o PPA e depois transferida para a Santa Casa, onde ficou internada. A primeira foi liberada após exame de raio X. "Minha filha estava delirando e não andava. Fiquei muito assustada. Ela estava mole e achei muito estranho", contou Tainara Aparecida Tristão, mãe da menina que ficou internada. No hospital, foi feito exame de sangue na filha de Tainara, que constatou a presença de Clonazepam no corpo das crianças. A substância, segundo a Anvisa, é indicada para tratamento de distúrbios epiléticos e síndromes psicóticas. Como Tainara soube no PPA que outra criança teria passado pelo local com os mesmos sintomas, ela avisou o médico, que entrou em contato com a unidade básica e conseguiu o contato dos pais da outra criança. "O hospital nos ligou na segunda-feira e pediu para levarmos nossa filha para fazer exame, e aí descobrimos que tinham dado remédio para ela. Estou muito assustado e não quero que ela volte a escola", disse o pedreiro Renato Alencar Fonseca, de 42 anos, pai da outra menina. As duas garotinhas estudam na mesma sala. Segundo Fonseca, uma funcionária da creche chegou a dizer que as crianças tinham sido drogadas em casa e que foram levadas para a unidade já dopadas. "É muito triste isso. Minha filha é uma menina educada, quieta e agora está muito agitada", disse. "Ela falou que na escola havia dado um suco ruim", acrescentou. A filha de Tainara contou para mãe que passou mal após tomar uma água envenenada dada por uma tia. "Espero que a pessoa que deu remédio para as crianças seja punida. Não quero dinheiro, fama. Quero justiça, pois ela fez um ato sério", disse Tainara, que admite que a filha é agitada e muita ativa, já que faz natação e capoeira e não gosta de dormir durante o dia. Vídeos gravados pelos pais das crianças no dia em que foram dopadas mostram as garotinhas cambaleando enquanto eram amparadas na unidade de saúde. O caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Em nota, a Secretaria de Educação informou que se reuniu com as mães das duas crianças e "já está de posse dos documentos (boletins de ocorrência e laudos) sobre os fatos narrados na sexta-feira". "Por medida cautelar, a Secretaria de Educação solicitou a abertura de sindicância e pediu o afastamento de três funcionárias da unidade escolar até que todos os fatos sejam devidamente apurados", destaca o texto. Ontem pela manhã, diversas mães que souberam do caso foram à Santa Casa na tentativa de fazer exame de sangue nos filhos que estudam na escolinha, mas os médicos informaram que a substância só pode ser detectada no sangue até quatro dias após ser ingerida. Pediatra cita os riscos do medicamento Para o pediatra do Centro Médico São Camilo-Vera Cruz, Antonio Carlos Girotto Júnior, dopar uma criança sem conhecimento dos pais ou orientação médica é crime. Segundo o especialista, não é rotina o atendimento de crianças dopadas em creche em prontos-socorros, mas se os pais tiverem comprovação do fato, devem denunciar à polícia. “O Rivotril é um sedativo que deprime o sistema nervoso central e só pode ser usado com receita. Não existe risco de morte, mas a criança pode sofrer algum acidente quando estiver sob efeito da droga sem orientação médica”. Segundo Girotto Júnior, o Ritrovil é usado no tratamento de algumas doenças em crianças, como distúrbio de ansiedade, de pânico e convulsão. Causa sonolência, tonturas, dor de cabeça, irritabilidade e falta de equilíbrio. Esses sintomas não são permanentes e duram entre 12 e 18 horas. “Se a criança for saudável e ingerir com frequência esse remédio, pode causar depressão respiratória e até entrar em coma por um certo período, mas tudo depende da dose. O intrigante é que esse remédio só é vendido com receita”, disse.