As alterações tem o intuito de uniformizar, agilizar e ampliar as investigações no combate ao crime

(Cedoc/RAC)
Após 60 dias no cargo, o delegado José Henrique Ventura, que está à frente do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 2 (Deinter 2), afirma que já implantou quatro mudanças no sistema de funcionamento da Polícia Civil em Campinas que uniformiza, agiliza e amplia as investigações no combate ao crime. São elas: a transferência do Cepol; a criação de uma equipe do serviço de inteligência no para o departamento; a transferência da função de escolta de presos do Garra para carcereiros e a criação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O Deinter-2 é responsável por cinco seccionais (duas em Campinas, uma em Jundiaí, Bragança Paulista e Mogi Guaçu), abrange 49 municípios que somam uma população de cerca de 3,5 milhões de habitantes e conta com 109 delegacias. O balanço dos trabalhos realizados nos dois primeiros meses de seu comando foi apresentado nesta semana durante visita ao Correio Popular. Em entrevista exclusiva, Ventura falou dos desafios e dos projetos de mudanças e ressaltou o trabalho conjunto com a Polícia Militar (PM), Guarda Municipal (GM) e setores públicos e instituições privadas, para o combate ao crime. "Nós, em Campinas, graças a Deus, trabalhamos polícia Civil e Militar e Guarda Municipal o tempo todo. E isso acaba um suprindo a falta de alguém do outro. Então essa é uma parceria que tem dado certo" , frisou. A primeira mudança implantada foi a transferência do Cepol, que ficava na 1ª Delegacia Seccional para o prédio do Deinter. A intenção foi uniformizar os procedimentos usados em uma ocorrência, de forma, segundo Ventura, que as informações fosse disponibilizada para toda a polícia. Este Cepol coordena a parte de comunicação da polícia e abrange as cinco seccionais. "Antes, as informações ficavam perdidas e ninguém sabia o retorno dos pedidos. Agora, há um formulário único que é preenchido de forma igual por todos. Então, cada um vai ter a comprovação da solicitação que fez e também o retorno dela" , disse o delegado. A segunda mudança foi a implantação de uma equipe de inteligência, para subsidiar nas investigações das seccionais e unidades. De acordo com Ventura, essa equipe, coordenada pelo delegado Renato Lauer, vai dar suporte aos investigadores nas apurações. "Muitas vezes as unidades não têm, por exemplo, condições de determinadas coisas que precisam, como interceptação de ligações, levantamento de locais. Então essa equipe, que está centralizada no departamento, vai auxiliar as investigações. As interceptações telefônicas precisam de ordem judicial, então essa equipe vai solicitar. Essa equipe não vai tirar o poder nas investigações de casa delegacia. Ao contrário, dará mais sustentação" , frisou. Nos dois casos, segundo Ventura, foi montando equipes com o remanejamento de funcionários, sem que prejudicasse as unidades. Outra mudança dentro da Polícia Civil foi a criação do grupo de escolta de presos em flagrantes, que até então era feita pelo Garra. Este grupo foi formado por carcereiros que estavam lotados em áreas administrativas. Com a retirada da função, o Garra passou a participar de operações montadas pela corporação. "O Garra é um grupo de elite, para fazer a polícia preventiva especializada. Em Campinas há muitas escoltas de presos, especialmente na área da 2ª Delegacia Seccional. O Garra era consumido nesta área e agora está liberado para participar das grandes operações que já estamos fazendo" , disse Ventura. Por fim, uma das mudanças mais significativas, foi a criação da DHPP. Até então, havia o Setor de Homicídios (SHPP) e as investigações ligadas a homicídios, feminicídios e lesões corporais eram feitas pelas delegacias, com apoio do SHPP. Ventura enviou um ofício à Secretaria de Segurança Pública (SSP) solicitando a implantação da DHPP e mesmo sem a autorização da Pasta, desde o início de setembro, as investigações destes tipos de crimes foram centralizados no SHPP. "Campinas é uma metrópole de 1,2 a 1,3 milhão de habitantes. Campinas até hoje tem um Setor de Homicídio. Este Setor não estava estruturado para acompanhar o homicídio desde o fato até o término do inquérito. Ele dava assistência as unidades. Iam no local e faziam um relatório e mandavam para o distrito da área. Agora ele fará tudo de homicídio. Enquanto o governo não autoriza a criação da delegacia, estamos com um setor que atende, instaura, toca o inquérito, relata e manda para o fórum" , disse o delegado. Quadro reduzido de funcionários O Delegado do Deinter-2, José Henrique Ventura, admite a falta de funcionários nas delegacias, mas garante que o baixo número de policiais não prejudica o atendimento. Entretanto, ele frisa que o quadro reduzido de funcionários sobrecarrega as equipes. "A gente até brinca o pessoal tem que se desdobrar para fazer o atendimento, mas o serviço tem que ser feito. Tivemos muitas baixas na polícia no ano passado em razão das mudanças na previdência, mas o governo está repondo. Tem um pessoal do último concurso que já está fazendo curso na academia e logo estará trabalhando" , disse. Um levantamento feito pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) junto ao Serviço Integrado de Informações ao Cidadão (SIC.SP), revelou que faltam 95 policiais civis somente na 1ª Delegacia Seccional de Campinas. A defasagem nas carreiras é de 12 investigadores, 52 escrivães, 11 agentes policiais, um agente de telecomunicação, dez auxiliares de papiloscopista e três papiloscopistas. Os carcereiros somam onze cargos extintos. Na 2ª Delegacia Seccional, o déficit é de 151 policiais civis. Desses cargos vagos, oito são de delegado. A defasagem nas outras carreiras é de 54 investigadores, 35 escrivães, 15 agentes policiais, seis agentes de telecomunicações, sete auxiliares de papiloscopista e cinco papiloscopistas - profissão que, de acordo com o levantamento, está zerada na Seccional. Os carcereiros somam 21 cargos extintos.