Só quatro pessoas são ouvidas sobre protesto que destruiu plenário em agosto
A Corregedoria da Câmara de Campinas ouviu ontem os pais de quatro adolescentes que participaram da manifestação que terminou em quebra-quebra do plenário em agosto. Os depoimentos, porém, ficaram aquém do esperado e os vereadores não obtiveram dos pais indícios de que algum parlamentar, funcionário ou assessor da Casa tenham participado do vandalismo naquele dia. Esse envolvimento é o foco das apurações da corregedoria. Os pais também negaram que os filhos tenham sido induzidos por outras pessoas, como supôs a corregedoria inicialmente.“Perguntamos quem liderou esse movimento. A maioria disse que os filhos participavam das manifestações pacíficas que aconteciam desde junho, como cidadãos”, disse o presidente da corregedoria, Cidão Santos (PPS). Ao todo, 30 menores de idade participaram do protesto, mas apenas 17 cartas foram entregues chamando os pais a depor — eles não são obrigados a comparecer. O restante, segundo a assessoria, não foi encontrado porque os endereços fornecidos pelos jovens no boletim de ocorrência, registrado na delegacia no dia da manifestação, são falsos. Assessores deverão procurar novamente, agora por telefone, os que não apareceram. A nova reunião está marcada para a próxima quarta-feira.Os responsáveis pelos menores — três mães e um pai — chegaram à Câmara por volta das 15h de ontem e o interrogatório individual terminou às 17h30. Eles não quiseram falar com a imprensa e saíram do prédio por um caminho alternativo para não serem filmados ou fotografados. Um adolescente que participou da manifestação também compareceu de forma espontânea, mas foi informado que somente os pais seriam ouvidos naquela tarde.Cidão Santos não quis citar nomes, mas disse que depoimentos de seis vereadores revelaram indícios de que parlamentares e assessores estão envolvidos na manifestação. A ocupação do plenário ocorreu no dia 7 de agosto, por cerca de 140 pessoas. Parte delas, encapuzadas, quebraram móveis e equipamentos de som. O prejuízo está estimado em R$ 25 mil. Todos que foram levados à delegacia estão sendo processados pela Câmara por danos materiais.O principal alvo da corregedoria é Paulo Bufalo, do PSOL. Isso porque o movimento teve participação maciça de vários militantes do seu partido. Entre eles, a suplente e ex-vereadora Marcela Moreira, que também foi parar na delegacia. Além disso, Bufalo foi visto transitando no plenário durante a manifestação. Porém, não há qualquer indício de que tenha organizado o ato ou motivado as ações mais violentas. O petista Pedro Tourinho também é alvo dos parlamentares por sua possível proximidade com os jovens. Os dois chegaram a ir até a delegacia para acompanhar o registro dos boletins de ocorrência.Segundo Cidão, serão chamados para depor na semana que vem Marcela Moreira e o presidente do diretório municipal do PSOL — e candidato a prefeito ano passado —, Arlei Medeiros. Marcela chegou a usar um megafone para liderar o ato no plenário. “Decidimos chamar os dois justamente porque eles foram vistos participando da manifestação”, disse.Em declarações anteriores, os dois disseram que não apoiam atos de vandalismo, mas consideram válido o protesto na Câmara. Eles também afirmaram que o movimento foi liderado por grupos punks e anarquistas. JovensUma das integrantes do Conselho Municipal de Direitos Humanos, Magali Mendes, esteve presente para acompanhar os pais na audiência. “Recebi a notícia de uma mãe que se disse preocupada com o que poderia acontecer aqui. Ressaltamos que, do nosso ponto de vista, esse é um papel do Judiciário.” Sua entrada, porém, não foi permitida e ela acompanhou a reunião do lado de fora.A decisão da corregedoria de ouvir os menores partiu do pressuposto de que, por serem adolescentes, teriam sido induzidos por outras pessoas a participarem do protesto, o que não foi confirmado pelos pais que depuseram.Na semana passada, quando anunciou que os pais seriam chamados, o vereador Marcos Bernardelli (PSDB), que integra a corregedoria, afirmou que a proposta não é mover ações judiciais (por danos materiais) contra os adolescentes, por supostamente, terem sido manipulados por outras pessoas. As ações, no entanto, já foram movidas pela Procuradoria da Casa.