covid-19

Desigualdade colabora para o avanço na periferia

Para a pesquisadora, essa tendência seria minimizada se as populações mais vulneráveis tivessem condições de responder às medidas de saúde pública

Da Agência Anhanguera
correiopontocom@rac.com.br
26/05/2020 às 11:16.
Atualizado em 29/03/2022 às 10:45

Estudo divulgado pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) mostra que a desigualdade social é um dos principais fatores para que o alastramento da Covid-19 passe a ocorrer no sentido Centro-Periferia, como tem se mostrado na cidade. Segundo a professora do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da universidade, Maria Rita Donalisio Cordeiro, fatores como o trabalho informal e a precariedade em saneamento básico dificultam as estratégias de proteção e de isolamento social. No último boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde, divulgado no dia 23, a expansão dos casos da região central para regiões periféricas do Município continua de maneira acentuada, sendo que a região Sudoeste apresentou um aumento de 88,5% no número de casos, seguida da região Noroeste com 79% de aumento. "Os modelos matemáticos mostram que, nesse momento, com essa expansão, aumenta a velocidade de disseminação da doença. Porque são populações vulneráveis, são trabalhadores informais, indivíduos que moram em moradias precárias, com saneamento básico insuficiente, com condições de vida mais precárias, o que os deixam vulneráveis", disse a professora, em declaração feita à Assessoria de Imprensa da Unicamp. Uma das pesquisadoras dedicadas às análises epidemiológicas da Covid-19 em Campinas e que são publicadas periodicamente nos boletins produzidos em conjunto com a Prefeitura, Maria Rita também chama a atenção para o informe divulgado há uma semana, que dá destaque para as mortes de menores de 60 anos entre residentes de áreas de muito alta vulnerabilidade social. "A gente vê a disseminação progressiva das mortes e das doenças para a periferia. Semana a semana houve aumento de número de casos e chegada de casos fatais nessas regiões. Isso gera muita preocupação porque a velocidade da transmissão e da subida da curva aumenta", afirma Maria Rita. Para a pesquisadora, essa tendência seria minimizada se as populações mais vulneráveis tivessem condições de responder às medidas de saúde pública de proteção individual, como a lavagem de mãos e o uso de máscaras, e de isolamento social. Além disso, lembra, é preciso que sejam adotadas medidas pelo poder público, como salários emergenciais, por exemplo. Esse tipo de medida, no entanto, não está sendo suficiente, nem ocorre na rapidez necessária. "É impossível a gente pensar num isolamento social eficiente sem um apoio do governo, sem um apoio na forma de recursos, de repasses, para assegurar a subsistência dessa população até a passagem dessa pandemia", avalia. A´pesquisadora lembra ainda que é fundamental o fortalecimento de estrutura públicas de saúde, como o SUS (Sistema Único de Saúde) "Apesar das dificuldades, dos cortes de recursos, da precariedade às vezes do seu funcionamento, ele é uma porta de entrada nos quatro cantos do país. São equipes que recebem essas pessoas com sintomas, que conseguem dar alguma resposta às populações que dependem unicamente do SUS, embora a gente tenha acompanhado um verdadeiro desmonte dele", avalia. A professora diz que as desigualdades acabaram evidenciadas durante a pandemia e por causa disso, faz um alerta. Diz que talvez esse seja o momento de se refletir sobre o modelo de sociedade em que vivemos, em que a concentração de renda é acentuada. Ela se mostra preocupada, por exemplo, com o momento em que surgir uma vacina para essa doença.. "Há uma corrida para a vacina ou para um medicamento. Será que a gente vai garantir que essa vacina seja colocada com acesso universal? Será que a gente vai garantir essa cooperação e solidariedade no acesso das populações mais pobres a esse recurso?", questiona. (Com informações da Assessoria de Imprensa da Unicamp)

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