CAMPINAS

Diferença no preço de genérico varia até 1000%

Pesquisa realizada pelo Procon-Campinas mostra variação absurda no preço dos medicamentos

Adriana Leite
17/05/2013 às 08:22.
Atualizado em 25/04/2022 às 15:44
Josiane confere preço de remédio: ela já encontrou diferenças até mesmo nas farmácias populares (Érica Dezonne/AAN)

Josiane confere preço de remédio: ela já encontrou diferenças até mesmo nas farmácias populares (Érica Dezonne/AAN)

Antes de comprar um medicamento genérico em Campinas, o consumidor deve pesquisar bastante para evitar prejuízo. Levantamento da Fundação Procon e do Procon-Campinas revela que a diferença nos preços pode ultrapassar 980%. Nos medicamentos de referência (de marca), a variação chega a quase 67%.

O paracetamol (genérico) em frasco de 15 mililitros, por exemplo, tem custo entre R$ 1,05 à R$ 11,44. Ou seja, o consumidor corre o risco de pagar R$ 10,39 a mais pelo mesmo produto dependendo da farmácia que escolhe para comprá-lo.

Outra discrepância verificada no levantamento, que foi feito em 10 drogarias com uma lista de 58 produtos (29 de referência e 27 genéricos), é o valor da amoxicilina (Amoxil) – Glaxosmithkline de 500 miligramas em embalagem de 21 cápsulas, encontrada por entre R$ 35,21 e R$ 58,68 - diferença de R$ 23,47, acima de 66%.

O objetivo da pesquisa é despertar no consumidor o hábito da pesquisa de preços e também servir como referência da política de custo dos medicamentos.

Na comparação entre genéricos e de referência, os primeiros custam em média 48,03% menos. A pesquisa foi feita entre 29 e 30 de abril.

A diretora do Procon-Campinas, Lúcia Helena Magalhães, afirmou que a variação de preços de medicamentos reforça a necessidade da pesquisa de preços.

“Não há tabelamento, apenas uma lista de produtos com valores máximos estipulados pelo governo. O mercado define os preços ao consumidor, mas há empresas que abusam. Uma diferença de quase 1.000% no preço do paracetamol é um exagero”, disse.

Ela lembrou que mesmo entre farmácias de uma mesma rede pode haver diferenças nos preços. “A pesquisa serve como base de orientação do consumidor e está à disposição no site do Procon-Campinas.

Lúcia Helena afirmou que, além do preço, os consumidores devem ficar atentos a outros detalhes, como prazo de validade. Ela observou é proibido diferenciar valores na aquisição realizada no cartão de crédito.

“O comerciante não pode cobrar a mais do consumidor que pagar no cartão de crédito. O valor deve ser o mesmo da venda à vida ou no cheque”, afirmou.

Mercado

Os consumidores estão mais atentos às variações de preços nas farmácias. “Sempre faço pesquisa antes de comprar qualquer medicamento. Hoje (ontem) mesmo encontrei um mesmo produto por R$ 60,00 numa farmácia e em outra, do outro lado a rua, estava por R$ 57,00”, contou a recepcionista Tamires Oliveira Cabral.

A também recepcionista Josiane Martins de Sousa reclamou que mesmo nas farmácias populares há diferenças de preços. “Não pesquiso todos os produtos que compro, só os dos remédios mais caros. Também tenho o hábito de buscar pelas farmácias populares, mas já encontrei várias vezes diferenças de preços de uma para a outra”, disse.

O ajudante geral Saulo Alves Virginio afirmou que estáaprendendo a fazer pesquisa de preços de remédios.“Nunca meimportei muito com isso, euentravanuma farmácia e comprava o que precisava comprar. Agora estou mais atento aos preços”, comentou.

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