avanços e demandas

Distrito caçula, Campo Grande cobra serviços

É um dos maiores distritos da cidade, com seus 200 mil habitantes, espalhados por bairros conhecidos, como Jardim Garcia, Vila Castelo Branco e Jardim Florence

Carlãozinho Lemes
25/11/2017 às 21:34.
Atualizado em 23/04/2022 às 00:29
Campo Grande é uma das maiores regiões de Campinas e conta com bairros conhecidos, além de outros mais novos e que ainda precisam de estrutura (Leandro Torres)

Campo Grande é uma das maiores regiões de Campinas e conta com bairros conhecidos, além de outros mais novos e que ainda precisam de estrutura (Leandro Torres)

Agora chegou a vez dos distritos “caçulas” de Campinas, nesta série de reportagens que o Correio Popular vem publicando aos domingos. Vamos passear pelo Campo Grande, criado por plebiscito popular em 5 de outubro de 2014. É um dos maiores distritos da cidade, com seus 200 mil habitantes, espalhados por bairros conhecidos, como Jardim Garcia, Vila Castelo Branco e Jardim Florence. No entanto, o distrito do Campo Grande também inclui bairros mais novos, menos conhecidos pela população da cidade em geral, e que ainda são bastante carentes em termos de infraestrutura e serviços essenciais, como é o caso de Chácaras Cruzeiro do Sul, Jardim Sul-América e Residencial Colina dos Nascentes. Sendo assim, é natural que, embora reconheçam que a elevação à categoria de distrito trouxe inegáveis vantagens, como a instalação de um Agiliza Campinas por lá, diversos moradores dizem ter muito que reclamar. É o caso, por exemplo, do pintor Romildo Pedro da Silva, de 52 anos. “Eu nasci em Apucarana, no Paraná, mas moro aqui no Campo Grande há uns 30 anos. E garanto que gosto muito daqui. Mas que temos problemas, não dá pra negar, né? Primeiro, falta segurança adequada, pois sempre há assaltos a ônibus.” Outra queixa do pintor é em relação ao atendimento público em saúde. “Até temos um hospitalzinho por aqui, só que quase sempre há falta de médicos e a marcação de consultas e outros procedimentos costuma demorar demais.” O “hospitalzinho” a que Romildo se refere é o Pronto Atendimento (PA) Campo Grande Doutor Sérgio Arouca. A unidade, que atende, em média, 350 pacientes por dia, entre urgências e emergências, clínica médica e pediatria, existe desde 2008 (antes, portanto, da criação do distrito). No ano passado, o PA passou por reformas, para contornar problemas estruturais, como no teto, que permitia a entrada de poeira, acarretando riscos de contaminação do ambiente. Também as partes elétrica e hidráulica receberam manutenção e foram revistas as disposições das salas de emergência, de observação, ampliada a sala de radiologia e de hidratação, a recepção foi reformada e o prédio foi beneficiado com paisagismo. Romildo reconhece todas essas melhorias, porém, insiste: “Ainda assim, a falta de médicos e de uma maior agilidade na marcação de consultas continuam a ser um transtorno pro nosso distrito”. Mas acaba dando uma aliviada: “Claro que não podemos ignorar que a saúde pública em todo o País está uma penúria... não haveria mesmo como por aqui ser diferente, né?”.   Pedidos vão de lombada a mais bancos Trabalhar de sol a sol é mais do que simplesmente uma figura de linguagem para Luana Soeiros, de 30 anos. Desempregada há bastante tempo, ela se vira, no Jardim Maracanã, como guardadora de carros nas avenidas mais movimentadas do bairro. “Nasci aqui e sempre senti falta de mais áreas verdes. Agora, que tenho que me expor todos os dias, é dureza aguentar o tranco com pouquíssimas árvores que ofereçam um pouco de sombra. E, para piorar a situação, nem há bebedouros públicos de água por aqui, e a gente tem que calçar a cara e pedir a caridade do pessoal do comércio.”   Luana faz questão de fazer mais uma reivindicação: mais semáforos ou lombadas nas avenidas. “Como a gente ‘trampa’ na rua, é um perigo constante de atropelamento. O trânsito por aqui já está bem intenso e acho que isso justifica algum cuidado no sentido de garantir mais segurança”. José Gomes nasceu há 43 anos em Palmital, cidadezinha paulista na divisa com o Paraná, e com 6 anos mudou-se com a família para o atual distrito do Campo Grande. Há 5 anos abriu a concorrida bomboniere Sonho Doce. “Como homem do comércio, o que mais sinto falta por aqui é de uma boa quantidade e variedade de agências bancárias. Isso é ruim por dois bons motivos: quando preciso fazer um serviço bancário mais complicado, tenho que me deslocar por quilômetros; além disso, essa carência acaba penalizando a própria economia do distrito, pois muita da grana gerada aqui acaba não circulando aqui. Não é preciso ser economista pra perceber o quanto isso é negativo”, reclama. Subprefeitura criada em 2016 Elevado à categoria de distrito por plebiscito popular em 5 de outubro de 2014, o Campo Grande é uma das maiores regiões de campinas, possuindo 200 mil habitantes em 70 bairros. A região, a Noroeste do Centro de Campinas, é inserida na macrozona 5, delimitada por um trecho da Rodovia dos Bandeirantes até próximo ao trevo do Campinas Shopping (no Jardim do Lago), e pela Rodovia Santos Dumont até o Rio Capivari, incluindo o Aeroporto Internacional de Viracopos. Alguns bairros carecem de serviços públicos, infraestrutura e saneamento básico. É um distrito localizado em região periférica, a aproximadamente 15 km do Centro da cidade. A região tem crescido bastante em recursos e conta com um dos maiores shopping centers da cidade (Parque das Bandeiras), uma das principais faculdades de medicina (PUC) que fica ao lado do Hospital e Maternidade Celso Pierro. Em 14 de maio de 2016 foi inaugurada a Subprefeitura do Campo Grande. Tanto esta como a Subprefeitura do Ouro Verde, inaugurada em 30 de abril de 2016, surgiram da modernização administrativa da cidade, que passou a contar com os dois novos distritos. A Subprefeitura do Campo Grande conta com uma equipe fixa de cerca de 70 profissionais, 20 caminhões e maquinário para atuação específica na manutenção da região. Tudo para agilizar os serviços de manutenção e limpeza das ruas, praças, bocas de lobo, galerias de água, jardinagem, podas de árvores e outros serviços. Também foi disponibilizado à população o Agiliza Campo Grande, onde são oferecidos serviços da Sanasa, Procon, Porta Aberta, Vigilância em Saúde, Emdec, Secretaria de Urbanismo, CPAT, o serviço 156, conferência e protocolo de documentos, e o Programa Juventude Conectada. Diariamente, ao menos 300 pessoas passam pelo Agiliza.

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