INAUGURAÇÃO

Distrito dá mais espaço a bicicletas

Ciclovia de 1,9km de extensão liga pontos importantes do distrito, mas expõe algumas polêmicas

Francisco Lima Neto/AAN
13/04/2019 às 11:15.
Atualizado em 04/04/2022 às 09:55

A Prefeitura de Campinas entregou na manhã de ontem o sistema de ciclovias do Distrito de Barão Geraldo. Ele tem 1,9km de extensão, ligando o Terminal Barão Geraldo até a moradia estudantil. No entanto, moradores reclamam de falhas na estrutura e um jornaleiro teme que o sistema decrete a falência de sua banca. A ciclovia passa por diversos pontos, como terminal urbano, escolas estaduais, municipais e particulares, espaços de cultura, diversos pontos comerciais, áreas residenciais, postos de serviços públicos, campus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e moradias de estudantes. Segundo a Administração Municipal, foi aplicado o conceito de sistema cicloviário elaborado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), de integrar a bicicleta como modal de transporte para pequenos deslocamentos, aliado ao deslocamento maior, feito pelo transporte público. “Nós criamos o Plano Cicloviário de Campinas, por meio de Lei (Municipal). Um Plano que tem começo, meio e fim. Nós temos uma meta a ser atingida, um compromisso com a população. E, mesmo com muitas dificuldades, estamos caminhando nesse propósito”, discursou o prefeito Jonas Donizette (PSB), durante a inauguração. A Emdec também promoveu a revitalização de ciclovias e ciclofaixas que já estavam implantadas na região, como a da Avenida Atílio Martini, implantada em 2007. Elas são ramificadas com a ciclovia de Barão Geraldo. O custo da obra foi de R$ 315,9 mil. “Esse é mais um sistema cicloviário do município, integrado ao modal de transporte por ônibus. O objetivo é proporcionar o deslocamento por bicicleta, no chamado ‘last mile’, ou a última milha, como modal complementar ao ônibus”, enfatizou o secretário de Transportes e presidente da Emdec, Carlos José Barreiro. No entanto, o sistema não deixou todo mundo satisfeito. Alguns moradores apontam que o piso da ciclovia está desgastado e com pedras aparentes em alguns pontos, ao longo da Avenida Albino José Barbosa de Oliveira e que apenas uma pintura foi feita por cima. Além disso, em outro local, há água empoçada e, em outros pontos, há desníveis. A situação, mais emblemática é a da tradicional Banca Central, que fica na Avenida Santa Isabel. Um trecho da ciclovia passa exatamente na frente do comércio. O que impede que motoristas parem no local. Ainda durante a implantação da ciclovia, Antonio Prado Filho, dono da banca, oficiou a Emdec, pedindo que ela não passasse no local, mas não recebeu retorno. Ele é dono da banca há 23 anos, sendo que o antigo dono já a possuía por duas décadas. O medo dele é ser obrigado a fechar as portas. "Somos a única banca da cidade que fica aberta até a meia-noite. Mas agora não pode mais parar carro aqui. Quem vai parar o carro longe onze horas da noite pra vir aqui?", questiona Filho. De acordo com ele, a banca realiza de 400 a 500 atendimentos por dia. "Olha como está tudo parado aqui agora. Vou ter que fechar. Já estou vendo. (A ciclovia) Está me asfixiando", reclama. “Eu vivo da conveniência. Se as pessoas não puderem parar aqui, elas vão procurar outros lugares”, avalia Filho. Outra reclamação é que logo depois da banca de jornais, a ciclovia passa por cima da calçada para continuar na Rua Maria Luiza Buratto Páttaro. O receio é que acidentes aconteçam entre ciclistas e pedestres. Além disso, na esquina entre a Avenida Santa Isabel e a Rua Maria Luiza Buratto Páttaro, há uma passagem para carros por cima da ciclovia. A assessoria de imprensa da Emdec respondeu que a ciclovia de Barão Geraldo foi construída em pavimento rígido de concreto, no meio do canteiro central das vias. Já as ciclofaixas e ciclorrotas implantadas, ou que foram revitalizadas, estão no viário já existente (asfalto), utilizando o compartilhamento da via com os demais veículos, com a demarcação do espaço para as bicicletas por sinalização horizontal (pintura no solo). “A rota foi estabelecida com o objetivo de atender o maior número de ciclistas e pontos de interesse possíveis, tendo como eixos principais o Terminal Barão Geraldo, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Moradia Estudantil. Além disso, é importante destacar que o viário principal deve ser usado, democraticamente, por todos. E não como estacionamento privado. No entorno do comércio, há diversas vagas de estacionamento regulamentadas”, conclui. Sistema cicloviário O sistema cicloviário do município deve ter mais de 180km de ciclovias, nas diversas regiões. O sistema será articulado com os principais eixos do transporte. A bicicleta é indicada para deslocamentos curtos, com raio em torno de 5km. O conceito de “last mile”. Com velocidade média de 15 km/h, o tempo médio do percurso fica em 20 minutos. Diferentemente das ciclofaixas, as ciclovias são espaços totalmente segregados do tráfego comum, sendo mais seguras para os deslocamentos. Com o novo trecho entregue, Campinas acumula quase 30 km de ciclovias. A Administração municipal já entregou a ciclovia de Barão Geraldo (1,9 km); a ciclovia da Avenida Washington Luiz (1,4 km), interligada à ciclovia da Avenida Baden Powell (2,3 km); três trechos de ciclovias no Distrito de Nova Aparecida (2 km); ciclovia na Avenida Theodureto de Almeida Camargo (1,6 km); ciclovia na Avenida José de Souza Campos, a Norte-Sul, (1,3 km); e ciclovia na Avenida Isaura Roque Quércia, continuação da Mackenzie, (6,7 km).

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