Doação de R$ 400 mil vai permitir retomada dos trabalhos de restauro na cúpula do templo

Doação de R$ 400 mil vai permitir retomada dos trabalhos na cúpula do templo (Leandro Ferreira/AAN)
As obras de restauro da Catedral Metropolitana de Campinas serão retomadas até o final do mês, depois de ameaças de paralisação por falta de recursos. Uma doação de R$ 400 mil — o doador pediu anonimato — vai permitir que os trabalhos possam avançar na cúpula da igreja que sustenta a imagem de Nossa Senhora das Graças. O recurso doado não será suficiente para bancar o custo dessa fase, estimado em R$ 1 milhão, mas permitirá o início da etapa, enquanto permanece a busca por mais verbas. Com a conclusão da recuperação da fachada principal e a retirada de parte dos andaimes, o maior patrimônio cultural da cidade chama a atenção de quem passa em frente da Catedral. O arquiteto Ricardo Leite informou que parte do andaime ainda permanecerá na fachada frontal porque ele está amarrado com a lateral do prédio, onde ainda ocorrem obras. “Muita gente vem tirar fotos da fachada para guardar de lembrança e comenta o quanto ficou bom o trabalho”, disse Leite. Depois de 92 anos pintadas de branco, as fachadas estão voltando à cor original, o amarelo-ocre. É a cor que a igreja tinha na inauguração, em 1883. Para encontrar a tinta original, foi necessário um trabalho intenso de prospecção, segundo o arquiteto responsável pelo restauro, porque na grande reforma de 1923 quase toda a argamassa do templo foi trocada. Sem recursos para a conclusão da obra, não há previsão de quando as demais fachadas da Catedral serão restauradas A falta de documentos do período da construção, no entanto, impede que a restauração do templo seja orientada para trazer a Catedral ao que ela era em 1883. Nessa época, a cúpula da igreja era pequena e as paredes do presbitério mais baixas do que hoje. A configuração atual do templo foi adquirida na reforma de 1923, segundo Leite, quando a igreja ganhou uma cúpula maior e as paredes do presbitério foram ampliadas. Assim, é a igreja de 1923 que está orientando o restauro, com exceção da cor — amarelo-ocre nas paredes e branco na cúpula. As intervenções na cúpula da Catedral consistirão na recuperação da imagem e do revestimento metálico do zimbório (nome dado à parte mais alta e exterior da cúpula, em forma de torre, em geral circular ou octogonal). Embora a Catedral seja a Igreja Nossa Senhora da Conceição, a imagem que está sobre o zimbório é de Nossa Senhora das Graças, instalada na cúpula para dar graças a Campinas. As dificuldades em captar recursos para as obras têm sido muitas. As verbas aplicadas desde o início do restauro, em 2012, vieram dos bancos Itaú e Bradesco e das empresas de alimentação Ticket, Alelo, Sodexo e FMC. Para concluir as obras, a Catedral precisa de R$ 4,3 milhões para as outras três fachadas, a cúpula e a substituição dos sistemas elétrico, hidráulico e de comunicação do templo. Som e luz A Prefeitura deve publicar o edital para contratar os projetos de sonorização e luminotécnica do templo. Os recursos, de R$ 500 mil, virão do Ministério da Cultura, por meio de emenda parlamentar ao Orçamento da União, apresentada por Guilherme Campos, no período em que foi deputado federal. Como a Catedral não pode receber o recurso diretamente, foi necessário a participação da Prefeitura como proponente — um convênio entre o ministério e a Administração foi assinado e a Prefeitura irá repassar o recurso à Arquidiocese de Campinas. Serão R$ 500 mil do ministério e mais R$ 5,1 mil em contrapartida. O projeto de luminotécnica foi proposto para todo o interior e exterior do templo. Com os recursos liberados, será possível iluminar a nave central, os altares mor e laterais e a nave central. “O uso de LED vai baixar muito nosso consumo de energia e custo de manutenção. Essas luzes duram 15 anos”, disse Leite. Arquidiocese pode captar até R$ 7,1 mi A Arquidiocese conseguiu autorização do Ministério da Cultura, em 2012, para captar R$ 7,1 milhões para as obras, utilizando os benefícios da lei de incentivos fiscais (Lei Rouanet) e, desse total, obteve R$ 2,8 milhões, suficientes apenas para o restauro das fachadas. A fachada da frente do templo teve toda a argamassa trocada, os anjos foram restaurados e dois dos quatro evangelistas, recuperados. Na primeira fase, com R$ 1,58 milhão captados pela Lei Rouanet, foram feitas a troca do telhado do templo para eliminar as infiltrações que, em dia de chuva, permitiam a entrada de água que acabava danificando altares e chão do templo centenário. O telhado foi construído em três lances. Um sobre a nave central, outro do altar-mór e Capela do Santíssimo e outro que atravessa a igreja em frente ao altar-mór. Também foi feita a restauração do teto, com reformas na parte hidráulica e elétrica. Os três imensos lustres de cristais também passaram por restauro. Tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc), a Catedral é uma referência histórica, pois sua monumentalidade e excelência arquitetônica, presentes na talha do Mestre Vitorino dos Anjos e na elaboração dos vitrais, simbolizam a fase de grande desenvolvimento urbano vivido pela cidade ao longo do século 19, graças à economia cafeeira.