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Economia esboça reação, mas 2018 pede cautela

Efetivamente, a retomada do crescimento da economia é lento. O nível de utilização da capacidade instalada de produção subiu meio ponto percentual entre fevereiro e março, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), mas ainda há muitas máquinas paradas

Rogério Verzignasse
01/04/2018 às 13:53.
Atualizado em 23/04/2022 às 09:15
Economia esboça reação, mas 2018 pede cautela (Divulgação)

Economia esboça reação, mas 2018 pede cautela (Divulgação)

O número de vagas abertas no mercado do trabalho voltou a crescer em fevereiro, com resultados notadamente melhores que os registrados no mesmo período do ano passado. A taxa básica de juros (6,5% ao ano) chega ao seu menor patamar histórico, e as projeções do Banco Central apontam o controle da inflação, com redução do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA). Cresce o índice de confiança de empreendedores do comércio e da indústria. Mas o momento ainda exige cautela. Efetivamente, a retomada do crescimento da economia é lento. O nível de utilização da capacidade instalada de produção subiu meio ponto percentual entre fevereiro e março, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), mas ainda há muitas máquinas paradas. O primeiro trimestre do ano mostrou vendas maiores, porém, os níveis de consumo ainda são baixos, muito distantes do que possa representar uma economia aquecida. O fato é que os empresários precisam de garantias que implicam na adoção de medidas que não são exatamente populares. Emprego O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho), apontou para a criação de 1.178 empregos só na cidade de Campinas, durante o mês de fevereiro. Só na indústria local, foram 400 vagas abertas nos municípios de abrangência do Ciesp-Campinas, segundo projeções da própria delegacia regional. No âmbito nacional, as contratações mais significativas aconteceram no setor de serviços. Para José Nunes Filho, diretor-titular da entidade, acontece sim um crescimento consistente, principalmente se considerado o número de vagas criadas no mesmo período do ano passado (apenas 197, segundo o Caged). Aos poucos, opina, com base na redução dos juros e o controle inflacionário, o mercado se firma. Mas Nunes é cuidadoso. “A situação é delicada. É como se fosse uma revoada. Ao menor barulho, todos os pássaros levantam voo. A gente corre o mesmo risco com a anunciada retomada da economia nacional. Erros podem colocar tudo a perder”, avalia. E o recado do diretor vai diretamente para o governo federal. O déficit público, grande vilão da economia, decorre hoje da incompetência do Palácio do Planalto em executar um projeto de reforma previdenciária. “O governo adia tomada de decisões quando se vê diante do risco de perder votos. É que nem sempre as iniciativas são populares. O fato é: o Brasil não pode abrir mão de suas conquistas, nem ser refém de programas demagógicos”, resume. A seu ver, a reação do mercado de trabalho é devida, exatamente, à coragem do governo em promover as reformas trabalhistas reivindicadas há muito tempo pelos empreendedores. Hoje, afirma, mais da metade dos empresários confia na retomada econômica e faz projetos de investimento. Há entre os analistas econômicos, no entanto, quem não seja tão otimista. Para muita gente, a reação do mercado de trabalho é um alento pontual, insignificante diante do prejuízo causado pelos dois anos de crise. Retomada lenta O professor José Dari Neto, doutor em Economia Social pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica que a sociedade não pode comemorar as vagas criadas em fevereiro, considerando que a crise econômica mantém, ainda hoje, quase 13 milhões de brasileiros sem emprego. Na sua opinião, a reação notória no setor de serviços, por exemplo – responsável por mais de 65 mil novas vagas abertas no mês – pode refletir eventos temporários, pontuais. Ele cita, por exemplo, o Carnaval, que, principalmente no Rio, movimentou o turismo e a alimentação, com hotéis e restaurantes lotados. Ele lembra que, no mesmo período, aconteceu o fechamento de vagas no comércio, por exemplo, pois historicamente o mês de fevereiro é ruim para os shoppings. “Não podemos nos iludir com a divulgação de números ocasionais. O fato é que o Brasil ainda tem 13 milhões de desempregados, e a retomada efetiva do crescimento da economia passa pela adoção de um projeto de nação, de um projeto de desenvolvimento”, avalia. Outra prova do “crescimento enganoso” do mercado de trabalho é que não existe aumento efetivo, significante, de postos criados com carteira assinada. E o que isso representa, na prática? Que o consumo vai seguir em baixa. “É fato que o emprego com carteira assinada dá confiança ao trabalhador, facilita a abertura de créditos. Se compra com segurança”, fala. “Com vagas temporárias ou intermitentes, o cidadão opta por comprar apenas o essencial, e tende a economizar. A loja vende pouco, a indústria produz pouco”. O professor Dari afirma que não gosta se ser pessimista, e ele até acredita que o momento do mercado de trabalho pode representar uma tendência de reação da economia. Mas é inegável, a seu ver, que os efeitos devastadores da crise atual são bem maiores que os notados entre 1982 e 1983, e 1991 e 1993. Na sua opinião, a retomada demora mais do que o esperado por todos os agentes econômicos. OS MELHORES SETORES DA ECONOMIA 65.920 vagas de emprego foram criadas pelo setor de serviços no Brasil inteiro, desde fevereiro 17.363 postos de trabalho foram criados no mesmo período pela indústria de transformação. 9.553 vagas foram geradas em fevereiro pela Administração pública Fonte: Conselho Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho

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