covid-19

Epidemia impede saída de campineiros do Peru

A epidemia do novo coronavírus Covid-19 se transformou num drama para o campineiro Marco Antonio Evangelista

Da Agência Anhanguera
17/03/2020 às 14:24.
Atualizado em 29/03/2022 às 17:25

A epidemia do novo coronavírus Covid-19 se transformou num drama para o campineiro Marco Antonio Evangelista. Ele, a mulher Gabriela, e um filho deles de 11 anos - que moram no bairro do San Conrado, no distrito de Sousas - estão em Cusco, no Peru e, desde a madrugada de segunda-feira estão impedidos de deixar a cidade por conta da decisão do governo peruano de fechar as fronteiras. O três viajaram para Lima no dia 14 e no dia seguinte seguiram para Cusco, mas foram pegos de surpresa com a decisão do governo anunciada no domingo à noite. A medida entrou em vigor já na segunda-feira.  Delegado aposentado, Evangelista diz que assim que tomou conhecimento das restrições correu para o aeroporto, mas não conseguiu passagens. Teve de voltar para o hotel. "Não deu tempo de gente fazer nada" , diz Gabriela. "Nós fomos direcionados para para uma central de atendimento da companhia aérea, e depois tivermos de voltar ao hotel" , conta Evangelista. Mas os problemas para eles estavam apenas começando. Desde então, permanecem em confinamento. "Temos relatos de brasileiros aqui, que não foram aceitos de volta nos hotéis" , diz. "Nós estamos aqui sem assistência. O consulado disse pra gente entrar e contato com as nossas famílias no Brasil para que eles mandassem dinheiro" , afirmou. "Ou seja, lavaram as mãos" . Marco relata que as ruas da cidade estão desertas. "Só vemos polícia na rua" , revela. Ele diz que os brasileiros ainda estão tendo uma segunda dificuldade. "Com a altitude (cerca de 4 mil metros) a gente sente muito cansaço e dificuldades para respirar" , conta. O campineiro passou a integrar um grupo de WattsApp de brasileiros presos no Peru e ouviu relatos de dificuldades ainda maiores. Uma jovem gravou um vídeo na qual relata estar presa no hotel e diz que não tem mais dinheiro para continuar no país. Segundo as autoridades as medidas restritivas deveriam durar ao menos por mais 15 dias. "E eu não tenho dinheiro pra pagar o hotel por tanto tempo" , afirma a mulher, que se identifica no grupo como Marina. Segundo ele, há brasileiros de várias partes do País na mesma situação. Contou que da região de Campinas, teve contato com turistas de São João da Boa Vista e Socorro. Ontem, às 13h56, uma turista brasileria identificada como Michele, colocou a seguinte mensagem no grupo de WattsApp. "Pessoal, estou no aeroporto de Bogotá e acabei de confirmar com a Avianca (Companhia aérea) que as fronteiras da Colômbia serão fechadas hoje também por 15 dias, porém a aérea não. Somente a terrestre e marítima. Se alguém tiver voo por Bogotá por esses dias talvez consiga voltar, por enquanto não fecharam. Nem hoje nem amanhã" , escreveu ela. "Não sei se ajuda, mas única informação que tenho" , finalizou. Embaixada Em nota, a Embaixada do Brasil em Lima informou que trabalha junto com o governo peruano para trazer de volta todos os brasileiros que estão impedidos de deixar o país por causa do fechamento da fronteira peruana. "A Embaixada do Brasil em Lima informa que está acompanhando a delicada situação dos turistas brasileiros que estão tentando retornar ao Brasil após a decretação do estado de emergência por parte do Governo peruano em decorrência do COVID-19. A Embaixada do Brasil em Lima tem realizado gestões em alto nível junto às autoridades peruanas com vistas a obter autorização para o retorno imediato dos brasileiros que se encontram impossibilitados de deixar o país. Além disso, está solicitando às autoridades locais que atuem junto a associações de hotéis em Cusco para que assegurem a necessária hospedagem aos turistas brasileiros durante esse período" , informa o documento.

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