acessibilidade

Escola começa a construir rampa

Pouco mais de um mês depois do Correio Popular noticiar a que a falta de acessibilidade na Escola Estadual Professora Rita de Cássia da Silva

Daniel de Camargo
10/10/2019 às 09:50.
Atualizado em 30/03/2022 às 11:12

Pouco mais de um mês depois do Correio Popular noticiar a que a falta de acessibilidade na Escola Estadual Professora Rita de Cássia da Silva, no Parque São Jorge, em Campinas, prejudica a locomoção de pelo menos três estudantes com deficiência física dentro da unidade, consequentemente constrangendo os jovens, foi iniciada a construção de uma rampa na quadra poliesportiva do colégio. Melhorias na infraestrutura eram reivindicadas pelos responsáveis desses alunos desde o início de 2018. Segundo Vilma Neves Pereira, dona de casa de 46 anos, que denunciou o caso, a obra começou na quarta-feira da semana passada. "A diretora me falou que recebeu uma verba do governo federal que possibilitou a melhoria", comentou. Contudo, destaca que a diretora não revelou se os outros problemas apontados serão resolvidos. Apesar disso, enfatiza, o avanço foi bastante comemorado. Em 30 de agosto passado, Vilma comentou que a vida da família não é fácil. "Precisamos lutar por tudo. O João vê que eu brigo, brigo, e não consigo nada", afirmou. Na oportunidade, relatou que o filho João Lucas, de 17 anos, que tem paralisia cerebral, e outros dois colegas sofrem diariamente devido à unidade de ensino não dispor de nenhuma rampa de acesso e ter um banheiro pequeno, que inviabiliza a troca de fraldas. Ela expôs também que esses alunos preferem não participar de algumas aulas de educação física porque precisam ser carregados pelo professor para conseguirem chegar à quadra poliesportiva. Os adolescentes, contou, ficam envergonhados porque as meninas veem isso. "Já estão na idade de namorar", brincou. Indignada, Vilma disse que um amigo do filho permanece o período escolar todo com a mesma fralda, por não ter um local apropriado para trocar. Antes da reportagem, assegura Vilma, a precariedade da infraestrutura foi reportada inúmeras vezes para a direção. A resposta, entretanto, era sempre que não havia recursos financeiros para promover as melhorias necessárias. De 2018 para cá, houve troca de diretoras. A atual disse a Vilma que a reclamação do banheiro era infundada. A justificativa: "existem outras escolas na rede com instalações piores". As dificuldades enfrentadas pela dona de casa e seu filho eram maiores em 2018, quando João Lucas ingressou nessa escola e tinha aulas no primeiro andar. Desde março deste ano, a classe que frequenta está alocada em uma sala no térreo, onde ficava um laboratório de informática. A mudança, porém, ocorreu com muito custo depois que ela, conjuntamente com as outras mães dos jovens cadeirantes, entraram na Justiça. "Ganhamos a causa, mas o Estado ficava recorrendo", falou. "Antes, nós e os professores subíamos e descíamos com as crianças no colo todos os dias", relembrou. A aflição com a inexistência de acessibilidade da escola é atribuída, frisa Vilma, ao fato de o filho ainda estar em crescimento. Hoje, o garoto pesa 45 quilos e tem 1,65m de altura. "Cada vez é mais difícil carregar ele. No momento, João Lucas cursa o 2º ano do Ensino Médio. Diretoria Regional Em agosto, a Diretoria Regional de Ensino de Campinas informou, em nota, que poderia encaminhar o aluno para outra unidade de ensino, que atendesse às suas necessidades. Para se deslocar do Parque Santa Bárbara, onde a família mora, até a escola no Parque São Jorge, João utiliza o serviço Ligado, oriundo de convênio entre a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (Emtu-SP) e Secretaria da Educação do Estado, que estimula a inserção das pessoas com deficiência física ou com mobilidade reduzida severa no sistema de transporte metropolitano. O atendimento "porta a porta" seria mantido. Vilma reclamou, ontem, que não aceitou a opção porque as outras escolas eram muito longe. Ontem, a Diretoria Regional de Ensino de Campinas informou, em nota, que a obra conta com parceria do Programa Escola Acessível, do Governo Federal. "A administração regional está à disposição dos pais e responsáveis pelos alunos para quaisquer esclarecimentos", encerra o texto.

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