Levantamento aponta que ao menos 103 lojas encerraram atividades nos centros comerciais desde início da pandemia

Aproximadamente 10% dos estabelecimentos dos shoppings de Campinas não sobreviveram à pandemia (Matheus Pereira/AAN)
Um novo levantamento divulgado ontem pela Comissão de Shoppings Centers da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Campinas apontou que o número de estabelecimentos fechados nos shoppings da cidade mais do que dobrou em pouco mais de um mês. No começo de junho, 50 operações haviam sido encerradas de forma definitiva por causa dos efeitos da pandemia da Covid-19. Atualmente, ao menos 103 lojas já decretaram falência nos centros de compra do município. Esse montante, segundo a Comissão, representa aproximadamente 10% do total de estabelecimentos — cerca de mil — em funcionamento antes do início da pandemia. O fim das atividades, segundo o estudo, se deve à falta de capital de giro e recursos financeiros no período de fechamento para pagar contas e salários dos funcionários. O setor mais prejudicado, apesar de não haver divulgação dos números, foi o de vestuários. Na manhã de ontem, o Governo do Estado anunciou a reclassificação de Campinas no Plano São Paulo, passando da fase vermelha para a laranja a partir da próxima segunda-feira. A decisão permite que as lojas localizadas nos shoppings centers possam voltar às atividades, com número reduzido de operações, no horário das 16h às 20h. Apesar da permissão concedida, a retomada em horário restrito e sem as operações nas áreas de alimentação não deve melhorar a situação financeira dos lojistas. "Se a restrição de horário de funcionamento continuar por muito tempo, nossa projeção é de que o número de lojas fechadas aumente até o final da pandemia", disse o presidente da Comissão de shoppings centers do município, Gustavo Maggioni. Segundo ele, muitos empresários já informaram que, com a restrição de horário e número reduzido de clientes, as vendas devem ser insuficientes para cobrir as despesas operacionais. "Esta é uma realidade não só de Campinas, mas de todo o Brasil. Com o horário reduzido, a limitação de pessoas e o medo dos clientes, os shoppings têm relatado perdas de 68,7% nas vendas após a autorização de reabertura". Mesmo com a reabertura, Maggioni orienta os empresários a buscarem uma negociação com as administradoras, no sentido de reduzir despesas como aluguel e taxas de condomínio e marketing, ou mesmo obter a isenção por um período maior até que seja retomado o faturamento anterior à pandemia. Pesquisa considerou oito centros O levantamento da Comissão de Shoppings Centers da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Campinas foi elaborado com base nos dados dos oito principais centros de compra da cidade: Iguatemi, Galleria, Parque D. Pedro, Unimart, Parque das Bandeiras, Prado Boulevard, Campinas Shopping e Shopping Jaraguá.