Com mais de 12,5 milhões de diabéticos, o Brasil ocupa atualmente o quarto lugar no ranking dos países com o maior número de pessoas com a doença
Com mais de 12,5 milhões de diabéticos, o Brasil ocupa atualmente o quarto lugar no ranking dos países com o maior número de pessoas com a doença, e a estatística deve quase dobrar nas próximas três décadas, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), chegando a 24 milhões até 2045. A estimativa da Secretaria Municipal de Saúde é de que Campinas tenha 100 mil diabéticos, o que representa 8,4% da população. No ano passado, o número de mortes na cidade em decorrência da doença aumentou 21% (foram 161 óbitos em 2016 e 195 em 2017). No Dia Mundial da Diabetes, lembrado hoje, uma série de ações vai alertar a população sobre riscos, sintomas, prevenção e tratamento. “Vivemos hoje uma epidemia de diabetes e mais da metade dos diabéticos não sabe que tem a doença, portanto, não faz o controle adequado. A diabetes é hoje a principal causa de cegueira no País, responsável por muitos casos de amputação de membros inferiores e está entre os principais fatores que levam ao infarto e à insuficiência renal”, afirma a médica nefrologista Maria Gabriela Rosa, do Instituto Nefrológico de Campinas (INC Nefro). A desinformação, segundo a especialista, contribui para a escalada das estatísticas. “Uma pesquisa divulgada em julho deste ano mostrou que três em cada quatro brasileiros não consideram a diabetes uma doença grave. Outro estudo, feito em maio em 153 cidades, revelou que a maioria da população conhece muito pouco sobre a diabetes. Só 1% dos entrevistados, por exemplo, sabia que pode provocar a perda das funções dos rins”, afirma a médica. O que é? De acordo com a médica, diabetes é uma doença em que há aumento da glicose (açúcar) no sangue e está associada especialmente à obesidade ou sobrepeso, sedentarismo, maus hábitos alimentares e ao envelhecimento da população. Pessoas com histórico na família também estão mais propensas a desenvolver a doença. O tipo 1 é uma doença autoimune, que surge geralmente na infância e adolescência. Já o tipo 2 é o mais comum e representa cerca de 90% dos casos. Durante a gravidez, também pode ocorrer a diabetes gestacional, com a elevação da quantidade de açúcar no sangue e que, geralmente, se normaliza após o parto. Entre os sintomas, estão a perda de peso, sonolência e cansaço, formigamento nas mãos ou nos pés, alterações na visão, sede, aumento na vontade de urinar, enjoo e dores de cabeça. A doença pode ser detectada com exames simples que investigam a presença de açúcar na urina e medem a quantidade desta substância no sangue. “A diabetes não tem cura, mas pode ser prevenida e controlada com a adoção de hábitos de vida saudáveis, com alimentação equilibrada e prática de exercícios físico, e, quando necessário, com medicamentos, como a insulina”, explica. Neste ano, o Dia Mundial da Diabetes destaca a importância da família no apoio e cuidados. “Essa rede é muito importante porque ajuda não só nos resultados do tratamento, mas também alivia a carga emocional trazida pela doença”, completa a médica Maria Gabriela. Faculdade faz ações gratuitas de prevenção A Faculdade de Medicina São Leopoldo Mandic realizou 225 consultas gratuitas para prevenção da Diabetes no Centro de Convivência Campinas, no último sábado. A campanha “De Bem com a Vida” integrou a terceira etapa das ações sociais promovidas para oferecer atendimento médico à comunidade. Durante a iniciativa, foram atendidos 225 pacientes que realizaram testes de glicemia, aferição de pressão arterial e checagem de peso e circunferência abdominal com médicos especialistas que são professores do curso de medicina. Na ocasião, 30 pacientes foram encaminhados para consultas especiais na Clínica MedMandic, no dia 26 de novembro, por apresentarem hiperglicemia e para prevenção de feridas no pé diabético. “Essa ação nos permite viabilizar o atendimento médico gratuito e humanizado para a população de Campinas. Essa é uma das missões da MedMandic e dos professores da Faculdade São Leopoldo Mandic”, conta o diretor geral da Faculdade, José Luiz Junqueira. A ação celebra o Dia Mundial do Diabetes, criado em 1991 pela International Diabetes Federation (IDF) em parceria com ao Organização Mundial da Saúde (OMS) para alertar a população sobre os riscos dos crescentes números de diagnósticos no mundo. SAIBA MAIS A diabetes é um conjunto de doenças causadas pela falta de insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas. Essa alteração no metabolismo afeta a queima do açúcar e sua transformação em músculos, proteínas e gorduras, entre outras substâncias. A concentração de glicose no sangue provoca inflamação e degeneração das artérias e danos nas terminações nervosas. Esse processo, se não for controlado, pode afetar diversos órgãos e provocar insuficiência renal, infarto, cegueira, impotência sexual, derrames cerebrais e feridas que demoram muito a cicatrizar, especialmente nos pés.